terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Convite para a Grande Ceia - por Mario Persona

Em menos de 24 horas mais de 500 pessoas já acessaram o "Convite para a Grande Ceia".

Muitas já tinham aceitado o convite antes de terem visto o vídeo, outras Deus sabe se aceitarão antes de o ano terminar. E você? O que está esperando?

Por Mário Persona



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Uma vida de simplicidade



Uma vida de simplicidade

Jim Hohnberguer

“em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação;
na tranqüilidade e na confiança, está a vossa força.”
Isaías 30.15



Aquela convenção foi a maior que o mundo já viu. De cada canto da Terra vieram os delegados, os quais se viam preocupados porque, ao invés de Ter que destruir os concorrentes, eles mesmos corriam o risco de serem destruídos. Naquela noite, discursaria a estrela do evento, o seu extraordinário líder. Os delegados cochichavam uns com os outros, expressando repetidas vezes a esperança de que se ninguém fosse capaz de reverter aquela situação, o orador da noite era. 

Ele sempre fora seu líder. Mais que isso, ele era aquele a quem todos gostariam de imitar. Ele contava com o afeto e a lealdade de todos, e com o passar dos anos, tornara-se, em essência, o deus deles. Um aplauso ensurdecedor irrompeu quando ele apareceu diante de todos, tomando o seu lugar na plataforma. Ele contempla o mar de rosto erguidos, atentos, e como um político, se embevece com a provação da multidão. Ao diminuir a ovação, ele respira fundo e começa: 

“ – Escutem bem, seus demônios! Vocês não farão com que os cristãos deixem de freqüentar os cultos, pois eles continuarão a fazê-lo! Vocês não conseguirão evitar que eles se apeguem a suas doutrinas nem que façam suas orações. Eles continuarão a fazê-lo! Devemos mudar nossa tática, se quisermos continuar a Ter sucesso. 

A chave para isso é o tempo, meus amigos. Podemos deixar que eles continuem com suas doutrinas, suas orações e seus cultos, contanto que controlemos o tempo deles. O tempo é o ingrediente mais importante, pois se eles não tiverem tempo, nunca vão conseguir aquela conexão salvadora com ‘Jesus’!” disse ele, cuspindo rancorosamente ao pronunciar aquela última palavra. 

Satanás prosseguiu: “Deixem-os pensar que estão salvos enquanto controlamos o tempo deles, e eles serão tão nossos quanto aqueles que nunca puseram o pé em uma igreja. E como vamos fazer isso? Simples! Vamos mantê-los ocupados com coisas fúteis e inventar um sem-número de esquemas para ocupar a mente deles. Vamos incentivá-los a gastar, gastar e gastar, e então trabalhar, trabalhar e trabalhar para poderem pagar as contas. Vamos inundar a correspondência deles com catálogos cheios de ofertas tentadoras. A seguir, para que tenham como comprar, lhes encaminharemos ofertas irrecusáveis de cartões de crédito. 


Vamos ensinar- lhes que a felicidade vem de coisas, e vamos induzir os maridos a trabalharem 8, 10, 12 horas por dia, seis a sete dias por semana. Que tenham dois empregos, se preciso for. Façamos aparentar que é necessário que a esposa trabalhe fora. Vamos dizer-lhes que essa é a única saída, se quiserem manter o padrão social da família. Colocaremos, então, as esposas para trabalharem duro no emprego e em casa, de modo que elas não tenham mais energia para seus maridos e filhos. 

Vamos estimular a mente deles para que não consigam ouvir Jesus lhes falando à consciência. Bombardearemos seus sentidos com músicas, tocando nas casas, no trabalho, e nas lojas. Certifiquem-se de que as notícias ruins cheguem a eles onde quer que estejam. Para isso, usem jornais, revistas, rádios, TV e a internet, 24 horas por dia. 

Corromperemos a estrutura moral de seus casamentos e também dos jovens, colocando imagens sensuais que provoquem pensamentos impuros em cartazes, filmes, jornais, capas de revistas, e claro, na televisão. Usemos os programas de TV para que bem ali, nas salas de estar deles, haja um desfile dos mais perversos membros da sociedade. Faremos com que se alegrem com os mais sórdidos detalhes do comportamento imoral, até que comecem a ver o mal apenas como uma alternativa qualquer. 

Faremos também com que eles se divirtam com os entretenimentos, os problemas e a escória do mundo. Exibiremos detalhes de problemas dos ricos e famosos. Desviaremos a atenção deles das realidades sérias da vida por meio da vã esperança de ganhar na loteria, em sorteios ou cassinos. Encheremos suas estantes com livros, revistas, e mais livros. Isso significa tempo, e quanto mais tempo com tudo isso, menos tempo com Deus. 

Encheremos as casas deles com computadores, colocando-os numa rodovia eletrônica cujas saídas nós controlaremos. Mandaremos um monte de e-mails para eles, e os sufocaremos com lixo eletrônico e intermináveis informações. Vamos dar-lhes notebooks, de maneira que estarão sempre trabalhando. 

Que todos tenham uma pager, mesmo as crianças. Encham o dia deles com ligações telefônicas. Dêem para eles telefones sem fio e celulares, de maneira que seja fácil conversar o tempo todo. Certifiquem-se de que suas secretárias eletrônicas estejam reproduzindo todos os recados. 

Vamos preencher todo o tempo dos filhos com atividades, programas esportivos na escola e fora dela, dança, balé, clube de escotismo, outros clubes, aulas de música, festa de debutantes e outras festinhas. Vamos deixá-los estressados com muito dever de casa, independentemente da idade. Mandaremos as crianças menores para o jardim de infância e a pré- escola, de maneira que fiquem longe da influência dos pais. Deixem que eles levem, o tanto quanto possível, uma vida à parte da dos pais, de modo que quando se tornarem adolescentes, não tenham nada em comum com o papai e a mamãe. Vamos deixá-los tão estressados que eles não terão como não responder à nossa motivação para teram atividades sexuais, fumarem, beberem bebidas alcóolicas e usarem drogas, tudo como fuga ao estresse a eles infligido. 

Mesmo a recreação, façamos com que seja em excesso. Vamos mandá-los em viagens de férias das mais caras. Façamos com que vivam num ritmo frenético! Que eles voltem dos fins de semanas exaustos, inquietos e despreparados para retomar o ritmo normal da semana que se inicia. Não deixemos que tenham contato com a natureza. Ao invés disso, façamos com que freqüentem parques de diversões, os eventos esportivos, os concertos, os shows e o cinema. Que nosso slogan seja: ‘as férias os deixam cansados o bastante para que voltem a trabalhar e pobres o suficiente para que tenham que fazê-lo!’ 

Se eles conseguirem evitar essas armadilhas, usemos suas próprias igrejas contra eles. Vamos dar-lhes muitos serviços, muitas responsabilidades e problemas para resolver, com isso, o tempo será consumido em ‘boas obras’. Quando eles tiverem reuniões de congraçamento espiritual, vamos instigá-los a se envolverem com fofocas e conversas supérfluas, de modo que cheguem em casa com a consciência pesada, e as emoções perturbadas. Promovamos crise após crise na igreja deles para que estejam sempre tão ocupados ‘apagando incêndios’, que não tenham tempo de avivar a chama do evangelho no próprio coração. Vamos estimulá-los a estudar as doutrinas e a espalhar o evangelho. Que freqüentem seminários sobre liderança e grandes congressos sobre evangelismo. 

Deixemos o caminho desimpedido para grandes eventos interdenominacionais que promovam uma reforma. Façamos todo o possível para que eles finjam estar colocando a família e os valores familiares em primeiro lugar. Então vamos envolvê-los em assuntos sociais de importância, como o aborto. Deixem que eles levem um estilo de vida conservador, mas por favor, façam o que for necessário para evitar que eles venham para a Bíblia e para Deus como pecadores que precisam de salvação. Se eles fizerem isto, tudo está perdido. 

O tempo é a nossa arma mais poderosa e nosso melhor aliado, meus companheiros! Vamos usá-lo sabiamente e deixá-los dormir em seus equívocos por mais um pouco. Depois disso, tanto o mundo como a igreja serão nossos e teremos conquistado uma vitória eterna!” 

