quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Arrebatado pelo Esposo e Vindo com o Rei

Em face do último artigo postado, intitulado "Dores de parto no Oriente Médio", achei por bem publicar também esse texto do irmão George Cutting que nos traz um sentimento maravilhoso de anelo pela volta do "Desejado das Nações" e não de pavor. Como logo no início do citado artigo, vemos que "dores de parto", para aquela que sofre as dores, é uma dor que traz alegria e esperança, já que está intimamente relacionada com a Parousia.



"Muitos dos que conhecem alguma coisa da doutrina da vinda do Senhor, parecem preocupar-se mais com os "acontecimentos" que julgam terem sido ou estarem sendo cumpridos, do que com a própria bendita Pessoa que há de vir. A preocupação com "acontecimentos", em lugar do coração estar ocupado com a Sua pessoa, rouba ao coração muito daquele bem estar e conforto que deve resultar desta esperança celestial. Infelizmente, o inimigo tem conseguido fazer com que no espírito de muitos esta linda promessa da vinda do Senhor se pareça com uma ameaça judicial; enquanto, como vemos em João 14, foi o melhor tônico escolhido pelo Grande Médico para reanimar os corações desfalecidos e receosos dos Seus amados discípulos. E quando o inspirado apóstolo, anos mais tarde, escreve a sua primeira carta aos enlutados e perseguidos jovens convertidos de Tessalônica, ele conclui as suas observações sobre a vinda do Senhor com esta pequena, mas significativa frase: "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras".


Ora, leitor amigo, podem estar a dar-se certos acontecimentos, hoje, que pareçam indicar que não pode estar longe o tempo em que o "Sol da justiça" há de levantar-se, trazendo nas Suas asas a cura para o restante do povo de Israel que teme o Seu nome, e o julgamento para os maus. Mas a esperança imediata do cristão é a volta do próprio Cristo, como sendo a "Resplandecente Estrela da Manhã".


Arrebatado pelo Esposo e Vindo com o Rei
George Cutting


Caro leitor, já pensaste nisto? O Senhor Jesus Cristo há de vir outra vez!

Milhares de pessoas por toda a parte estão sendo despertadas para esse fato solene e bendito, e ainda que os "escarnecedores" dos últimos tempos estejam perguntando: "Onde está a promessa da Sua vinda?" (2 Pe 3:4) e o mau servo diga no seu coração: "O meu Senhor tarde virá" (Mt 24:48), mesmo assim "O que há de vir virá, e não tardará" (Hb 10:37), " O Filho do homem há de vir à hora em que não penseis" (Mt 24:44).

No espírito do povo de Deus, por todo o mundo, há uma convicção crescente e certíssima - convicção baseada nas verdades da Palavra divina - de que a história da Igreja na terra está prestes a findar; e que o Senhor Jesus está para vir para levar a Sua noiva para a casa do Pai.

Leitor, estás já compenetrado da realidade deste solene assunto, e do que ele significa? Se não estás ainda, que o Espírito Santo se sirva destas linhas para despertar a tua preciosa alma: "Para que o Senhor não venha de improviso e não te ache dormindo" (Mc 13:36).

Há quatro coisas em relação a esse assunto que desejamos apresentar em poucas palavras:

1 -
A promessa da Sua vinda;

2 -
A Pessoa que está para vir;

3 -
O propósito da Sua vinda;

4 -
A preparação para a Sua vinda.

1 - A Promessa da Sua vinda


Houve um tempo em que a Sua vinda como humilde sofredor era ainda uma profecia por cumprir. Muitas gerações tinham vindo e desaparecido; impérios se tinham levantado e caído; Israel e Judá tinham sido "espalhados", levados para o cativeiro; e um resto do povo tinha sido novamente restaurado à sua terra; mas o prometido Messias não tinha aparecido. A maior parte dos que tinham voltado do cativeiro de Babilônia achavam-se, sem dúvida, estabelecidos com todo o conforto, e quase esquecidos d'Aquele cuja vinda lhes tinha sido prometida, quando, eis que, uma manhã, houve em Jerusalém um grande movimento. Chegaram visitantes de fora com a extraordinária notícia de que tinha nascido o Rei há muito prometido. Desde o palácio de Herodesaté aos sacerdotes do templo, a notícia espalhou-se rapidamente.

Mas qual foi o resultado desta notícia? Foi porventura que os filhos de Sião gritaram unânimes louvores a Deus por ter, finalmente, cumprido a Sua palavra e mandado o Messias? Porventura a alegria brilhou em todos os rostos, foram consolados os corações? Infelizmente não. Pelo contrário. A tristeza invadiu a cidade. "O rei Herodes... pertubou-se, e toda a Jerusalém com ele" (Mt 2:3).

Mas por que razão? Foi porque, se pelas Escrituras eles conheciam um pouco o assunto, deviam saber que Isaías tinha predito que "Reinará um Rei em justiça" (Is 32.1).

Ora, apesar de em Jerusalém haver nesse tempo muitos que se glorificavam da sua própria justiça e religião, havia sem dúvida na consciência da maior parte um íntimo sentimento de que não estavam preparados para a presença daquele Justo, e portanto a notícia que devia encher de gratidão e júbilo todos os peitos em Jerusalém, apenas produziu o efeito contrário.

Mas quer estivessem preparados para O receber, quer não, Ele tinha vindo; tinha vindo para revelar o Pai, tinha vindo não só como o Messias de Israel, mas também como o "Salvador do Mundo". A solene conseqüência é bem sabida por todos. O "Amado de Deus" foi odiado e rejeitado, e o Seu caminho neste mundo findou no Calvário ­crucificado e morto pelas mãos dos injustos (At 2:23).

Deus tinha assim cumprido completamente a promessa feita aos pais de mandar Jesus; eles cumpriram os escritos proféticos condenando-O (At 13:27,32-33).

Antes da Sua morte, contudo, Aquele que tinha sido prometido tornou-se em um que prometia.

Tinha reunido à roda de Si os seus amados discípulos. O traidor Judas tinha acabado de se retirar daquele pequeno grupo. A negra sombra da cruz estava a poucos passos à frente, e Ele lhes falou, insinuando a esse respeito. Que momento solene foi aquele!

Pensemos naqueles rostos tristes e transtornados ao escutarem ansiosamente aquela comunicação de despedida! "Não se turbe o vosso coração", diz Ele, "credes em Deus, crede também em Mim" (Jo 14:1). Como se tivesse dito: Vós confiastes em Deus sem O ver, e agora que Eu me vou apartar de vós, ponde a mesma confiança em Mim. Deus vos fez uma promessa por meio dos profetas, e cumpriu fielmente esta promessa pela minha vinda. Eu, também, vou fazer-vos uma promessa, e vós deveis igualmente confiar que Eu hei de cumpri-la.

Mas qual era esta nova promessa?

Vamos ler João 14:2 e 3 e veremos: "Na casa de meu Pai há muitas moradas: vou preparar-vos lugar. E se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para Mim mesmo, para que onde Eu estiver estejais vós também."

Não se podia cair em maior erro do que pensar que esta segunda "vinda" se refere à morte do crente. Vejamos a diferença que há entre uma coisa e outra. Suponhamos que um pai muito afetuoso leva pela primeira vez o seu filho para uma escola distante, como interno. Ao apartar-se dele bem vê a luta que se está travando no coração da pobre criança, que tenta por todos os modos reprimir as lágrimas. Assim, para o animar, o pai diz: - Então, meu filho, não estejas triste. Eu agora tenho que te deixar aqui e voltar para casa, mas, quando começarem as férias, eu mesmo hei de vir para buscar-te e levar-te comigo para casa.

