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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

São os filhos de Deus todos iguais?


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"Nenhum homem pode provar que é filho de Deus se não for parecido com o restante da família cristã" - John Blanchard

Já de princípio quero dizer que não concordo com a frase acima, embora reconheça o autor como irmão em Cristo e o recomende por sua grande contribuição para a causa do Evangelho do Reino - Não concordo porque entendo que a prova de que se é filho está no DNA, no sangue e não na aparência. Embora John Blanchard fosse um sábio, não era um brasileiro, aqui podemos entender a diversidade, existem irmãos (por parte de pai e mãe) que são TOTALMENTE diferentes, não estou dizendo somente diferentes, mas que em muitos casos não há semelhança alguma. Já vi até mesmo gêmeos que NEM PARECEM IRMÃOS de tão diferentes que são, tanto na aparência quanto no comportamento e personalidade.Se a afirmação do irmão Blanchard for verdadeira... Coitado de mim, porque minha esposa é descendente de japonês, mas ela não parece nem um pouquinho que seja com japonês, na verdade ela tem olhos enormes (hehe). Fiquei sabendo que há possibilidades de meu filho nascer japonês, pode também nascer loirinho do olho claro (por causa da minha avó), confiram nossas fotos (no perfil ou no fundo do blog) e verão o "problema". Imaginem eu e minha esposa, os dois de cabelo escuro e "brasileiríssimos" andando com um gurizinho loirinho de olhos azuis e outro de olhinho "puxado"? hahaha...



Bom, de qualquer forma quero reafirmar que John Blanchard é um grande homem de Deus (do pouco que sei sobre ele). Apenas não concordo com essa afirmação que, creio eu, ele fez baseado nas famílias britânicas e de tantas outras nacionalidades que nãos têm essa peculiaridade que há no Brasil. O Brasil tem uma característica especial para nos falar da multiforme sabedoria de Deus e da pluralidade da Unidade. Como dizia Santo Agostinho "No essencial Unidade, no secundário Liberdade, em tudo Amor."



Dr. John Blanchard é um internacionalmente conhecido pregador cristão, apologista, professor e autor. Ele já escreveu 30 livros, incluindo dois dos mais utilizados da Grã-Bretanha em apresentações evangelísticas, "Right With God" e o livreto Ultimate Questions . Este último tem mais de 14 milhões de cópias impressas em cerca de 60 idiomas. Seu principal livro Será que Deus acredita em Ateus? , publicado em 2000, foi eleito o "Melhor Livro Cristão" em 2001 no Reino Unido Book Awards cristão, e imediatamente se tornou um best-seller, descrito como "uma defesa brilhante da crença em Deus '.Outros livros que ele escreveu incluem: Verdade da Vida , Whatever Happened to Hell , Conheça o Jesus real , e Bem-aventuranças para Hoje .
Dr. Blanchard está agora fortemente empenhado em Apologética Cristã Popular, um projeto em que está se envolvendo escrevendo, falando, ensinando e transmitindo em defesa da fé cristã. Na sequência do "Será que Deus Acredita em Ateus?" outros livros da série incluem, "A Ciência se livrou de Deus?" , "Deus já passou da data de validade?" , "Conheça o Jesus real" , e "Anybody Out There?" , "Where Do We Go From Here?" , "Evolução: realidade ou ficção?" , "Por que acreditar na Bíblia?", "Por que Jesus veio na Terra?" , "Por que a Cruz?" e "JESUS: Morto ou Vivo?"

 
Dessa maneira nossa "filiação" é somente determinada pela fé em Cristo Jesus, pelo NASCIMENTO DO ALTO.

A nossa filiação em Deus esta relacionada com a salvação. A filiação faz lembrar aquela expressão do apostolo João quando ele escreve dizendo: “Aqueles que o receberam foram chamados filhos de Deus”.




"Mas a todos os que lhe receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (Jo. 1:12). "Porque convinha que aquele, por cuja causa são todas as coisas, e por quem todas as coisas subsistem, tendo que levar muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelas aflições o autor da salvação deles" (Heb. 2:10).