Com as mãos erguidas, Satanás conclama seus agentes: “ À vitória! À vitória! À vitória!” E não só eco, também os resultados dessa tenebrosa reunião chegam até nós, ainda hoje. 

Foi de fato uma grande convenção! Posso até não adivinhar todos os detalhes dessa reunião, mas você pode julgar os resultados. Os anjos caídos cumpriram com determinação as suas tarefas fazendo com que cristãos de todas as partes ficassem por demais ocupados correndo de um lado para o outro. Não estamos vivendo com simplicidade, amigos. Nossa vida é por demais congestionada. Todo o sistema está demasiadamente estimulado. Será que o inimigo teve sucesso com o seu esquema? O plano tem funcionado muito melhor do que os seus sonhos mais extravagantes. 

Satanás conseguiu fazer o mundo inteiro embarcar num trem ultra rápido. Dia após dia, esse trem vai viajando cada vez mais rápido, e ele não quer diminuir a velocidade para que ninguém consiga descer. Por mais de trinta anos de minha vida, eu estive a bordo desse trem, sem nem saber por que trilhos eu viajava. 

Com efeito, nós, humanos, somos incrivelmente inclinados a ignorar o óbvio. Apesar de compreendermos isso, seria necessário que houvesse uma extraordinária combinação das mais conhecidas áreas selvagens do mundo com um belíssimo lago para que deixássemos aquele trem. 

Trecho do livro "Fuga para Deus" de Jim Hohnberguer, editora CPB.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

EVANGELHO ANORMAL


Por Lee Grady

Meu mundo foi sacudido violentamente em Janeiro, quando dediquei algum tempo entrevistando líderes do movimento ilegal da "igreja nas casas" da China.

Durante cinco dias orei, louvei e participei de refeições simples com estes santos preciosos, a maioria dos quais passou anos solitários nas prisões comunistas pelo crime de pregarem o evangelho. À medida que eu ouvia seus relatos em primeira mão de milagres, e do tratamento cruel que receberam dos guardas policiais, senti como se tivesse encontrado pela primeira vez uma fé parecida com aquela que vemos no Novo Testamento. Quando retornei aos Estados Unidos comecei a imaginar se o que nós chamamos de cristianismo aqui tem alguma semelhança com o verdadeiro produto.

Uma líder me explicou que supervisiona 5.000 igrejas numa área rural. "Você é um bispo ou um apóstolo?" perguntei, tentando entender os termos que eles usam. "Nós não usamos títulos", a mulher me explicou. "Nós simplesmente nos chamamos de irmão e irmã."

Os 80 crentes que conheci são responsáveis por mais de 35 milhões de cristãos na China. Este é um número impressionante. Mas nenhum deles chegou ao nosso local de reunião numa limousine, nem qualquer um deles era seguido por um grupo de guarda-costas e publicitários. Muitas destas pessoas vivem como fugitivos, mas os seus rostos estavam radiantes de alegria.

O sr.Yu, que é o nome que vou usar para ele, é como o apóstolo Paulo da China. Ele viu pessoas ressuscitarem de entre os mortos, e uma vez ele viu Deus paralisando sobrenaturalmente um oficial do governo que ameaçava suspender uma reunião evangelística ao ar livre. Mas o sr.Yu não esperava nenhum tratamento especial ao passar algum tempo comigo e com seus colegas em Janeiro. Ele usava um simples camisa de manga curta, comeu o mesmo peixe com arroz que nós comemos, e comparecia para a oração como qualquer outra pessoa, antes de cada reunião.

Geralmente ele tomava seu assento no fundo da sala.

Estas pessoas choravam cada vez que orávamos pela China. Elas estavam dominadas por um sentimento de urgência espiritual. Muitos deles estão ansiosos por uma mudança política em seu país, não para que tenham liberdade para se mudarem para os Estados Unidos, ou para que possam comprar uma casa, mas para que possam enviar missionários para países muçulmanos vizinhos e fechados como o Cazaquistão ou o Uzbequistão.

Eu senti vergonha quando voltei para casa. A humildade dos meus novos amigos chineses expôs a realidade do meu orgulho. A sua fé infantil revelou o quanto eu confio na tecnologia, na educação e nos ídolos do materialismo ocidental. A sua contagiante paixão pelo cumprimento da Grande Comissão forçou-me a enxergar o meu autocentrismo.

Estou cheio do nosso ramo anormal e americanizado do cristianismo. É tão impotente quanto é letal. Depois de passar esse tempo com meus irmãos e irmãs da China, compreendi que muito do que vejo na igreja e até daquilo que publicamos na nossa revista (a revista norte-americana Charisma) dá náuseas para Deus.
Quão desesperadamente precisamos do Espírito Santo, nosso Refinador, para que venha nos despojar dos nossos títulos, nossas limousines, nossos lugares nas primeiras fileiras nos templos e nossas mensagens do tipo "que vantagem posso tirar para mim"! Precisamos voltar à simples humildade!

Que Deus nos guarde de algum dia exportarmos para outros países um evangelho adulterado e centrado no homem. Peçamos ao Refinador que envie seu fogo e destrua nossa escória de tal modo que possamos experimentar em nosso país um avivamento estilo chinês. O que eles têm é genuíno. O que temos aceitado é uma imitação barata.

Texto publicado na Charisma Magazine em FEV/2001. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Quantas versões da bíblia você tem?


Quantas versões da bíblia você tem?


Amados irmãos,
Difícil dizer o quanto esse vídeo me tocou. Ao assistir esse vídeo hoje pela manhã fui muito edificado e impactado pelo testemunho da igreja em Kymial. Valorizamos nós as tantas versões, paráfrases e interpretações, sem contar as traduções parciais, que temos na língua portuguesa? Percebemos o quão valoroso é o acesso que temos à Palavra escrita? Podemos à qualquer ora por qualquer preço (desde R$1,00, se não menos) comprar quantas bíblias quisermos e recebermos em casa ou buscarmos na loja, nada nos impede.



A intenção deste post não é incentivar vocês a comprarem mais e mais bíblias, não é movimentar comercialmente, a ideia é que tenhamos compromisso com A Palavra de Deus e com o Deus da Palavra, como diz o amado pastor Ciro Zibordi.
Amados, possamos nós aprender com esses irmãos a valorizar o preço que muitos mártires pagaram para que a Palavra escrita fosse guardada durante esses 20 séculos da História da Igreja, ou melhor, desde antes de Cristo pelos escribas e doutores da Lei.

O conteúdo da Bíblia é tanto extensivo como inclusivo; os dois aspectos principais desse conteúdo são verdade e vida. A verdade nos traz a revelação e o conhecimento de todas as realidades no universo, tais como a realidade de Deus, a realidade do homem, a realidade do universo, a realidade das coisas da era atual, da era vindoura e da era eterna e, em particular, a realidade do Cristo designado por Deus e da igreja escolhida por Ele. Vida é Deus vindo a nós a fim de ser nossa vida para que obtenhamos a regeneração, o crescimento, a transformação e a conformação à imagem de Cristo, que expressa Deus, para que nos tornemos a expressão de Deus.


Vivemos uma realidade onde pouco valorizamos a bíblia por sempre te-la conosco mas esse povo ao saber que receberiam bíblias traduzidas para sua língua fizeram uma grande festa. Existem lugares onde traduzir bíblias para a lingua de origem do povo é uma missão quase impossível mas Deus tem agido e operado maravilhas, veja esse vídeo e compartilhe com seus amigos e contatos. Essa missão é quase impossível, mas juntos nós podemos.
Convém lembrar que, se você recebe as postagens por email, deve acessar o blog para poder assistir o vídeo, clique aqui


Tradução feita pela missionaria Rosa Kidd que levou 15 anos aprendendo a língua. A tradução foi concluída em março de 2010. Kimyal se encontra em Korupun, no oeste de Papua, a tribo tem mais ou menos 4 mil habitantes onde 98%(3.920 pessoas) falam apenas a língua nativa de Kimyal.