Ora, ninguém vai se enganar quanto ao sentido que o pai queria fazer perceber ao seu atribulado filho por estas palavras. E assim também a linguagem do bendito Jesus para os Seus tristes discípulos, na crítica ocasião já aludida, não foi menos clara e livre de enganos.

Não disse: "Eu vou para o céu, mas vós haveis de morrer e ir ali ter comigo", mas sim: "Se Eu for, e vos preparar um lugar, virei outra vez e vos levarei para Mim mesmo" .

Se os crentes morrem, as Escrituras falam deles como tendo "deixado o corpo e habitado com o Senhor" (2 Co 5:8). Enquanto que, quando a vinda do Senhor tiver lugar, em vez de estarem ausentes do corpo, ou, como exprime o versículo 4, estarem "despidos", os seus corpos serão conformados ao Seu corpo glorioso (Fp 3:21; 1 Co 15:52). "Num momento, num abrir e fechar de olhos", os "mortos em Cristo" ressuscitarão e os vivos serão "transformados". De modo que, em lugar da vinda do Senhor se referir à morte dos crentes, pelo contrário, desfará tudo que a morte tem feito nos corpos do povo de Deus durante perto de seis mil anos. Que dia de vitória tanto para Ele como para aqueles que O conhecem!

Mas consideremos agora a segunda parte do nosso assunto, isto é:


2 - A Pessoa que está para Vir

Muitos dos que conhecem alguma coisa da doutrina da vinda do Senhor, parecem preocupar-se mais com os "acontecimentos" que julgam terem sido ou estarem sendo cumpridos, do que com a própria bendita Pessoa que há de vir.

Uma viúva, por exemplo, está no cais duma cidade marítima, olhando fixamente para o lado do mar. Ouviu dizer que estão para chegar em breve navios de transporte que trazem as tropas de volta duma guerra no estrangeiro, e ela espera ardentemente que num deles venha o seu muito amado filho. Estão a fazer-se grandes preparativos para uma grandiosa recepção após o desembarque dos bravos soldados. Mas tudo isso tem poucos atrativos para ela. As bandas militares, as bandeiras tremulando e os arcos triunfais podem agradar a um simples observador; mas é pelo seu querido filho que ela espera. De dia e de noite desde que ele partiu, ela tem desejado e orado pelo seu regresso, e, na verdade, o que é que lhe daria alegria igual a vê-lo de volta são e salvo? Não é que ela não goste de vê-1o honrado nos festejos; na verdade, ela o considera digno de todas as honras que lhe possam dar; no entanto, isso ocorrerá depois de seu desembarque. Agora, a maior preocupação do seu coração é esta: "ele está para vir".

Ora, leitor amigo, podem estar a dar-se certos acontecimentos, hoje, que pareçam indicar que não pode estar longe o tempo em que o "Sol da justiça" há de levantar-se, trazendo nas Suas asas a cura para o restante do povo de Israel que teme o Seu nome, e o julgamento para os maus. Mas a esperança imediata do cristão é a volta do próprio Cristo, como sendo a "Resplandecente Estrela da Manhã", como Ele próprio diz em Apocalipse 22: 16. Usando do Seu próprio precioso nome pessoal, Ele diz: "Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas nas igrejas; Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã".

Ora, a estrela da manhã aparece no firmamento antes do sol. É entre o tempo em que Ele vem como "Estrela da manhã", e o tempo em que Ele apareceu novamente como "Sol de justiça" que o terrível julgamento de que se fala no Apocalipse há de se desencadear sobre a terra. Então entrará em cena aquela terrível consumação de maldade e insubordinação, aquele "homem do pecado", o anticristo.

(2 Ts 2); então também há de vir o "tempo de angústia para Jacó" (Jr 30:7), e "grande aflição" (Mt 24:21-22), mas haverá uma porção do remanescente fiel daqueles dias que será poupado no meio de tudo isto, tal como os três filhos hebraicos no forno ardente (Dn 3). A cristandade professa, aqueles que somente levam o nome de cristãos mas que não receberam "o amor da verdade para se salvarem", será deixada na terra após o arrebatamento, e o próprio Deus os abandonará a uma "operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam condenados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade" (2 Ts 2).

Haverá, então, inúmeros sinais - sinais do mais medonho caráter, muitas tristezas esmagadoras, espetáculos e sons que hão de fazer tremer os corações mais fortes - de modo que os homens "desejarão morrer e a morte fugirá deles" (Ap 9:6). Mas lembremo-nos de que tudo isso se deve esperar depois da "Estrela da Manhã" ter raiado, e não antes; isso é, depois que a Igreja, a noiva celestial de Cristo, tenha sido arrebatada da terra para ir ao Seu encontro nos ares. Oh, não esqueçamos nunca que é Ele próprio que está para vir brevemente para recolher os Seus remidos!

A preocupação com "acontecimentos", em lugar do coração estar ocupado com a Sua pessoa, rouba ao coração muito daquele bem estar e conforto que deve resultar desta esperança celestial. Infelizmente, o inimigo tem conseguido fazer com que no espírito de muitos esta linda promessa da vinda do Senhor se pareça com uma ameaça judicial; enquanto, como vemos em João 14, foi o melhor tônico escolhido pelo Grande Médico para reanimar os corações desfalecidos e receosos dos Seus amados discípulos. E quando o inspirado apóstolo, anos mais tarde, escreve a sua primeira carta aos enlutados e perseguidos jovens convertidos de Tessalônica, ele conclui as suas observações sobre a vinda do Senhor com esta pequena, mas significativa frase: "Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras".

Leiamos agora 1 Tessalonicenses 4: 16 e examinemos cuidadosamente estas palavras de conforto: "O mesmo Senhor descerá do céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor".

Notemos que aqui se trata de um verdadeiro Homem, vivo, o "mesmo Senhor", que ia descer do céu. Era o próprio Senhor que iriam encontrar nos ares. Quando se converteram, os tessalonicenses aprenderam que o "mesmo Jesus", que pela Sua morte e ressurreição os tinha livrado da "ira futura", estava para vir outra vez; e eles "dos ídolos se converteram a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e para esperar dos Céus a Seu Filho" (1 Ts 1:9-10). Paulo também diz, quando escreve dos Filipenses, que: "A nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo" (3:20); isto é, eles estavam à espera de uma Pessoa, e essa Pessoa era o conhecido e amado Filho de Deus, em Quem tinham aprendido a confiar.

Mas, onde esse bendito Salvador não é conhecido, onde não se confia na Sua obra consumada, nem a Sua autoridade é reconhecida e obedecida, não é para admirar que as novas da Sua próxima vinda encham as consciências de terror e receio, como na antiga Jerusalém.

Mas, querido leitor cristão, isso não se deve dar contigo. Devemos, sem dúvida, velar para que o nosso procedimento seja digno d'Aquele que está para vir; e se tomarmos a sério em nossos corações a promessa da Sua breve volta, decerto cuidaremos nisso. "Qualquer que n'Ele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro" (1 Jo 3:3).

Nunca devíamos esquecer, além disso, que todos havemos de ser manifestados perante o Seu tribunal, onde toda a nossa obra será passada em revista, e onde "cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho" (1 Co 3:8). Isso, contudo, como o "dia da grande revista" do exemplo que apontamos, será um acontecimento posterior.

E, além disso, assim como, numa revista militar, todos os soldados aparecem com o seu uniforme de gala, assim nós havemos de aparecer perante o Seu tribunal com vestidos gloriosos como os d'Ele - pois seremos ressuscitados em glória (1 Co 15:43). Mas primeiro Ele virá nos buscar, como um noivo afetuoso vem buscar a sua noiva para a levar para casa; e, repetimo-lo mais uma vez: o verdadeiro crente nada tem a temer com relação a esse tribunal, embora haja muito para humilhar e exercitar os espíritos até dos mais dedicados entre nós.