Nas duas citações anteriores aparece a palavra filhos. Entretanto, no original grego, a palavra que se traduz aqui como filhos é distinta em ambos os casos. Em João, é teknós (bebês, filhos pequenos), e em Hebreus, huiós (filhos maiores ou maduros). De maneira que se nos apegarmos ao sentido mais exato de ambas as frases teríamos que dizer: "...deu-lhes o poder de serem feitos crianças de Deus", e "...tendo que levar muitos filhos maduros à glória...".

João se refere ao momento em que fomos gerados por Deus, quando nascemos de Deus, como bebê em Cristo. E em Hebreus, é o final da carreira, um filho maduro, que está em condições de ser levado à glória. Assim, pois, a vontade de Deus não é levar bebês, mas sim filhos maduros, à glória.

Quando um menino judeu cumpria os treze anos de idade, realizava-se o Bar-Mitzvá, uma cerimônia na qual o pai de família declarava diante de todos os seus familiares e amigos, com muito orgulho e satisfação, que seu filho, desde aquele dia, era considerado oficialmente um filho maduro, com plenos direitos de herança e de governo na casa. Essa cerimônia, em grego se chama huiothesía, e se pode traduzir como filiação.

A vontade de Deus é levar muitos filhos maduros à glória, filhos que já passaram por esta experiência de filiação. Nós conhecemos a psicologia de uma criança. Ela centra todas as coisas em si mesma. Na casa, os menores atraem a atenção dos pais e de seus irmãos maiores. A criança pequena é imatura. No grupo familiar, ele ocupa o primeiro lugar. Tudo gira em torno dele.

Um filho é maduro quando já pode assumir responsabilidades e, além disso, é capaz não só de cuidar de si mesmo, mas também de vigiar os outros. Na família de Deus, os filhos maduros são aqueles que podem suportar as fraquezas dos pequenos, podem preocupar-se com eles, e até sofrer por eles.

O dia da filiação dos filhos de Deus é um dia de gozo para o Pai. Os treze anos a que nos referimos têm só um valor simbólico. Pode ser que alguém amadureça espiritualmente antes, ou muito depois desse tempo; mas, sem dúvida, este é um ato de muito gozo para o Pai. O Pai olhará com satisfação para esse filho ao qual já pode atribuir alguns trabalhos, ou lhe pôr a cargo de seus irmãos mais pequenos. Esse filho está em condições de fazer uso de sua herança.

A vontade de Deus é que seus muitos filhos pequenos avancem rapidamente para a maturidade. Ele quer ter muitos filhos maduros, e quando isto ocorrer, ele os levará para a sua glória.

Daniel Freire
http://riquezasdecristo-danielfreire.blogspot.com
[um trecho (a segunda metade) desse artigo foi tirado do site www.aguasvivas.ws] 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Eu sou Muito Rico!!!