Daniel Freire

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Terminologia convencional versus terminologia bíblica


Terminologia convencional versus terminologia bíblica
"Boa parte da confusão existente no testemunho cristão vem da terminologia que os teólogos criaram para simples verdades da Bíblia. F. B. Hole disse certa vez que a teologia moderna pegou muitos termos das Escrituras e os esvaziou de seu sentido bíblico, dando depois a esses termos significados inventados pelos homens para fundamentarem seus próprios sistemas teológicos. Quando comparamos essas ideias com a Palavra de Deus, vemos que elas estão distantes da verdade. IGREJA Um dos exemplos mais evidentes de como a terminologia convencional criou um novo sentido para um termo bíblico é "a igreja". A maioria dos cristãos usa este termo para se referir a um edifício, aonde os cristãos vão quando se congregam para adoração. Essas pessoas dizem "Vamos à igreja" ao se referirem à sua reunião nesse edifício. Todavia, a Bíblia nunca utiliza a palavra "igreja" desta maneira. A Bíblia fala da igreja [em Grego eclésia] como um grupo de pessoas redimidas que foram "chamadas para fora" de entre judeus e gentios, por meio de sua crença no evangelho. Essas pessoas compõem o corpo de Cristo e um dia irão reinar com Ele, como Sua noiva, sobre este mundo. A Bíblia mostra claramente que a igreja não é um edifício material, pois ela diz que Cristo amou a igreja e Se entregou à morte por ela (Ef 5:25-26). Fica claro que isso não poderia ser dito de um mero edifício construído por mãos humanas. A Palavra de Deus também nos diz que a igreja costumava ser encontrada na casa de algumas pessoas (Rm 16:5; 1 Co 16:19; Cl 4:15; Fl 2). Ela diz que a igreja tinha ouvidos para receber instrução (At 11:22, 26); que tinha poder de discernimento para saber a vontade do Senhor (At 15:22); que podia orar (At 12:5), ser saudada (Rm 16:5), e ser perseguida (At 8:1; 1 Co 15:9). A partir dessas referências é óbvio que a igreja é um grupo de pessoas salvas pela graça de Deus, e não um mero edifício de pedras e madeira. Uma irmã das Antilhas, que havia aprendido algo sobre a verdade da igreja, foi questionada pelo "Ministro" de uma denominação local da razão de ela não "ir mais à igreja". Sua resposta foi: "A única igreja que encontro na Bíblia é aquela que se lançou ao pescoço de Paulo e o beijou", referindo-se a Atos 20:37. Então, apontando para o edifício no final da rua, continuou: "Se aquela coisa ali se lançar ao meu pescoço, ela vai me matar!". Os cristãos também usam erroneamente este termo para descrever uma seita na igreja. Eles falam de alguém ser membro de uma igreja, quando o que querem dizer é ser membro de uma seita denominacional (ou não denominacional) na igreja. A verdade é que as Escrituras não falam de sermos membros de qualquer outra coisa que não seja o corpo de Cristo. Todo crente no Senhor Jesus Cristo é um membro desse corpo (1 Co 12:12, 27). Também ouvimos cristãos falando de pessoas "se afiliarem à igreja", quando estão se referindo na realidade a pessoas que se unem a uma seita na igreja. A. H. Rule disse certa vez: "A igreja não é uma associação à qual os homens podem voluntariamente se ligar, ou dela se desligarem conforme a sua vontade, como acontece no caso das seitas". A Bíblia não ensina que devemos "nos fazer membros" de uma igreja. Só existe uma igreja na Bíblia: a ela o Senhor (e não nós) acrescenta pessoas quando elas creem nEle para salvação (At 2:47; 5:14; 11:24; 1 Co 6:17). Uma vez perguntaram a um irmão, que entendia esta verdade, a que igreja ele pertencia. Ele respondeu: "Pertenço à igreja da qual ninguém é capaz de se fazer membro!" Evidentemente a pessoa que fez a pergunta ficou bastante surpresa, e indagou: "Então como vocês conseguem os novos membros?" Ele respondeu: "Ah, é o Senhor quem os acrescenta pelo Espírito quando são salvos, mas as pessoas não podem acrescentar-se a si mesmas por sua própria vontade" (1 Co 12:13). A única coisa à qual nos poderíamos "juntar", e deveríamos buscar fazê-lo, é à comunhão dos santos (At 9:26), mas não podemos fazer a nós mesmos membros da igreja. Há quem às vezes pergunte: "Quem é que dirige a sua igreja?". As pessoas pensam que vamos falar o nome de algum "Ministro". Todavia, a Cabeça da igreja mencionada na Bíblia está no céu – é o próprio Cristo! (Cl 1:18) Também costumamos ouvir pessoas dizendo: "Nossa igreja ensina tal e tal coisa..." Todavia, não existe qualquer pensamento na Palavra de Deus de que a igreja ensine alguma coisa. Tal ideia é totalmente humana. Se os homens criassem uma organização com certas doutrinas e credos formulados segundo o padrão de sua seita, as pessoas até que não estariam erradas se dissessem que aquela organização ensina. Mas uma organização de homens não é a igreja! A verdade é que a igreja não é um corpo legislativo que estabelece regras, leis e doutrinas. Ela não ensina, mas é ensinada! E isso é feito por indivíduos com dons que são levantados pelo próprio Cristo, a Cabeça da igreja, que está hoje ressuscitado no céu (At 11:26). SANTO Outro exemplo da confusa terminologia existente na cristandade é encontrado no significado da palavra "santo". Muitos cristãos pensam em um santo como alguém que vive ou viveu uma vida exemplar. Porém a Bíblia usa o termo para descrever todos os crentes – até mesmo aqueles em Corinto, que eram notórios por suas divisões e carnalidade (1 Co 3:1-4). Eles estavam associados ao mal moral (1 Co 5) e alguns professavam uma má doutrina que atacava os próprios fundamentos do cristianismo (1 Co 15). Não existe um grupo de cristãos na Bíblia que esteja numa situação mais precária, exceto talvez pelos gálatas. Mesmo assim, apesar de todo o fracasso deles, a Palavra de Deus chama os coríntios de "santos"! (1 Co 1:2) Com base nisso fica claro que a Bíblia define "santo" de um modo diferente daquele normalmente usado pelas pessoas nos dias de hoje. William Kelly disse que na mente da maioria das pessoas ser santo é ser algo mais do que um mero cristão. Mas, na realidade, o que acontece é que um cristão é algo mais do que um santo! Ele disse: "Muitos diriam que minha doutrina é estranha, por todos nesta região serem considerados cristãos, porém pouquíssimos em todo o mundo serem considerados santos – e talvez nenhum deles seja visto assim até chegar ao céu. Mas está muito claro – não há nada mais evidente – que um cristão é um santo, e muito mais que isso!". Santo é alguém "santificado". Ser santificado, posicionalmente falando, é ter sido "colocado à parte" ou "separado" por Deus para bênção. Isso acontece quando nascemos de novo. Aqueles que são nascidos de Deus foram colocados à parte ou separados da massa da humanidade que caminha rumo à destruição. Todos os crentes desde o início dos tempos são santos. Por isso podemos chamar de "santos" aqueles que viveram nos tempos do Antigo Testamento (Dt 33:3; 1 Sm 2:9; 2 Cr 6:41 etc.). Todavia eles não eram cristãos. Apenas os crentes a partir de Pentecostes e até o Arrebatamento estão nessa posição diante de Deus. Um "cristão" é alguém que creu "no evangelho da vossa salvação" e, por conseguinte, foi selado com o Espírito, tendo assim sido feito parte da igreja (Ef 1:13). Ele foi deste modo colocado em uma posição muito mais abençoada (estando ligado a Cristo, a Cabeça da igreja) do que um santo do Antigo Testamento. O cristão é um santo, mas é muito mais que isso – ele é membro do corpo de Cristo (1 Co 12:12-13) e filho de Deus (Rm 8:14-15; Gl 4:5-7; Ef 1:5). Estas são coisas que os santos do Antigo Testamento não eram. (Existe também a santificação prática, que tem a ver com o aperfeiçoamento da santidade na vida do crente – que significa tornar nossa vida praticamente consistente com nossa posição – Jo 17:17; 1 Ts 4:3-4; 5:23; Hb12:14; 2 Co 7:1). O espaço não permite que continuemos discorrendo e enumerando todos os diversos termos que são erroneamente usados por cristãos atualmente. Examinaremos alguns deles à medida que avançarmos com nosso tema." Trecho do livro "A ORDEM DE DEUS" de Bruce Anstey

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

SEGURANÇA, CERTEZA E GOZO da Salvação

SEGURANÇA, CERTEZA E GOZO
Da Salvação Eterna


Quando estamos numa estação ferroviária ouvimos, com certa frequência, a seguinte pergunta: "Em que classe você está viajando?" Você, leitor, com toda a certeza está de viagem - de viagem para a Eternidade - e pode ser que neste momento esteja muito próximo da estação final: a Morte. Permita-me, então, que lhe pergunte: "Nesta jornada pela vida, em que classe você está viajando?"