Há alguns anos, encontrei na cidade de Manchester um rapazito de uns seis anos de idade que ia caminhando vagarosamente pela rua. Quando me aproximei, notei que estava cantando uma canção, evidentemente, de sua composição. Bem pequena, composta de apenas três palavras: "Às dez horas! Às dez horas! Às dez horas!" O pequeno parecia tão absorvido com isto, e o repetia tantas vezes, que tive a curiosidade de perguntar o que queria dizer. Depois de lhe dirigir algumas palavras carinhosas, a criança começou a falar comigo.

Parece que a mãe tinha estado ausente de casa durante algum tempo, mas que o pai tinha recebido uma carta em que dizia que haveria de voltar para casa nesse dia "às dez horas". A pequena canção matutina não carecia de mais explicações. A notícia do regresso da mãe tinha-o enchido até transbordar. Sem dúvida ele tinha sentido muito a falta dela, a sua ausência, e desejava ardentemente que ela voltasse.

            Mas agora ela estava para vir - "às dez horas". Admira-nos que esta notícia o enchesse de alegria?

            Ora, porque então não se passa o mesmo conosco, cristãos, quando as novas da vinda de nosso Senhor chegam aos nossos ouvidos? Não temos nós provado a doçura do Seu amor? Não sofreu Ele e morreu por nós? Não nos tem Ele sempre guardado desde que O conhecemos, aliviando-nos de muitos pesos, socorrendo-nos e compadecendo-Se de nós em muitas tristezas, restaurando-nos depois de muitas quedas? As palavras não podem exprimir quão queridos nós Lhe somos. Ah, caro irmão ou irmã, é quando pensamos n'Ele que os nossos corações ardem com desejos de O ver!

Não faz muito tempo que uma senhora cristã me disse: às vezes, quando penso na vinda do Senhor, o meu coração pula de alegria dentro de mim."

Outra mocinha, que já conheço há anos - ela tinha onze anos na ocasião - disse o seguinte, após ter saído na noite escura para passar um recado: "Mamãe, quando eu vinha subindo, as nuvens estavam se movendo tão depressa no céu... então eu fiquei quieta e olhei para cima, porque pensei que o Senhor Jesus estava voltando... e então eu seria a primeira a vê-Lo' Ora, qual era o segredo desta paz e alegria no peito daquela criança, que estava completamente só naquele caminho de campo, ao crepúsculo, e desejando ardentemente ver o bendito rosto do Senhor? Era justamente por isto: Ela conhecia e confiava na Pessoa que estava para vir: "Ao qual, não havendo visto, amais" (1 Pe 1:8). Ela sabia que, por Ele ter morrido por ela, todos os seus pecados estavam não só gratuitamente perdoados, mas eternamente esquecidos.

Mas talvez alguém possa dizer: "Eu não estaria tão sossegado se pensasse que Ele pode vir imediatamente, embora o meu coração confie no Seu precioso sangue".

Ah, então é porque se esquece quem é que está para vir! É o "mesmo Jesus", o qual uma vez "cansado do caminho", pediu de beber à mulher samaritana (Jo 4); o mesmo que parou o cortejo fúnebre à saída da cidade de Naim e restituiu o único filho à pobre viúva (Lc 7); que permitiu à pecadora em casa de Simão que manifestasse o seu amor por meio de lágrimas e beijos aos Seus benditos pés (Lc 7); ainda mais: é o mesmo Jesus que dirigiu as maravilhosas palavras de misericórdia e graça ao ladrão moribundo no Calvário (Lc 23). É Ele, é Ele próprio que está para vir!

Leitor, você quer uma prova disso? Leia no livro de Atos, capítulo 1, o que aqueles dois anjos disseram aos discípulos no monte das Oliveiras. O seu Senhor tinha acabado de deixá-los, foi para o céu, mas não sem primeiro ter um cuidado especial de lhes demonstrar que não era um Espírito, mas um Homem vivo com carne e ossos, e que, se duvidassem, podiam eles próprios verificar, apalpando-O (Lc 24:39). "Varões galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir" (At 1: 11).

Perto de dois mil anos na glória não O mudaram, em nada! É a mesma Pessoa que Marta foi esperar depois da morte de seu irmão, e é por Ele que nós esperamos. Se, porventura, "adormecermos", isto é, morrermos antes que Ele volte, então Jesus, "a ressurreição e a vida", Aquele que disse: "Lázaro, o nosso amigo dorme, mas vou despertá-lo do sono", sim, quando Ele voltar, há de nos despertar também para que, assim como Lázaro, nós possamos sentar-nos com todos os Seus santos nos moradas celestes (Jo 11,12 e 14). Por que, então, temeríamos, se um Amigo tão bendito está para vir do céu para nos encontrar?

"Certamente cedo venho" é a promessa animadora; nossos corações não deveriam corresponder a um tal amigo, e dizer "Amém; ora vem, Senhor Jesus"? (Ap 22:20).

3 - O Propósito da Sua Vinda

Notemos agora este ponto, com a máxima atenção. É importante ver que, depois da nação judaica ter rejeitado o seu Messias, Deus revelou ao apóstolo o que as Escrituras chamam "o mistério". Este mistério, segundo lemos, esteve oculto desde os tempos eternos (Rm 16:25), esteve oculto em Deus (Ef 3:9). Isto é, havia, acima e além de tudo que é revelado no Velho Testamento, um propósito secreto no coração de Deus de ter uma noiva para o Filho amado, e esta noiva seria formada pela união dos judeus e gentios salvos em um corpo (a Igreja), e unidos pelo Espírito Santo à cabeça no céu (Veja-se Cl 1:18; Ef 1:22-23; 3:6 e 5:30,32). O Espírito Santo começou esta obra no dia de Pentecostes, batizando para este corpo uno os próprios discípulos aos quais tinha sido feita aquela promessa a que já nos referimos.

Mas para a boa compreensão do assunto é igualmente importante ver que a rejeição de Cristo pelos judeus deixou ainda por cumprir muitas das mais importantes promessas do Velho Testamento quanto à bênção terrestre da nação de Israel. Por exemplo, leiamos o que diz do reinado do verdadeiro Filho de Jessé em Isaías 11, quando ele tiver ajuntado os desterrados de Israel e congregados os dispersos de Judá desde os quatro confins da terra (v. 12). "Morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos juntos se deitarão e o leão comerá palha como o boi. E brincará a criança de peito sobre a toca de áspide, e o já desmamado meterá a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em nenhuma parte em todo o monte da Minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar". (v. 6-9).

Leiamos também Isaías 65:25, 31:5; Amós 9: 12-15; Miquéias 4:3; Habacuque 2: 14, onde se diz que "o deserto se alegrará, e florescerá como a rosa" etc., e que se "converterão as suas espadas em enxadas. e as suas lanças em foices... nem aprenderão mais a guerra".

E também quanto à restauração da nação à sua própria terra, leiam-se os textos, tais como Isaías 35: 10; Jeremias 23:5 e Ezequiel 34:24; 31: 10.

Por uma cuidadosa leitura desses textos e de outros, veremos que estas bênçãos prometidas não são o resultado da conversão do mundo, por meio da pregação do Evangelho; mas, pelo contrário, que elas serão precedidas e introduzidas pelos mais terríveis julgamentos sobre os maus.