Neste caso podemos pensar em três diferentes classes, e vou explicar quais são a fim de que você possa responder à minha pergunta como que diante de Deus; sim, diante dAquele a Quem certamente todos nós temos que prestar contas.





Na PRIMEIRA CLASSE viajam, por assim dizer, os que estão salvos e sabem disso.

Na SEGUNDA CLASSE viajam aqueles que não têm certeza da sua salvação, mas que, no entanto, desejam tê-la.












Na TERCEIRA CLASSE viajam aqueles que não estão salvos e nem tampouco se interessam pelo assunto.










Volto a perguntar: "Em qual destas classes você está viajando?" Oh, como é importante que você possa responder claramente a esta pergunta!

Há pouco tempo atrás, numa viagem que fiz de trem, no momento em que o trem se preparava para partir da estação, vi chegar um homem que se precipitou ofegante para dentro do vagão onde eu me encontrava.
- Isto é que é correr! - exclamou um dos passageiros.
- É verdade - respondeu o homem respirando com dificuldade - mas ganhei quatro horas e por isso valeu a pena.

"Ganhei quatro horas"! Ao ouvir estas palavras não pude deixar de pensar comigo mesmo: "Se para ganhar quatro horas valeu a pena fazer um tão grande esforço, quanto mais para ganhar a Eternidade!" E, contudo, existem milhares de pessoas, que embora sejam bastante prudentes em tudo o que se refere aos seus interesses mundanos, parecem não ter um mínimo de bom senso quando alguém lhes fala de seus interesses eternos!

Apesar do infinito amor de Deus para com os pecadores, manifestado na morte de Jesus Cristo na cruz; apesar do Seu declarado ódio ao pecado; da evidente brevidade da vida humana; dos terrores do julgamento depois da morte; da terrível perspectiva de sofrer insuportáveis remorsos ao achar-se no inferno, separado para sempre de Deus; apesar de tudo isso, muitos correm para o seu triste fim tão descuidados como se não existisse nem Deus, nem morte, nem julgamento, nem céu, nem inferno! Que Deus tenha misericórdia de você, leitor, se você for uma dessas pessoas, e que neste momento Ele abra os seus olhos para que você reconheça o perigo que é continuar despreocupadamente no caminho que conduz à perdição eterna.

Caro leitor, quer você acredite ou não, a sua situação é bem crítica. Não deixe, portanto, de enfrentar o quanto antes a questão da Eternidade e do destino que você terá nela, pois qualquer demora poderá ser fatal. Lembre-se de que o costume de deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é sempre prejudicial e neste caso poderá ter consequências desastrosas. Quão verdadeiro é o ditado: "A estrada do MAIS TARDE conduz à cidade do NUNCA"! Rogo, pois, encarecidamente, querido leitor, que não continue a viajar por um caminho tão enganoso e perigoso, pois está escrito na Bíblia Sagrada: "Eis aqui agora o dia da salvação" (2 Co 6.2).

Talvez você diga: - Não sou indiferente aos interesses da minha alma; longe de mim tal pensamento, mas a minha maior inquietação exprime-se por outra palavra: INCERTEZA. Por esta razão encontro-me entre os passageiros da segunda classe de que falou.

Pois bem, amigo leitor, tanto a indiferença como a incerteza são filhas da mesma mãe: a incredulidade. A indiferença provém da incredulidade no que diz respeito ao pecado e às suas consequências presentes e eternas. A incerteza, com sua consequente inquietação, provém da incredulidade acerca do infalível remédio que Deus oferece a você. Ora, estas páginas são dirigidas especialmente àqueles que, como você, desejam ter a completa e incontestável certeza da salvação.

Até certo ponto posso compreender bem a inquietação de sua alma e estou convencido de que quanto mais sinceramente interessado você estiver neste assunto, maior será a sua avidez para ter a certeza de que está real e verdadeiramente salvo da ira divina dirigida contra o pecado. "Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mt 16.26), disse o Senhor Jesus.

Suponhamos que o filho de um pai amoroso encontra-se viajando de navio. Chega, entretanto, a notícia de haver naufragado, numa costa estrangeira, o navio em que ele se encontrava. Quem poderá descrever a angústia que a incerteza produz no ânimo daquele pai enquanto não se certificar, por um testemunho fidedigno, de que o seu filho está salvo? Suponhamos ainda uma outra hipótese. Numa noite escura e tempestuosa você está seguindo por um caminho desconhecido. Ao chegar a uma encruzilhada você encontra alguém e lhe pergunta qual é o caminho que conduz ao povoado aonde deseja chegar, e ele, indicando um dos caminhos, responde: "Parece-me que é aquele, mas não tenho certeza; espero não estar enganado". Você ficaria satisfeito com uma resposta tão vaga e indecisa? Decerto que não. Você precisaria ter certeza, do contrário cada passo que desse naquela direção só aumentaria a sua inquietação. Por isso, não admira que tenha existido homens que, sentindo-se pecadores expostos à ira divina, não conseguiram mais dormir, e nem mesmo comer, enquanto a questão da salvação de suas almas não estivesse resolvida. Podemos sentir muito pela perda de nossos bens, ou talvez até mesmo pela perda de nossa saúde, mas o mais penoso de tudo seria a perda de nossa alma.

Pois bem, amigo leitor, há três coisas que, com o auxílio do Espírito Santo, desejo mostrar a você, as quais, na própria linguagem das Sagradas Escrituras são as seguintes:

1. O CAMINHO DA SALVAÇÃO (Atos 16.17).

2. O CONHECIMENTO DA SALVAÇÃO (Lucas 1.77)

3. A ALEGRIA DA SALVAÇÃO (Salmo 51.12).


Estas três coisas, embora intimamente ligadas, baseiam-se, todavia, cada uma delas, em verdades diferentes, de modo que é muito possível uma pessoa saber qual é o caminho da salvação, sem contudo ter o conhecimento de estar pessoalmente salva; ou mesmo conhecer que está salva, sem possuir contudo a alegria que deve acompanhar esse conhecimento. Falaremos, pois, em primeiro lugar do

CAMINHO DA SALVAÇÃO

A primeira parte da Bíblia Sagrada, o Antigo Testamento, está repleta de figuras ou símbolos de coisas espirituais, como diz o apóstolo Paulo: "Tudo o que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito" (Rm 15.4). Vejamos, pois, qual o sentido espiritual de uma dessas figuras contidas no Antigo Testamento, no livro de Êxodo, onde se lêem estas palavras em relação à lei dada por Deus, por intermédio de Moisés, ao seu povo na antiguidade: "Porém tudo o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça: mas todo o primogênito do homem entre teus filhos resgatarás" (Êx 13.13). Com estas palavras na memória, voltemos, em pensamento, a uns três mil anos atrás e vamos supor que nos encontramos perto de dois homens que estão conversando seriamente, um deles sacerdote de Deus e o outro um simples e pobre camponês israelita. Nossa atenção é atraída pelos gestos e pela maneira de ambos, que demonstra estarem tratando de um assunto importante. Ao observá-los, descobrimos que o assunto diz respeito a um jumentinho que está ao lado deles.