Queremos agora acentuar aqui que há dois grandes assuntos que formam o tema de testemunho profético no Velho Testamento, e estes são os sofrimentos de Cristo e o reinado de Cristo; ou, conforme diz Pedra: "Os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir"( 1 Pe 1:11).

Ora, os judeus dos tempos antigos esbarraram num dos lados deste testemunho, enquanto que aceitaram plenamente o outro. Não tinham dificuldade alguma em crer no que os profetas tinham dito a respeito de um Messias que havia de reinar, mas tinham problemas em considerar que ele haveria de sofrer. Por outro lado, enquanto que todo o verdadeiro cristão aceita inteiramente o testemunho profético de que o Messias havia de sofrer, quantos não rejeitam ou procuram dar um sentido puramente espiritual à verdade do Seu próximo reinado!

Mas, lembremo-nos de que nem um jota, nem um só til destas Escrituras, deixará de ser cumprido.

Quando o Senhor voltou ao céu, ele legou duas categorias de promessas a serem cumpridas - as que dizem respeito à Igreja, e as que se referem a Israel, cada uma delas particularmente distinta da outra. Quando estas se cumprirem, Ele irá Se apresentar como fez outrora Isaque, na ocasião em que, segundo Gênesis 24, saiu ao encontro de Rebeca, não como um reto juiz, ou um rei guerreiro, mas com a tema dedicação de um noivo afetuoso. Enquanto que, ao cumprir estas, há de Se apresentar como Davi, o poderoso conquistador; virá para assumir uma posição de grande poder e reinar. Por outras palavras, Ele é o Noivo da Igreja; Ele é o Rei de Israel.

Há, portanto, duas fases distintas da segunda vinda do Senhor, mencionadas na palavra de Deus - duas etapas, por assim dizer, na mesma jornada. Primeiro Ele descerá aos ares para arrebatar os Seus santos para o céu; depois, em seguida a um curto período, há de voltar para reinar, e então os Seus santos celestes desfrutarão com Ele as glórias do Seu reinado.

Exemplifiquemos esta parte do nosso assunto. Suponhamos que, ao caminharmos pela estrada numa manhã, notamos uma pequena poça de água. Afastando-nos dela, seguimos o nosso caminho e nem mais pensamos nisso. Alguns dias depois acontece passarmos lá outra vez; mas os vestígios de água que ali vimos na primeira vez desapareceram. O que aconteceu com todas aquelas gotas de água? Foi o sol brilhante que, pelo seu poder, as evaporou e atraiu para si. Ninguém as viu partir, mas elas certamente partiram.

Algumas semanas mais tarde pode-se ver as mesmas gotas de água. Mas quão mudadas desde a última vez que as vimos e nos afastamos delas, na poça lamacenta! Agora são lindas, brancos flocos de neve, e são a admiração de todos!

Assim também acontecerá em breve, caro leitor. O próprio Senhor descerá do céu, e no "abrir e fechar de um olho" ressuscitará do pó os corpos de todos os Seus santos adormecidos, e transformará os corpos dos vivos, arrebatando-os todos juntos para irem ao Seu encontro nos ares.

As Escrituras não nos dão nenhum motivo para supor que os incrédulos verão este acontecimento. Provavelmente a solene descoberta da falta de cada um deles em seu lugar costumeiro será o primeiro anúncio público do que se passou. Enoque "não foi achado, porque Deus o trasladara" (Hb 11 :5). Ora, tendo sido, com mais ou menos segredo, arrebatado para a glória, a igreja aparecerá em seguida na mais completa publicidade com Ele, quando, como está escrito, "todo o olho O verá" (Ap 1:7).

Mas o próprio bendito Senhor apresenta em um capítulo, em Mateus 25, a mais clara descrição destas duas fases da Sua vinda. A primeira etapa da vinda é apresentada na parábola das "dez virgens", a outra na parábola dos "bodes e ovelhas". Na primeira vêem-se as virgens prudentes entrando com o esposo para as bodas; na outra vê-se o rei saindo para julgar. Notemos bem este notável contraste.

Na primeira parábola os salvos são levados para o céu, e os incrédulos são deixados na terra para o julgamento que há de vir. Na outra, são os maus que são levados para julgamento, enquanto que os justos são deixados na terra para partilharem as bênçãos do reino do Messias.

Num dos casos os santos entram, e as portas se fecham; no outro, o céu se abre, e os santos saem, juntamente com o Filho do Homem.

Ora, no Apocalipse, capítulos 4, 5 e 19, lemos o que realmente tem lugar no céu depois de a Igreja ter sido arrebatada e ter entrado ali. No capítulo 4, versículo 4, os santos como anciãos estão sentados sobre os tronos, vestidos de branco, com coroas de ouro sobre as suas cabeças; e nos versículos 10 e 11 são vistos adorando, prostrados diante d'Aquele que estava sentado sobre o trono, lançando as suas coroas aos Seus pés e dizendo: "Digno és, Senhor" (Veja também o capo 5:9). Então, no capítulo 19: 7, após. um poderoso coro de "Aleluias", lemos "Regozijemo-nos e alegremo-nos e demos-Lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou". Em seguida vem "a ceia das bodas" (versículo 9). Vimos, pois, que Mateus 25 nos apresenta o grito aflitivo das "loucas" do lado de fora, e no Apocalipse vemos a alegria festiva dos salvos do lado de dentro. Querido leitor, com qual destas companhias acharás o teu lugar?

Seguido adiante, em Apocalipse 19: 11-16 vemos o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, acompanhado pelos Seus exércitos saindo dos céus para julgar e pelejar.

Mas vejamos novamente o que se lê em Mateus 25. Há uma idéia comum - mas totalmente errônea - a respeito da última parte deste capítulo. Considera-se que esta parte é uma figura do julgamento geral, como é chamado. E desta aceitação resultam perguntas como "Não estaremos todos perante Ele para sermos julgados, não receberemos o nosso lugar entre as ovelhas à Sua mão direita, ou entre os bodes à Sua esquerda? A isso pronto podemos responder: Não. O que temos aqui é o julgamento daquelas nações presentes na terra na ocasião em que o verdadeiro Rei vier para reinar.

Ora, de Israel está escrito que "Entre as gentes não será contado" (Nm 23:9), quanto menos o devem ser os santos que compõem a Igreja (Veja-se Cl3:11; At 15:14)!

Alguém poderia perguntar: - Se nem Israel nem a Igreja fazem parte das nações aqui julgadas, qual é a parte que lhes toca nesta cena solene?

Eis aqui a resposta:

1 - A parte dos santos desta dispensação da graça:

            "Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, então também vós vos manifestareis, com Ele em glória" (Cl3:4).
            "Eis que é vindo o Senhor, com milhares de Seus santos, para fazer juízo" (Jd 14,15).
            "Virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo e o Senhor será o rei sobre toda a terra" (Zc 14:5,9; veja-se também Ap 3:21).

Haveria alguma indicação mais clara quanto ao lugar onde os co-herdeiros hão de estar quando Aquele, que tem sido constituído o Herdeiro de todas as coisas, tomar a herança?

2 - A parte de Israel:

Lembremo-nos em primeiro lugar de que esta nação é da "semente de Abraão", segundo a carne. Notemos também que, conforme Mateus 1:1, Jesus Cristo é o filho de Davi, o filho de Abraão. Assim, pois, enquanto que como Filho de Davi Ele é o Rei deles, como Filho de Abraão Ele pode falar deles como Seus irmãos; e, em cumprimento da profecia do filho de Abraão (lsaque), Ele abençoa todos os que favoreceram os filhos de Jacó e amaldiçoa todos os que o não fizeram. "Malditos sejam os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem" (Compare-se Gênesis 27:29 com Mateus 25:34,41).