- Vim perguntar - diz o pobre israelita - se não pode ser feita uma exceção a meu favor, só desta vez. Este animal é o primogênito de uma jumenta que tenho e, embora eu saiba o que diz a lei de Deus a seu respeito, espero que haja misericórdia e seja poupada a vida do jumentinho. Sou apenas um pobre em Israel e não posso pensar em perder este animal.

O sacerdote, porém, responde com firmeza:

- A lei de Deus é clara e não admite dúvidas: "TUDO o que abrir a madre da jumenta, resgatarás com cordeiro; e se o não resgatares, cortar-lhe-ás a cabeça". Por que, então, você não traz um cordeiro?

- Ah, senhor, não tenho nenhum cordeiro! - replica o homem.

- Então vá comprar um e traga-o aqui; caso contrário o jumento terá que ser morto.

- Ai de mim! - exclama o pobre homem - neste caso todas as minhas esperanças estão perdidas, pois sou muito pobre e não posso de maneira alguma comprar um cordeiro.

Mas, durante a conversa, aproxima-se uma terceira pessoa que, ouvindo a triste história do homem, volta-se para ele e lhe diz bondosamente:

- Não fique desanimado, pois posso resolver o seu problema. Temos em casa um cordeiro que é muito querido de todos os de minha família, pois não tem nem uma única mancha nem defeito algum, e nunca se extraviou; vou já buscá-lo.

Pouco depois o homem está de volta, trazendo o cordeiro que em seguida é morto e o seu sangue derramado. O sacerdote volta-se então para o pobre israelita e lhe diz:

- Agora você pode levar o seu jumentinho para casa e ficar certo de que não precisará matá-lo. Graças ao seu amigo, o cordeiro morreu no lugar dele e, portanto, o jumentinho fica, com toda a justiça, totalmente livre.

Ora, querido leitor, acaso você não vê nisto um quadro divino da salvação do pecador? Em consequência dos seus pecados a justiça de Deus exige a sua morte, isto é, o seu justo castigo. A única alternativa que resta a você é a morte de um substituto aprovado por Deus. Você jamais poderia, de si mesmo, providenciar o necessário para sair da desesperada situação em que se encontra. Deus, porém, na Pessoa de Seu amado Filho, supriu, Ele próprio, um Substituto: "Eis o Cordeiro de Deus", disse João aos seus discípulos ao contemplarem o bendito e imaculado Salvador. "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29).

E, com efeito, Jesus subiu ao Calvário, "levado como a ovelha para o matadouro" (At 8.32), e ali "padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1 Pd 3.18). "O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação" (Rm 4.25). De modo que Deus, ao justificar o ímpio que crê em Jesus; ao absolvê-lo de toda a culpa, em nada sacrifica as justas exigências do Seu trono dirigidas contra o pecado. Ele é absolutamente justo em assim justificar aquele que tem fé em Jesus (Romanos 3.26). Bendito seja Deus, por nos dar um tal Salvador e uma tal Salvação!

Caro leitor, você crê no Filho de Deus? Se você responder "Sim! Como um pecador condenado tenho encontrado nEle Aquele em Quem posso confiar com toda a segurança. Creio verdadeiramente nEle!", neste caso posso lhe assegurar que, perante Deus, o grande valor do sacrifício e morte de Cristo, conforme Deus o aprecia, aproveita tanto à sua alma como se você mesmo tivesse sofrido, em si mesmo, a condenação merecida.

Oh, que admirável salvação é esta! É grande, é digna de Deus! Por ela Deus satisfaz os desejos do Seu bondoso coração, dá glória ao Seu amado Filho, e assegura a salvação do pobre pecador que nEle crê. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que determinou que o Seu próprio Filho completasse essa grande obra e recebesse por ela todo o louvor; e que nós, pobres criaturas culpadas, não somente alcançássemos toda a bênção por meio da fé nEle, mas também gozássemos eternamente a bem-aventurada companhia dAquele que assim nos abençoou! "Engrandecei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos o Seu nome" (Sl 34.3).

Mas, talvez você pergunte ansiosamente: "Como é que ainda não tenho completa certeza da minha salvação, embora já não confie mais em mim mesmo, nem nas minhas obras, mas só, única e inteiramente em Cristo e na Sua obra? Como é que, se um dia os sentimentos do meu coração me dizem que estou salvo, no dia seguinte me vejo assaltado de dúvidas? Sou como um navio surpreendido pela tempestade, sem poder achar ancoradouro seguro em nenhuma parte". Ah! eis aí o seu engano, e vou explicar o por quê. Porventura você já ouviu falar de algum capitão que procurasse ancorar seu navio lançando a âncora para dentro do próprio navio? Nunca! Ele sempre a lança para fora!

Vejamos, então, o seu caso. Pode ser que você já esteja completamente convencido de que a segurança de sua alma, quanto ao julgamento divino, depende somente da morte de Cristo; porém você imagina, ao mesmo tempo, que são os seus sentimentos que hão de lhe dar a CERTEZA da sua participação nos benefícios dessa morte. Vamos olhar novamente para a Bíblia, pois quero que você veja nela o modo como, pela Sua Palavra, Deus nos dá:

O CONHECIMENTO DA SALVAÇÃO

Antes, porém, de procurarmos o versículo que você deve ler cuidadosamente, o qual nos ensina COMO UM CRENTE PODE SABER QUE TEM A VIDA ETERNA, permita-me citá-lo de maneira errada, ou seja, da maneira como muitos parecem entendê-lo: "Estes alegres sentimentos vos dou a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus". Compare agora isto com a bendita e inalterável Palavra divina, e permita Deus que você possa se firmar nela, rejeitando todos os pensamentos vãos. Ora, o versículo de que falei é o versículo 13 do capítulo 5 da Primeira Epístola de João, que na Bíblia (Versão Almeida Atualizada) está escrito assim: "ESTAS COISAS VOS ESCREVI a fim de SABERDES que TENDES a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus".

A história sagrada do Antigo Testamento nos relata um acontecimento que explica exatamente o modo pelo qual nós podemos ter a inabalável certeza da salvação de que o versículo acima nos fala. Esse acontecimento é a saída do povo de Israel da terra do Egito, o que lemos no capítulo 12 do livro de Êxodo. Como podiam os primogênitos do povo de Israel saber, com toda a certeza, que estavam seguros durante aquela terrível noite da Páscoa, quando Deus derramava sobre o Egito o Seu tremendo castigo? Vamos supor que nos encontramos no Egito nessa solene ocasião, e que visitamos duas das casas dos israelitas. Na primeira casa encontramos toda a família aterrorizada e cheia de receios, dúvidas e incertezas:

- Qual é o motivo de tanta palidez e medo?- perguntamos.

- Ah! - responde o primogênito, - o anjo da morte vai atravessar a terra do Egito esta noite, e não sei o que será de mim quando chegar a meia-noite. Só depois que o anjo exterminador tiver passado por nossa casa, e a hora do juízo tiver terminado, é que saberei que estou salvo, mas antes disso não sei como posso ter a certeza de que nada me há de acontecer. Os nossos vizinhos do lado dizem que têm certeza da sua segurança, mas acho que isso é ter muita presunção. O melhor que eu posso fazer é passar esta longa e terrível noite esperando que tudo me saia bem.

- Porém - inquirimos - o Deus de Israel não providenciou um meio de segurança para o Seu povo?>

- Certamente que sim - responde ele - e nós já usamos esse meio. O sangue de um cordeiro de um ano, cordeiro sem defeito algum, já foi devidamente espargido com um molho de hissopo sobre a verga e ombreiras da porta; mas apesar disso, não temos ainda plena certeza de que eu esteja seguro.

Deixemos agora esta pobre gente, atribulada e cheia de dúvidas, e entremos na casa ao lado. Que notável contraste se apresenta logo à nossa vista! A paz e o sossego brilham em todos os rostos. Ali estão todos, de cajado na mão, a comer o cordeiro assado e já prontos para caminhar.

- Qual é o motivo de tão grande tranquilidade em noite tão solene? - perguntamos.

- Ah! - respondem todos - estamos aguardando as ordens de Jeová, nosso Deus, para sairmos de viagem, quando então daremos as últimas despedidas ao chicote do tirano e à cruel escravidão do Egito.

- Mas esperem! Vocês estão se esquecendo de que à meia-noite o anjo de Deus vai percorrer a terra do Egito, ferindo de morte os primogênitos...?

- Sabemos disso muito bem, mas o nosso filho já está perfeitamente seguro porque já espargimos o sangue na porta, segundo a vontade e ordem do nosso Deus.

Mas também os vizinhos fizeram o mesmo, - respondemos, - e contudo estão todos tristes, porque não têm nenhuma certeza de segurança.

- Ah - diz o primogênito com firmeza - mas nós não temos somente o sangue espargido: temos também uma confiança absoluta na Palavra inabalável do nosso Deus. Deus disse: "Quando Eu vir o sangue, passarei por vós". Portanto Deus fica satisfeito VENDO O SANGUE lá fora, e nós aqui dentro ficamos descansando na SUA PALAVRA. O sangue espargido é a base da nossa segurança. A palavra proferida por Deus é a base da nossa certeza de salvação. Porventura há alguma coisa que possa tornar-nos mais seguros do que o sangue espargido, ou que possa dar-nos mais certeza do que a Palavra proferida por Deus? Nada, absolutamente nada. Eis a razão da nossa paz!

Ora, leitor, qual dessas duas famílias você acha que estava mais ao abrigo da espada do anjo da morte? Talvez você diga que era a segunda, onde todos gozavam daquela tranquila confiança. Você está enganado: AMBAS ESTAVAM IGUALMENTE SEGURAS, pois a segurança de ambas dependia, não dos sentimentos dos que estavam dentro da casa, mas sim da maneira como Deus apreciava o sangue espargido fora da casa, sobre a porta. Se você quiser ter a certeza da sua própria salvação, leitor, não dê atenção aos seus sentimentos, mas sim ao testemunho infalível da Palavra de Deus. "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim TEM a vida eterna" (Jo 6.47).

A fim de esclarecer mais este ponto, vou me valer de um simples exemplo tirado da vida cotidiana. Certo lavrador, não tendo pastagens suficientes para o seu gado, e ouvindo dizer que uma bela pastagem próxima à sua casa está para alugar, comunica ao proprietário seu interesse em arrendá-la. Passa-se algum tempo sem que receba resposta do proprietário. Enquanto isso, um vizinho visita o lavrador e lhe diz:

- Estou certo de que ele alugará a pastagem a você. Você não se lembra de que no último ano o proprietário enviou-lhe um presente de caça, e não recorda também da maneira como o cumprimentou quando passou por sua casa há alguns dias?" Eis agora o lavrador todo cheio de esperanças!

No dia seguinte encontra-se com outro vizinho, que durante a conversa lhe diz:

- Receio que você não poderá usar aquela pastagem. Ouvi dizer que o sr. Fulano também a quer, e você sabe como ele é amigo do proprietário.

Esta notícia faz desvanecer as esperanças do pobre lavrador; e assim continua ele; um dia muito esperançoso, outro dia cheio de dúvidas. Por fim recebe uma carta pelo correio e, ao reconhecer a letra do proprietário da pastagem, abre-a com viva ansiedade; mas à medida que vai lendo, o sobressalto vai se transformando em satisfação que se lhe retrata no rosto.

- Está tudo resolvido,- exclama, dirigindo-se à sua esposa; - acabaram-se as dúvidas e os receios! O proprietário diz que me arrenda a pastagem por todo o tempo que eu quiser, e em condições muito favoráveis. Isto me basta; agora já não me importo mais com a opinião de ninguém, seja lá quem for; a palavra do proprietário assegura-me a posse.

Quantas pobres almas há por aí, às quais acontece o mesmo que aconteceu ao lavrador; andam agitadas e perturbadas porque escutam as opiniões dos homens, ou se ocupam com os pensamentos e sentimentos dos seus próprios corações, ao passo que, se com sinceridade recebessem a Palavra de Deus, como sendo a Palavra de Deus, as dúvidas que os atribulam cederiam imediatamente seu lugar à CERTEZA.

As Escrituras dizem que aquele que crê está salvo, e que aquele que não crê está condenado. Não pode haver dúvida, nem em um caso nem em outro, pois é Deus Quem o diz, e para o crente de coração sincero a Palavra de Deus resolve tudo. "Porventura diria Ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria?" (Nm 23.19). Deus tem falado, e o crente, satisfeito, pode dizer:

Mais provas não exijo eu
Nem mais demonstração;
Já sei que Cristo padeceu
Para minha salvação.


Mas, talvez haverá alguém que ainda pergunte: "Como hei de saber com certeza se tenho a verdadeira fé?" A esta pergunta temos que responder com outra pergunta: "Você tem fé no verdadeiro Salvador: isto é, no bendito Filho de Deus?" A questão não é saber se a sua fé é muita ou pouca, forte ou fraca, mas se a Pessoa em quem você colocou a sua confiança é digna dela. Há alguns que se agarram a Cristo com uma energia semelhante à do homem que se afoga. Há outros, porém, que apenas tocam, por assim dizer, na orla do Seu vestido; mas os primeiros não estão mais seguros do que os últimos. Todos fizeram a mesma descoberta, isto é, que em si mesmos não há nada em que possam confiar, mas que podem todavia fiar-se seguramente em Cristo, podem fiar-se tranquilamente na Sua Palavra, e podem, portanto, descansar com toda a confiança na eterna eficácia da Sua obra perfeita. É isto que se entende por crer nEle, e é Sua a promessa: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim, tem a vida eterna" (Jo 6.47).

Portanto, cuidado leitor; não ponha a sua confiança nas suas boas intenções ou no seu arrependimento e penitências, ou em quaisquer outros atos religiosos, nem mesmo nos seus piedosos sentimentos, nem na educação moral que possa ter recebido, nem em quaisquer outras coisas semelhantes. É até possível que você confie firmemente em algumas destas coisas, ou em todas elas juntas, e contudo venha a perder-se eternamente; porém a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, por mais fraca que seja, salva eternamente, ao passo que a fé, mesmo que forte, em outra coisa ou pessoa qualquer é apenas o fruto de um coração enganado.

Deus, no Evangelho, apresenta a você o Senhor Jesus Cristo, e diz: "Este é o meu Filho amado, em Quem Me comprazo" (Mt 3.17). É como se Deus dissesse: "Ainda que você não possa confiar em si mesmo, pode contudo confiar sem receio em Jesus". Bendito, mil vezes bendito Senhor Jesus! Quem não há de confiar em Ti e exaltar o Teu nome?

- Creio deveras nEle, - disse-me um dia uma jovem, com certa tristeza, - todavia não me atrevo a dizer que estou salva, com receio de dizer talvez uma mentira.

Esta jovem era filha de um negociante de gado em uma pequena vila, e seu pai havia ido, naquele mesmo dia, à feira e ainda não tinha voltado.

- Suponhamos agora - disse-lhe eu - que quando seu pai voltar você lhe pergunte quantas ovelhas comprou hoje, e ele responda: "Dez". Suponhamos ainda que logo em seguida entre um freguês e lhe pergunte: "Quantas ovelhas seu pai comprou hoje?" Porventura você responderia: "Não me atrevo a dizer, com receio de mentir"?

Nisto, a mãe da menina, que escutava nossa conversa, disse com certa indignação: - Isso seria o mesmo que dizer que seu pai é mentiroso.

Ora, querido leitor, você não percebe que essa menina, embora bem intencionada, estava realmente a fazer do Senhor Jesus um mentiroso, quando dizia: "Eu creio no Filho de Deus, porém não me atrevo a dizer que tenho a vida eterna, porque receio dizer talvez uma mentira"? Que incredulidade!

- Mas, - alguém poderá dizer, - como posso ter a certeza de que realmente creio? Tenho me esforçado muitas vezes para crer, e procurado ler no meu íntimo se o tenho conseguido; mas quanto mais penso na minha fé, a mim menos parece que eu creia.