Vemos, pois, que além dos santos celestiais que, segundo outras Escrituras, hão de aparecer com Ele em glória, o Senhor menciona aqui, ao fim de Mateus 25, três companhias distintas, a saber: ovelhas, bodes e irmãos. Já temos visto que os irmãos de que se fala aqui são os da Sua própria nação, segundo a carne. Agora surge a pergunta: Quem são então as ovelhas e os bodes?

Ora, bem, outros textos nos mostram que depois da Igreja ter sido arrebatada para a glória, há de haver um especial testemunho, apresentado por missionários judaicos, "em testemunho a todas as gentes", ao qual o próprio Senhor chama, em Mateus 24: 14, de o "evangelho do reino" e cuja nota dominante será, sem dúvida, a vinda iminente do verdadeiro Rei. Algumas destas nações receberão o testemunho e portanto farão tudo que puderem para beneficiar aqueles que o apresentem, enquanto que outros, pelo contrário, não só rejeitarão a mensagem, mas também negarão toda a simpatia e socorro aos mensageiros desprezados e mal tratados.

            Notemos aqui com cuidado que é somente neste terreno, isto é, quanto ao modo pelo que elas têm tratado os Seus irmãos, que as nações serão separadas pelo Rei quando Ele aparecer em glória, e por fim abençoadas por Ele. As "ovelhas" representam uma classe; os "bodes", a outra.

A primeira será recompensada sendo-lhe permitido participar das bênçãos do reinado milenar do Messias sobre a terra, enquanto que a outra será destruída pelo julgamento. Não há nada nesta parábola sobre a ressurreição dos mortos ou o fim do mundo, nem mesmo no Apocalipse 19, que fala da mesma cena. A ressurreição dos salvos já terá ocorrido antes, como vimos em 1 Tessalonicenses 14: 16 e 1 Coríntios 15:51; enquanto que a ressurreição dos ímpios que jazem na morte só terá lugar depois dos mil anos do reinado do Messias.

No Apocalipse 20:4-6, depois de falar de várias classes de salvos que hão de 'viver e reinar com Cristo durante mil anos', lemos: "Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição: sobre este não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele mil anos" .

Não é porventura, claro, que haverá duas ressurreições? A primeira inclui todos os que reinarão com Ele durante mil anos, e que, portanto, deve necessariamente ter lugar antes dos mil anos. Os demais mortos não serão ressuscitados até que os mil anos se acabem, quando o céu e a terra fugirão, e os mortos, pequenos e grandes, terão que se apresentar para julgamento perante o grande trono branco, sendo em seguida lançados para sempre no lago de fogo. Após narrar esses fatos, João, o escritor do Apocalipse, acrescenta: "Vi um novo céu e uma nova terra... e já não havia mar". Bendito seja Deus por nos revelar tão maravilhosas realidades e por nos dar também o meio para compreendê-las pelo Seu Espírito. "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus!" (Rm 11:33).

Consideremos agora rapidamente a última parte do assunto de que estamos tratando, isto é:

4 - A Preparação para a sua vinda


Há dois aspectos segundo os quais podemos dizer que estamos preparados. Estes estão representados nas seguintes Escrituras:

1) "As que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta" (Mt 25: 10).

2) A mim já agora me ofereço... "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda" (2 Tm 4:6-8).

No primeiro texto todos os que são de Cristo (1 Co 15:23) estão preparados. Creram n'Ele, foram pUrificados dos seus pecados por Ele, n'Ele foram feitos aceitáveis (Ef 1:6). Seu Santo Espírito habita neles (Rm 8:9), e tudo isto sem haver da parte deles algum merecimento. "Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz" (Cl1:12).

Mas, no segundo, Paulo estava pronto, não só porque estava salvo - ele sabia isso há anos - mas também porque o seu serviço e testemunho tinham sido tais, que ele tinha a certeza de que naquele dia de glória o seu Senhor lhe diria "bem está, servo bom e fiel".

Simplifiquemos isso por outro exemplo. Suponhamos que alguém envie algum filho a uma cidade distante para negócio. Dá-lhe todas as instruções necessárias sobre o lugar onde há de ir e o que tem a fazer, aconselhando-o, enfim, a empregar toda a diligência para se sair bem do seu encargo, especialmente porque tem pouco tempo para ali se demorar. 
     Quando o filho chega à cidade, parece a princípio muito enérgico e desejoso de bem desempenhar o seu trabalho; mas depois de fazer uma pequena parte daquilo de que foi encarregado, encontra alguns antigos companheiros, esquece-se dos bons conselhos do seu pai para ser diligente, anda por um lado e por outro com os companheiros, até que, por fim, fica espantado quando ouve o relógio de uma torre que lhe indica que infelizmente não tem mais um minuto a perder se quiser apanhar o último trem. Corre para a estação e apenas tem tempo de tomar o seu assento. A porta se fecha, ouve-se o sinal de partida, e logo a seguir ele está a caminho de sua casa.

Ora, ele estava pronto para esta jornada?

Podem ser dadas duas respostas: Estava e não estava.

            Sob o aspecto da empresa que opera a linha do trem, ele estava, visto que portava o bilhete de passagem (graças, não a ele, mas ao pai que lho tinha comprado). Nenhum fiscal da linha ousaria contestar o seu direito de viajar no trem.

Mas, que diremos a respeito do negócio de que ele ia tratar e dos desejos de seu pai? Ah! Será que ele perdeu o direito ao sorriso de aprovação do seu pai por isso? Sim. O pai não lhe pôde dizer "bem está, servo fiel" pelo serviço que lhe foi confiado; mas, ainda assim, nessa mesma noite ocupará lugar na família, como um filho, à própria mesa do seu pai.

Ora, todo o crente tem, no Salvador que outrora foi crucificado e que agora está glorificado, à destra de Deus, o que corresponde ao "bilhete", isso é, uma prova inegável de que foi pago o preço por inteiro.

Mas ainda que "é justificado todo aquele que crê" (At 13:39), e que "aos que justificou a estes também glorificou" (Rm 8:30), apesar disso, nem todos os crentes receberão naquele dia a mesma recompensa. "Cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho" (1 Co 3:8).

O Senhor há de considerar tanto a quantidade como a qualidade do nosso trabalho - o que cada um ganhou negociando (Lc 19: 15) - qual seja a obra de cada um (1 Co 3: 13).

Deus permita, caro leitor cristão, que a nossa sorte não seja apenas termos o direito de ir "com Ele para as bodas"sentarmo-nos ali com Ele na Sua casa - mas que possamos ser encontrados vigiando, esperando e trabalhando para Ele aqui, consultando os Seus desejos e cuidando dos seus interesses, no poder dominante do Seu inalterável amor, até que Ele venha. Tenhamos sempre na nossa mente que, se desejarmos tomar a nossa cruz e segui-Lo com terna dedicação, devemos fazê-lo já!

É um dia difícil - os tempos são perigosos, os homens maus e sedutores se tornam cada vez piores, enganando e sendo enganados (2 Tm 3: 13). (Que solene contradição ao engano vulgar de que todo o mundo terá que se converter antes que Ele venha!) É um dia de muita profissão mas de pouca prática, um dia caracterizado por um espírito desregrado, dia em que o desleixo de princípios e falta de lealdade a Cristo abundam na Igreja.

     Mas, apesar de tudo isso, havemos de ter "Deus e a Palavra da Sua graça" até ao fim - a Sua palavra para dirigir os passos ao caminho direito, e a Sua graça para nos sustentar neste caminho depois que o tenhamos encontrado. Não nos deixemos enganar por "aparências" neste dia de vanglória, nem desanimemos se não encontramos no caminho da obediência aquilo que, aos olhos do mundo, parece bom êxito. "Obedecer é melhor do que sacrificar". Que a exortação do nosso bendito Mestre entre bem nos nossos corações: "Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias; e sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe. Bem­aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa, e, chegando-se, os servirá" (Lc 12:35-37).

Caro leitor, se ainda não estás salvo, deixa-nos dirigir-te agora uma palavra. Queremos fazer-te considerar que a Sua vinda será repentina, e da certeza de seres deixado cá quando Ele vier arrebatar os Seus, se porventura te encontrar sem "azeite na tua lâmpada". Considere, por um momento, o futuro. Pense na ligeireza com que as asas do tempo te estão levando para a eternidade! E que será esta eternidade para ti?

Ficarás na terra para descobrir que os salvos (talvez muitos amigos e parentes) têm sido arrebatados para o céu sem ti? Para te dar conta de que não fizeste caso do último aviso que o Espírito te deu; queouviste em descrença a última pregação do Evangelho e recusaste a última chamada de misericórdia? Isso, certamente, seria por demais solene e triste. Mas não menos triste há de ser para o teu corpo ficar debaixo da terra, na tua fria e negra sepultura, enquanto os mil anos de bênção milenar forem transcorrendo, e depois dos quais toda a terra será cheia da Sua glória (Sl 72: 19) e o Príncipe da Paz há de ter"o Seu domínio... de um mar até outro mar e desde o rio às extremidades da terra (Zc 9:10). Oh, sim, perder tudo isso seria para ti uma perda atroz! Mas lembrate-te de que depois disso tens que enfrentar a eternidade! Serás ressuscitado dos mortos pela voz do Filho de Deus (Jo 5:28-29). O solene julgamento perante o grande trono branco seguirá então. De toda a palavra vã, da história de cada dia, terás de dar conta; e, como Deus é verdadeiro, a tua sentença será certamente uma eternidade no lago de fogo! Não penses nisso com leviandade. A porta ainda está aberta. Jesus ainda te convida. O Seu povo aqui está. Mas solenemente te avisamos do perigo que corres, e sinceramente te rogamos que fujas para o refúgio enquanto ainda há lugar. O Senhor Jesus pode vir até mesmo antes de acabares de ler este artigo! Sê, pois, sincero. Prostra-te aos Seus pés e confessa perante Ele a tua pecaminosa condição. Ele te receberá, abençoará e salvará agora mesmo. Bendito Salvador!

"Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores" (1 Tm 1:15).

Mas uma vez que o Mestre se tiver levantado e "fechado a porta", a tua sentença será lavrada para sempre. Graças a Deus "ainda há lugar".

George Cutting


Publicado por Depósito de Literatura Cristã
http://www.literaturacrista.com.br

   G.CUTTING 
  GEORGE DE CUTTING - 1843-1934

Mr. George corte é bem conhecida, mesmo nos círculos evangélicos, como o autor de 'Segurança Certeza e Desfrute ", mas, infelizmente, a informação pessoal disponível é escassa.
  • Ele nasceu em 1843 e levado por seu Senhor, em 1934, enquanto vivia em Aldeburgh, Suffolk.
  • Além de muitas cartilhas e folhetos do evangelho, que ele co-autoria hino-234 em 1973 hinário .
Watchman Nee gravou este depoimento a ele:
  • "Uma vez eu visitei o Sr. George Cutting, o autor do livro famoso certeza, segurança e Prazer" ... Quando eu o conheci, ele disse: "Irmão Nee, eu não posso viver sem Ele, e Ele não pode viver sem mim". Ele tinha uma profunda comunhão com o Senhor.
  • "Graças a Deus, havia mais de oitenta membros de sua casa. Todos eles foram salvos. Cada um de seus filhos, noras, netos, netas, sobrinhas, sobrinhos, bisnetos, jovem ou velho, homem ou feminino, foram salvos.
  • "George Cutting creu na Palavra:" Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu ea tua casa "a sua casa inteira foi salva ..."

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dores de Parto no Oriente Médio - Lance Lambert



“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a
terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados. Então, se verá o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.25-28). 




    Estamos vivendo num mundo muito atribulado: tivemos um terremoto arrasador no Japão (o maior já registrado em sua história), seguido de um tsunami e da liberação de material radioativo dos reatores; depois, os piores tornados nos Estados Unidos em 80 anos, quase todo o Oriente Médio envolvido em levantes e revoltas populares, com milhares de mortos, e o assassinato de Osama Bin Laden com a promessa de ondas de violência e vingança como conseqüência.

   Jesus usou uma expressão muito interessante ao anunciar as angústias dos últimos tempos: “… estas coisas são o princípio das dores” (Mc 13.8). A expressão princípio das dores no grego poderia ser traduzida dores de parto. Em outras palavras, não é um processo negativo. São dores relacionadas com a vinda do Reino e a volta de Jesus. “Quando essas coisas começam a acontecer”, Ele disse, “erguei a cabeça, porque a vossa redenção se aproxima.” Precisamos compreender um fato muito simples, mas tremendamente encorajador: o Senhor está completamente no controle! Veja este texto: “Reina o Senhor. Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o Senhor e se cingiu. Firmou o mundo, que não vacila. Levantam os rios, ó Senhor, levantam os rios o seu bramido; levantam os rios o seu fragor. Mas o Senhor nas alturas é mais poderoso do que o bramido das grandes águas, do que os poderosos vagalhões do mar” (Sl 93.1,3,4). No meio de toda a tempestade, de tufões e tsunamis, das imensas e furiosas ondas do mar, o Senhor está entronizado em poder.
   Também no Salmo 46: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam. Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã. Bramam nações, reinos se abalam; ele faz ouvir a sua voz, e a terra se dissolve. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Vinde, contemplai as obras do Senhor, que assolações efetuou na terra. Ele põe termo à guerra até aos confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (vv.1-11). Quem está dirigindo e efetuando todas essas coisas? O Senhor. E onde podemos estar seguros? No seu refúgio.
   Por que tudo isso está acontecendo? Porque tudo precisa ser abalado antes da vinda do Reino inabalável.  “aquele, cuja voz abalou, então, a terra; agora, porém, ele promete, dizendo: Ainda uma vez por todas, farei abalar não só a terra, mas também o céu. Ora, esta palavra: Ainda uma vez por todas significa a remoção dessas coisas abaladas, como tinham sido feitas, para que as coisas que não são abaladas permaneçam. Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hb 12.26-29).  Por que esse reino é inabalável? Porque o Rei é inabalável. E todos os que confiam no Rei, que foram salvos com salvação eterna, são tão inabaláveis quanto o próprio Rei.
   No meio de toda essa turbulência, o Senhor levou nosso querido irmão, David Wilkerson, num trágico acidente de carro, no Texas, EUA. Ele foi tomado instantaneamente para a presença do Senhor. A última voz de advertência nos Estados Unidos foi encerrada. Se ainda não podemos afirmar que tudo o que ele previu de fato acontecerá, por outro lado, sabemos que era um servo fiel que enfrentou muita crítica e oposição para advertir os Estados Unidos do juízo que viria sobre o país e sobre toda a Terra.  Quero fazer uma breve análise de alguns dos últimos acontecimentos no mundo à luz da Palavra de Deus.