Meu amigo, a maneira como você olha para estas coisas não poderia ter outro resultado, e o fato de você dizer que se esforça para crer demonstra claramente que não compreende a questão. Deixe-me, portanto, apresentar-lhe outro exemplo para explicar melhor este ponto.

Suponhamos que você se encontre certa noite em sua casa e entre alguém dizendo que o chefe da estação da estrada de ferro acaba de morrer esmagado por um trem. Acontece, porém, que esse indivíduo que lhe traz a notícia há muito tempo é tido em toda a vizinhança como um grande mentiroso. Você acreditaria nele, ou se esforçaria para acreditar nele?

- Decerto que não! - você me responderá prontamente.

- E por que não?

- Porque eu o conheço bem demais para saber que é um mentiroso.

- Mas, - pergunto - como é que você sabe que não crê no que ele disse? Será que para isso você precisou examinar sua fé?

- Não; é porque sei que o homem que me dá a notícia não é digno de confiança.

Pouco depois entra um outro indivíduo e diz:

- O chefe da estação foi hoje atropelado por um trem e ficou esmagado.

Após ele sair, escuto você dizer prudentemente:

- Agora estou quase crendo que seja verdade, pois conheço este homem desde pequeno e pelo que me lembre, só me enganou uma vez.

- Ora, - pergunto eu de novo, - será que desta vez você sabe que quase crê por ter examinado sua própria fé?

- Não; é porque tenho em conta o caráter de quem me dá a notícia.

Este homem acaba de sair de sua casa e entra um terceiro. Este, que é um amigo que lhe inspira a mais absoluta confiança, não faz mais do que confirmar a notícia. Desta vez então você diz:

- Agora é que creio, João; por ser você quem está me afirmando isto, eu posso crer.

Insisto ainda na minha pergunta, que como você há de recordar, é apenas um eco da sua:

- Como é que você pode SABER agora que crê tão positivamente no que disse o seu amigo?

- É porque conheço bem a pessoa e o caráter dela - você me responde. - Nunca, em toda a sua vida, me enganou, e não a julgo capaz de fazê-lo.

Pois bem, é justamente por esta razão que eu também sei que creio no Evangelho: é por ele me ser mandado pelo próprio Deus. O apóstolo João diz: "Se recebemos o testemunho dos homens, o TESTEMUNHO DE DEUS é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de Seu Filho testificou... quem a Deus não crê mentiroso O fez: PORQUANTO NÃO CREU NO TESTEMUNHO que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5.9,10). E Paulo diz: "Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Rm 4.3).

Em certa ocasião uma pessoa ansiosa pela salvação disse a um servo de Deus:

- Ah! senhor, eu não posso crer! -, ao que lhe respondeu o pregador com muito acerto:

- É verdade?... E em QUEM você não pode crer? - Esta simples pergunto foi suficiente para lhe abrir os olhos. Até ali tinha pensado que a fé era alguma coisa misteriosa que deveria sentir dentro de si, e que sem senti-la não poderia ter certeza da sua salvação. Mas afinal a fé do crente faz com que ele olhe, não para si mesmo, mas, ao contrário, para Cristo e para a Sua obra consumada no Calvário, e o leve a aceitar confiadamente o testemunho que um Deus fiel dá acerca de ambos e assim alcança a paz. Quando uma pessoa se volta para o sol, a sua sombra fica para trás; assim também quando nos voltamos para Cristo glorificado no céu, não mais nos preocupamos conosco.

Fica pois demonstrado que a bendita PESSOA do Filho de Deus ganha a nossa confiança; a Sua OBRA CONSUMADA nos dá segurança eterna; e a PALAVRA de Deus, acerca de todo o que nEle crê, nos dá a certeza inalterável de tal segurança. Encontramos em Cristo e na Sua obra o caminho da Salvação; e na Palavra de Deus o conhecimento da Salvação.

- Mas - dirá talvez o leitor, - se tenho a vida eterna, como é que tenho sentimentos tão inconstantes, perdendo com frequência toda a minha alegria e consolação, achando-me sem paz e quase tão triste como antes de ter sido convertido?

Esta pergunta nos leva a tratar de nosso terceiro ponto que é:

O GOZO DA SALVAÇÃO

A Palavra de Deus nos ensina que, enquanto o crente é salvo da ira futura pela obra de Cristo, e tem a certeza da salvação pela Palavra de Deus, ele conserva a consolação e alegria pelo poder do Espírito Santo que habita em si (1 Co 6.19).

Convém lembrar que toda pessoa salva ainda tem em si o que as Sagradas Escrituras chamam de "carne", isto é, a natureza pecaminosa com que nascemos, e que começa a se manifestar desde a nossa mais tenra infância. O Espírito Santo no crente resiste à "carne", e fica entristecido sempre que ela se manifesta por pensamentos, palavras ou obras. Quando o crente procede de um modo digno do Senhor, o Espírito Santo produz em sua alma o seu bendito fruto: amor, gozo, paz, etc. (veja Gálatas 5.22). Porém quando ele procede de um modo carnal e mundano, o Espírito Santo é entristecido e, como consequência, falta, na vida do crente, este fruto espiritual.

Permita-me, leitor, expor sua situação, como crente, da seguinte forma:

A obra de Cristo e a sua salvação: Ficam em pé ou caem juntamente;

O seu comportamento e o seu gozo: Ficam em pé ou caem juntamente.

Se fosse possível a obra de Cristo cair por terra, o que graças a Deus nunca poderá acontecer, a sua salvação cairia juntamente com ela. Porém, quando por qualquer descuido você não tiver um comportamento próprio de um cristão, (o que pode muito bem acontecer), você ficará também sem desfrutar o gozo.

Em Atos dos Apóstolos, está escrito a respeito dos primeiros cristãos que andavam "no TEMOR DO SENHOR e CONSOLAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO" (At 9.31); e também "os discípulos estavam cheios de ALEGRIA e do ESPÍRITO SANTO" (At 13.52). Depois de sermos convertidos, o nosso gozo espiritual será sempre proporcional ao caráter espiritual do nosso comportamento.

Você percebe agora, leitor, em que consiste o seu engano? Você tem confundido duas coisas diversas, que são: a segurança da salvação, e o gozo que resulta dela. Se porventura você entregar-se à sua vontade-própria, ao seu mau gênio, ou aos prazeres mundanos, etc., o Espírito Santo Se entristecerá e logo você perderá sua alegria espiritual e talvez pense ter perdido também a sua segurança. Repito, porém, mais uma vez:

A sua SEGURANÇA depende da obra que Cristo fez por você.

A sua CERTEZA depende da Palavra que Deus dirige a você.


O seu GOZO depende de você não entristecer o Espírito Santo que habita em você.

Se você, sendo filho de Deus, entristecer o Espírito Santo, a sua comunhão com Deus Pai e com o Seu bendito Filho ficará, como consequência, logo interrompida; e enquanto você, arrependido, não reconhecer e confessar o seu pecado a Deus, aquela comunhão e aquele gozo não lhe serão restaurados.

Suponhamos que uma criança qualquer faça uma maldade. Sentindo que praticou o mal e desconfiando que seus pais já saibam do ocorrido, ela mostra logo em seu rosto os evidentes sinais de perturbação. Meia hora antes ela estava alegre a gozar juntamente com os pais de um passeio no jardim, agradando-se naquilo que agradava a eles também, e gozando aquilo que eles também desfrutavam. Em outras palavras, ela estava em comunhão com eles; tinham todos os mesmos sentimentos. Mas isso cessou num momento, e como criança travessa e desobediente, nós a encontramos agora em um canto, toda triste. Os pais, notando sua tristeza, perguntam-lhe pelo motivo, dizendo-lhe que, se tiver feito qualquer maldade, deve confessar tudo e eles a perdoarão; mas o orgulho e a teimosia a mantém ali calada.

Onde está agora a alegria que essa criança tinha há meia hora? Desapareceu completamente. Por que? Porque se interrompeu a comunhão entre ela e seus pais, devido à sua maldade. Mas o que é feito do parentesco que, há meia hora, existia entre ela e seus pais? Porventura desapareceu isto também? Acaso cessou ou se interrompeu? Certamente que não.