1. A morte de Osama bin Laden

   Depois do assassinato de Bin Laden por uma equipe de comandos americanos na mansão em que vivia no Paquistão, os líderes dos países do Oriente Médio e do próprio Paquistão estão bastante temerosos quanto a possíveis retaliações. Vejo como fato muito significativo que os líderes muçulmanos moderados acreditam, quase sem exceção, que virão conseqüências muito sérias.
   Embora o assassinato possa ser considerado uma justa retribuição por tantas mortes causadas nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Espanha e em outros países, devemos entender que é mais ou menos como matar um grande marimbondo e, em seguida, ser perseguido pelo enxame inteiro.
    Esse homem se via como quem começou (em 11 de setembro de 2001) a grande guerra final predita no Alcorão – que inclui a destruição de Israel, o aniquilamento do povo judeu e a conquista dos Estados Unidos e das nações ocidentais. Uma parte importante da estratégia para cumprir essa missão é o crescimento da população muçulmana nas nações ocidentais e no restante do mundo – por meio de imigrações maciças, conversões, investimentos e pela simples multiplicação biológica.
   O assassinato de Bin Laden terá, sem dúvida, conseqüências muito fortes. Ele morreu, aos olhos dos muçulmanos militantes, como mártir, o que poderá resultar no recrutamento de milhões de jovens, tanto homens quanto mulheres, inflamados com uma nova paixão por Islã.
   O nazismo, que causou tanto sofrimento para o mundo, especialmente na Europa, era uma força espiritual, não política. Há muitos anos, quando eu dava palestras na Áustria, conheci Herr Kunuple, que havia sido professor de Escola Dominical de Adolf Eichmann, tenente-coronel de Hitler e o grande responsável pela logística de extermínio no Holocausto. Kunuple contou-me que Eichmann era um garoto bonzinho, aparentemente muito bem comportado, até que, durante a adolescência, ele se transformou por completo.  Era como se tivesse se tornado outra pessoa, com outro temperamento e comportamento. Kunuple não conseguiu entender o que havia acontecido até que descobriu que a mudança ocorrera a partir do dia em que ingressou na Juventude de Hitler. Não tenho dúvida alguma de que Adolf Eichmann foi tomado por um demônio desde o momento em que se tornou membro da organização. Uma força espiritual o dominou, produzindo ódio pelo povo judeu.
   A mesma coisa acontece com o Islamismo militante. Forças demoníacas estão em operação, trazendo a disposição ao suicídio, ao ódio, à paixão, ao desprendimento de si mesmo. É isso o que está realmente por trás desses movimentos, e é assim que precisamos encará-los.

2. A turbulência nos países do Oriente Médio

   É muito evidente, para todos os que acompanham as notícias e que conhecem a história da região, que nunca houve nada semelhante ao que estamos presenciando hoje. Nunca houve uma revolução popular na sociedade árabe. Tudo começou no Líbano, quando os membros do Hizbollah que faziam parte da coalizão do premiê moderado Saad Hariri resolveram renunciar em massa, causando a queda do governo. Com a nomeação de um novo premiê favorável ao Hizbollah, surgiram protestos e manifestações em várias cidades.  Em seguida, o contágio da revolta popular afetou a Tunísia, o mais moderado dos países árabes, com uma classe média significativa. Ignorando o perigo, apesar das mortes e da repressão, as pessoas saíram às ruas em números cada vez maiores, até que o ditador Ben Ali, no poder por 23 anos, fugiu do país.  Dali, a contaminação passou para a Algéria e o Marrocos, que não ganharam muito destaque nas notícias, e, depois, para o Egito, que passou a ser foco da atenção de todo o mundo. Mubarak, no poder durante 40 anos, apesar de ter sido ditador e de ter oprimido o povo em benefício próprio, havia sido um elemento de estabilidade e paz na região, tendo, inclusive, mantido o Tratado de Paz com Israel. Os levantes populares passaram depois para a Líbia, onde os combates entre as forças de Gaddafi e os rebeldes ainda continuam. Outros países afetados foram o Iêmen (país que tem ajudado a combater as forças da Al Qaeda), Omã (onde havia certa liberdade para o trabalho cristão), Bahrein, Jordânia e Síria (onde a repressão tem resultado em muitas mortes).
   É realmente incrível ver tudo isso diante dos próprios olhos. O que significa? O resultado final, com certeza, será um novo Oriente Médio. Se produzisse verdadeiras democracias, com eleições transparentes para membros do Parlamento, um poder judiciário independente e liberdade genuína seriam causa de grande celebração. Entretanto, vejo que o verdadeiro vencedor de toda essa turbulência será o Islamismo militante e fundamentalista. A Irmandade Muçulmana é que deve obter os maiores avanços e as maiores vitórias. Já é a maior organização no Egito. Em quase todos os Estados árabes, ela foi banida: na Tunísia, na Líbia, na Algéria, no Marrocos, no Iêmen, na Jordânia, na Síria, no Iraque. Por que isso? Porque, apesar de possuir um discurso muito agradável e democrático em favor da liberdade, os governantes desses países sabem muito bem qual é o objetivo da Irmandade. Eles querem usar a democracia para destruir a democracia.  Ouvi o líder da Irmandade dizer em discurso que quer uma “democracia islâmica”. Em outras palavras, cristãos e judeus serão cidadãos de segunda classe. Ou seja, não haverá verdadeira democracia.  Hitler fez exatamente a mesma coisa. Assim que foi eleito democraticamente, em 1933, ele passou a destruir, parte por parte, toda a estrutura da democracia na Alemanha.



3. A situação de Israel

   Como fica Israel diante de tudo isso? Os países envolvidos estão cada vez mais dedicados à causa islâmica radical. De acordo com o propósito de Alá, expresso no Alcorão, Israel deve ser destruído. O Egito já está cogitando o rompimento do tratado de paz que tem com Israel. Reabriu as passagens para a faixa de Gaza, para entrada de armamentos, e fez uma aliança com o Hamas, que nada mais é do que a versão palestina da Irmandade Muçulmana.
  
    Israel precisará de uma nova estratégia civil e militar para lidar com o novo cenário. Muitas vezes, nas últimas décadas, a nação de Israel foi protegida por causa de estratégias providenciais tomadas por seus líderes. Sabemos que isso só pode ter sido providência do Senhor, e devemos orar para que ele conceda novamente sabedoria e discernimento aos políticos e líderes militares em Israel. Uma das estratégias já implementadas chama-se Domo de Ferro, um sistema de defesa contra ataques por mísseis, que já anulou muitos mísseis lançados pelo Hamas. Devemos orar para que Israel tenha esse tipo de estratégia no futuro próximo.
   Devemos orar também para que o governo de Israel não ceda diante das pressões. Há muita pressão, de dentro e de fora do país, para que o premiê, Benjamin Netanyahu, faça concessões ao presidente palestino, Mahmoud Abbas. Você pode ficar chocado com esta afirmação, mas Abbas não é um moderado como muitos pensam. Ele planejou o massacre de atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, em 1972. Foi o arquiteto da política de destruir Israel, parte por parte, adotada oficialmente pela OLP (Organização para a Libertação da Palestina) por volta de 1974.
   Anos atrás, eu agradecia a Deus por Yasser Arafat, porque cada vez que ele aparecia na televisão, em qualquer lugar no mundo, milhares de pessoas passavam a apoiar Israel. Agora, com Mahmoud Abbas, com toda sua postura de bondoso cavalheiro, lutando em favor da paz, as pessoas são enganadas e conquistadas por ele. Atualmente, há uma forte onda mundial de apoio aos palestinos.  Em setembro, ele planeja uma declaração unilateral na ONU de um estado palestino independente com as fronteiras de 1967. Mais de 130 países já reconheceram a Palestina como Estado soberano, o que representa mais da metade dos membros da ONU. Ele também negociou uma reconciliação entre as facções adversárias de Fatah e Hamas, que há pouco tempo lutavam amargamente entre si. O Hamas, cuja constituição exige a destruição de Israel, está exigindo que o Fatah também retire seu reconhecimento do Estado de Israel.