O seu PARENTESCO depende do seu nascimento.

A sua COMUNHÃO depende do seu comportamento.

Passado, porém, algum tempo, ela sai do canto, onde tinha permanecido, e já arrependida e com o coração quebrantado, humilha-se e confessa toda a sua falta, do princípio ao fim, de modo que os pais percebem que ela odeia agora, tanto quanto eles, a sua desobediência e travessura. Então, tomando-a nos braços, cobrem-na de beijos. A sua alegria restabelece-se, porque também a sua comunhão com os pais está agora restabelecida.

Lemos que o rei Davi, tendo em certa ocasião pecado gravemente, se arrependeu e voltou-se para Deus orando: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.12). Notemos que não pediu que lhe fosse restituída a salvação, mas a alegria da salvação.

Imaginemos agora o caso de outra maneira. Suponhamos que enquanto a criança se encontrava no canto, soluçando e sem dar provas de querer reatar comunhão com seus pais, se ouvisse um grito de "Fogo!" O que iria ser da criança? Porventura seus pais a deixariam naquele canto para ser consumida pelo fogo que devora a casa? Impossível! Seria até mais provável que ela fosse a primeira pessoa que os pais tirariam para fora de casa e poriam a salvo. Todos devem saber perfeitamente que o amor de parentesco é uma coisa, e que o gozo da comunhão é outra inteiramente diferente.

Ora, quando um crente cai em pecado, a sua comunhão com Deus Pai fica por algum tempo interrompida, e falta-lhe o gozo até que, com o coração contrito, se volte para o Pai e Lhe confesse os seus pecados. Então, confiando na Palavra de Deus, sabe que está de novo perdoado; porque a Sua Palavra claramente diz que: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1.9).

Assim, pois, ó filho querido de Deus, lembre-se sempre destas duas importantes verdades: que não há nada tão forte como o LAÇO DE PARENTESCO; e nada há tão frágil como o LAÇO DA COMUNHÃO. Todas as forças e todas as maquinações da terra e do inferno reunidas não podem quebrar o primeiro, ao passo que basta apenas um pensamento impuro, ou uma palavra leviana, para quebrar imediatamente o segundo.

Se porventura você tiver alguma vez a sua alma atribulada, humilhe-se perante Deus, e examine a sua consciência. E quando você tiver descoberto o ladrão, o pecado que lhe roubou a alegria, traga-o para a luz da presença de Deus; isto é, confesse o seu pecado a Deus, seu Pai, e julgue-se a si mesmo, pelo seu descuido e pela falta de vigilância da sua alma que, assim, deixou entrar às escondidas o inimigo. Mas não confunda nunca, NUNCA, a sua segurança com o seu gozo.

Não imagine, todavia, que o julgamento de Deus é menos severo contra o pecado do crente, do que contra o do incrédulo. Ele não tem dois modos diferentes de tratar com o pecado. Seria impossível a Deus passar por alto, sem julgar, tanto os pecados do crente como os do incrédulo que rejeita ao Seu precioso Filho. Há, porém, entre os dois casos a seguinte diferença:

O pecado do crente foi previsto por Deus, havendo-o lançado sobre Cristo, o Cordeiro divino, quando Este foi crucificado no Calvário. Ali, de uma vez para sempre, foi levantada a grande questão criminal da sua culpa, recaindo o castigo, que o crente merecia, sobre o seu bendito Substituto. "Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1 Pd 2.24). O incrédulo, porém, que rejeita ao Senhor Jesus Cristo, há de sofrer, ele próprio, as consequências eternas dos seus pecados no lago de fogo.

Ora, quando um crente comete uma falta, a questão criminal do pecado não pode ser suscitada novamente contra ele, porque o próprio Jesus, constituído agora o Juiz de todos, é Quem a resolveu de uma vez para sempre sobre a cruz; porém a questão da comunhão é levantada dentro da sua alma pelo Espírito Santo, todas as vezes que o crente O entristece.

Permita-me que, em conclusão, me sirva de outro exemplo. Imaginemos uma noite serena e magnífica, com a lua brilhando com o seu maior esplendor. Um homem está olhando atentamente para um lago profundo, em cuja superfície a lua se reflete admiravelmente e, dirigindo-se a um amigo que está ao seu lado, lhe diz:

- Como a lua está linda esta noite, tão cheia e brilhante!

Porém, apenas acaba de falar, seu companheiro deixa cair uma pedra dentro do lago e logo o primeiro exclama:

- Que é isto? a lua fez-se em pedaços, e os seus fragmentos estão batendo uns contra os outros na maior confusão!

- Que absurdo! - responde seu companheiro. - Olhe para cima e você verá que a lua não mudou em coisa alguma. A superfície da água do lago, que a reflete, é que sofreu mudança, ficando agitada.

Amigo crente, aplique a você mesmo este simples exemplo. O seu coração é como o lago. Quando você não concede nele lugar para o mal, o bendito Espírito de Deus revela a você as perfeições e glórias de Cristo, para sua consolação e gozo. Mas no exato momento em que você acolhe em seu coração um mau pensamento, ou que de seus lábios escapa uma palavra ociosa, sem ser logo julgada, o Espírito Santo começa, por assim dizer, a alterar a superfície do lago, e a sua felicidade e gozo se desvanecem fazendo com que você fique inquieto e perturbado até que, com espírito quebrantado diante de Deus, Lhe confesse o pecado que tem sido a causa da sua perturbação. Aí então ficará restaurado o sossego de seu espírito, e você desfrutará de novo o gozo da comunhão com Deus.

Enquanto o seu coração se sente assim intranquilo, porventura você acha que a OBRA DE CRISTO SOFREU ALGUMA MUDANÇA? Isto jamais poderá acontecer; e por conseqüência também a realidade da sua salvação não sofreu mudança. Mudou a PALAVRA DE DEUS? É claro que não. Então permanece inabalável a certeza da sua salvação. O que foi que mudou então? A AÇÃO DO ESPõRITO SANTO em você. Ele, ao invés de lhe mostrar as glórias do Senhor Jesus, e de assim encher o seu coração com o sentimento do valor da Pessoa e da obra de Cristo, Se vê na necessidade de deixar essa preciosa ocupação para encher a sua consciência com o sentimento do seu próprio pecado, sua fraqueza e sua falha. Ele o privará de sua consolação e de seu gozo enquanto você mesmo não se julgar, reprovando o mal que Ele julga e reprova. Porém, quando isto acontece, restabelece-se novamente a sua comunhão com Deus. Que, pela graça do Senhor, tenhamos sempre uma santa vigilância sobre nós mesmos, a fim de não entristecermos "o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção" (Ef 4.30).

Querido leitor, por mais fraca que seja a sua fé, fique certo de que o bendito Senhor em Quem você tem depositado sua confiança jamais mudará. "Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e ETERNAMENTE" (Hb 13.8). A OBRA de Cristo consumada jamais mudará: "tudo quanto Deus faz durará ETERNAMENTE: nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar" (Ec 3.14). A PALAVRA por Deus pronunciada jamais mudará. "Secou-se a erva, e caiu a sua flor: mas a palavra do Senhor permanece PARA SEMPRE" (1 Pd 1.24,25).

Assim, pois, o alvo da nossa fé, o fundamento da nossa esperança, e a base da nossa certeza, são igualmente perduráveis. Com confiança então podemos já cantar: 

Ó Deus e Pai, Te agradecemos
A paz, perdão e Teu amor;
Com gratidão reconhecemos
Que temos parte em Teu favor.


Permita-me, pois, leitor, que pergunte a você uma vez mais: "Em que classe você está viajando?" Eleve a Deus o seu coração e dê-Lhe já, sem demora, a sua resposta.

"Quem a Deus não crê mentiroso o fez: porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5.10). "Aquele que aceitou o Seu testemunho, esse confirmou que DEUS É VERDADEIRO" (Jo 3.33).

Querido leitor, meu desejo é que a alegre certeza de possuir esta tão grande salvação encha o seu coração e domine toda a sua vida, agora e até que Jesus venha.

George Cutting (+ 1934)