4. O papel do Irã

   O Irã é um país muçulmano e não árabe. Embora não tenha provocado as recentes revoltas populares nos países do Oriente Médio, é certo que tem envolvimento. O Egito já está preparando-se para reatar relações diplomáticas com o Irã. O grande problema para os países ocidentais tem sido a escolha entre o apoio a governos ditatoriais que mantiveram estabilidade na região (combatendo a Al Qaeda e a Irmandade Muçulmana, mas, ao mesmo tempo, reprimindo direitos humanos) e esse movimento genuíno e popular em favor da democracia, porém com grande probabilidade de cair nas mãos de extremistas islâmicos.  O Irã, sob a mão de ferro do presidente Khamenei e do primeiro-ministro Ahmadinejad, é um Estado islâmico, sem liberdade. Enquanto a atenção do mundo ficou voltada para o terremoto no Japão e todas as revoltas no mundo árabe, o Irã continuou silenciosamente com seu programa nuclear. Sua determinação, com sanções ou sem sanções, certamente dará resultado. Apesar do vírus Stuxnet, desenvolvido no ano passado para paralisar o programa iraniano, e de outros que vieram depois, o objetivo deles será atingido.  As Nações Unidas e os governos ocidentais estão, em grande parte, passivos. Um dia, não muito distante, o Irã vai testar sua bomba nuclear, e o mundo inteiro vai acordar para uma nova situação. Isso será uma ameaça não só para Israel e o Oriente Médio, mas para todo o mundo. O Irã com a bomba atômica será semelhante a Hitler, se ele tivesse chegado a possuí-la. As conseqüências serão horríveis, para o mundo todo, sendo que ninguém está agindo com determinação enquanto ainda há tempo.

5. A Turquia

   Este é outro país muçulmano e não árabe. Costuma ser considerado um modelo de democracia, um exemplo para o mundo árabe seguir. No entanto, lá também está havendo um grande avivamento islâmico, responsável, inclusive, por conduzir ao poder Erdogan, o premiê atual. Sob a liderança dele, a Turquia fez aliança com o Irã. A mudança na Turquia é especialmente preocupante, porque já é membro da aliança militar da Europa ocidental, a OTAN, e está tentando ingressar na União Européia.  O histórico da Turquia em relação a direitos humanos é terrível. Seu tratamento de minorias, como os curdos e os cristãos, está bem longe de ser um modelo – para não dizer algo mais pesado –, e existem manchas sérias em sua história, como o genocídio armênio e assírio (cristãos siríacos), de 1911 a 1917, e a expulsão de milhões de gregos em 1926. Além disso, a atitude da Turquia em relação à liberdade de imprensa também é altamente restritiva, estando entre os piores regimes do mundo nessa área de acordo com as organizações mundiais de direitos humanos. Muitos jornalistas e repórteres estão presos atualmente, sem julgamento ou direito de defesa. Em síntese, a Turquia está mudando, sem revolução, diante dos nossos olhos, passando de aliada e parceira de Israel a inimiga e adversária declarada. Isso traz uma mudança séria para o quadro no Oriente Médio. É semelhante ao que aconteceu, há algumas décadas, com o Irã. É importante entender isso dentro do contexto das profecias bíblicas sobre o tempo do fim, o que deve motivar-nos ainda mais à intercessão por Israel e pelo cumprimento do plano de Deus.

6. Intervenção da ONU na Líbia

   A intervenção recente da ONU no conflito interno da Líbia foi a primeira vez em que a entidade internacional agiu dessa forma numa guerra doméstica. Uma resolução foi aprovada com unanimidade no Conselho de Segurança, sendo que seis países membros se abstiveram. Isso tornou legal a ação militar da OTAN.  Embora ainda não tenha havido uma conclusão ao conflito, e alguns países tenham deixado de participar da ação, houve um precedente com grande significado para o futuro.
    Se uma resolução for tomada no Conselho de Segurança contra Israel, e não houver nenhum veto, uma união de países poderá tomar ação militar contra Jerusalém, assim como fizeram na Líbia. Isso seria um cumprimento das profecias de Zacarias sobre todas as nações se unindo contra Jerusalém (Zc 12.3,9; 14.2).  Será que já estamos nos aproximando dessa época? O Senhor disse que procurará “destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc 12.9). Em outras palavras, haverá enorme juízo sobre todas as nações que tomarem partido contra Israel. Assim, não serão dias de angústia e conflito só para Israel, mas também de destruição, morte e ruína para aquelas nações.
   Além disso, se for cercado por inimigos bem armados, sem muita chance de vitória, Israel não hesitará em lançar mão do seu arsenal nuclear. Como no cerco de Masada pelos romanos, quando os judeus se suicidaram para não se entregar, eles poderão enfrentar uma situação semelhante quando forem atacados por todas as nações. Lembro que Golda Meir, premiê de Israel durante a Guerra de 1973, pediu ajuda de Nixon, presidente dos Estados Unidos. Quando ele não quis ajudar, ela respondeu: “Então teremos de usar nossas armas nucleares”.
   Será nesse cenário, descrito em maiores detalhes em Ezequiel 38 e 39, que se cumprirá a profecia de Zacarias: “E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplicas; olharão para mim, a quem traspassaram ; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito, e chorarão por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12.10).  Devemos levar muito a sério as palavras do Senhor Jesus: “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.28). Essas são as dores de parto do Reino que está chegando. Teremos de passar por algumas coisas, teremos de ser fiéis no meio de um processo doloroso – mas nos lembremos das palavras do salmista: não importa se as montanhas forem lançadas no mar e tudo for abalado e despedaçado; o que importa é que há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus. No que nos concerne, o Senhor reina. Acima do rugido do mar, dos brados das ondas, o Senhor nas alturas é muito mais poderoso.
   Querido filho de Deus, use toda essa informação como combustível para a oração – em favor de Israel, mas também em favor do remanescente fiel da nação onde você está, para que Deus nos proteja no meio de todos esses juízos, tornando-nos fiéis testemunhas aos de fora, capazes de arrancar as pessoas da ira de Deus como tições do meio das chamas (Zc 3.2).

Lance Lambert.

Lance Lambert nasceu na Inglaterra e teve uma experiência de conversão aos 12 anos de idade. Como jovem, estudou a língua e cultura chinesa para ser missionário na China. Antes de ir para lá, porém, a revolução comunista fechou as portas para todos os missionários. Depois de descobrir sua ascendência judia, Lambert se tornou cidadão de Israel em 1980 e vive hoje em Jerusalém. Seu pai e muitos outros membros de sua família morreram no Holocausto. É um dos mais destacados estudiosos atuais da Bíblia sobre escatologia e o papel de Israel no plano de Deus. Periodicamente, há muitos anos, ele escreve uma análise sobre os acontecimentos no Oriente Médio à luz da Palavra de Deus.


Amados, creio que esse texto é extremamente relevante para nossos dias, que possamos ouvir e corresponder com o clamor da Noiva e do Espírito que dizem: "Vem!". Sim, clamemos, ora vem Senhor Jesus! Esse texto foi uma indicação pessoal do irmão Délcio Meireles. Trata-se de um texto recente do irmão Lance Lambert, o qual o irmão Délcio conhece pessoalmente e o recomenda. "Acredito que o conhecimento e interpretação do irmão Lambert com relação à situação do Oriente Médio é a mais completa de nosso planeta" (comentário do irmão Délcio sobre Lance Lambert)