Eu Sou Muito Rico!
“Tem gente tão pobre que só tem dinheiro”
Bom, eu não tenho uma Ferrari, nem mesmo um fusquinha! Hahaha! Mas hoje eu percebi o como eu sou rico! Como assim?
Sim sim, eu sou muito rico! As riquezas que eu tenho o ladrão não pode roubar, a traça não pode corroer e a ferrugem não pode estragar!
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” Mateus 6:19, 20, 21 
Quero compartilhar algo com vocês. Eu estava reunido com meus amigos hoje, daí eu tive que dar uma saidinha pra levar o meu pai na rodoviária, e durante esse trajeto, eu estava orando a respeito da minha vida, futuro, esposa, ministério e tals, e Deus falou algo muito forte ao meu coração! 
Descobri que ser bem sucedido na vida é estar no lugar certo, com pessoas certas e fazendo o que é certo, desfrutando do tesouro que Deus tem para mim, tesouros estes que ladrões não podem roubar,  a traça não pode corroer e a ferrugem não pode estragar! Eu posso ser um cara bem sucedido estando na África, e em outros lugares onde ninguém gostaria de estar! Mas se ali é o lugar que Deus tem para mim, ou apenas um momento de eu estar, eu serei feliz ali!
Eu não sei explicar o que sinto no meu coração! Mas eu me sinto o cara mais rico do mundo! A graça de Deus e o sangue de Cristo na  minha vida! A alegria e a paz que excede todo entendimento, a presença de Deus, o Espírito Santo e a vida de Deus em mim! Não há dinheiro que pague isso, tudo isso é incomparável! 
Deus é fiel! Sei que, a respeito de tudo aquilo que eu tanto almejo, se necessário, no tempo certo vai acontecer! 
“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.” Mateus 6:33
Eu deixei o meu pai na rodoviária, e voltei ao lugar onde eu estava, me reuni novamente com meus amigos! Lá eu desfrutei de um tempo precioso, com pessoas preciosas, desfrutei de uma das riquezas que Deus colocou na minha vida!
Meus pais, meus irmãos são outros exemplos de riquezas de Deus para a minha vida! O meu ministério, meus pastores, minhas ovelhas e a igreja onde eu congrego! Tudo isso é tesouro!
Eu não tenho uma Ferrari, eu não preciso de uma Ferrari! Mas eu tenho um Deus amado, e esse sim eu preciso! E muito! 
Eu possuo uma família linda, amigos preciosos, pessoas que caminham ao meu lado! E eu desfruto da verdadeira paz e a alegria que só Deus pode me dar! Eu tenho tudo o que preciso! Eu tenho Cristo!
Não conheço o dono dessa Ferrari, mas acredito que ele mora numa casa luxuosa e possui muitos bens, porém, eu sei o que eu tenho! Eu sou mito rico! Espero que o dono dessa Ferrari também seja!
“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” Filipenses 4:19
 As riquezas do mundo compram aquilo que as pessoas querem, mas não o que elas realmente precisam! Somente as riquezas de Cristo suprem as nossas necessidades! 
“Porque todos pecaram e necessitam da glória de Deus.” Romanos 3:23
Sem mais,
Tiago (Xitão)
fonte: http://odedotecla.tumblr.com


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Preparando meu Coração para Aquele Dia

Aprouve ao Senhor ensinar-me uma verdade, que tem beneficiado a minha vida por mais de catorze anos. É o seguinte: percebi, muito mais claramente do que antes, que o assunto mais importante e mais urgente com que tenho de me ocupar a cada dia é conservar a minha alma muito feliz no Senhor. A primeira coisa com que devo me preocupar não é tanto o quanto eu posso servir ao Senhor, mas o quanto eu posso colocar a minha alma num estado de felicidade no Senhor e alimentar o meu homem interior. 

Eu poderia procurar servir ao Senhor pregando a verdade aos incrédulos; poderia procurar beneficiar os crentes; poderia cuidar de aliviar os oprimidos. Poderia ainda procurar proceder de tal maneira a me comportar como um filho de Deus neste mundo, e contudo, por não estar feliz no Senhor e não ser alimentado e nutrido no meu homem interior dia a dia, tudo isto poderia não ser praticado corretamente, ou no espírito certo. 

Até então a minha prática tinha sido, por pelo menos dez anos antes disso, de habitualmente me entregar à oração logo depois de me vestir de manhã cedo. Agora eu vejo que a coisa mais importante que eu deveria fazer era me entregar à leitura da Palavra de Deus, e nela meditar, de tal maneira que o meu coração pudesse ser confortado, encorajado, aquecido, reprovado, instruído. Percebi que assim, através da Palavra de Deus, enquanto meditava nela, o meu coração poderia ser levado a uma experiência de comunhão com o Senhor. 

Comecei, a partir de então, a meditar no texto do Novo Testamento desde o começo, cedo de manhã. A primeira coisa que eu fiz, depois de pedir em poucas palavras a bênção do Senhor sobre a Sua preciosa Palavra, foi começar a meditar na Palavra de Deus, pesquisando em cada versículo para obter dele uma bênção, não para exercitar o ministério público da Palavra, não para pregar sobre aquilo que eu estava meditando, mas para obter alimento para a minha própria alma. 

Descobri que, como resultado disso, invariavelmente logo depois de alguns minutos a minha alma era levada à confissão, ou à ação de graças, ou à intercessão, ou à súplica; de tal modo que, embora eu não tivesse inicialmente me dedicado à oração e sim à meditação, contudo eu era levado quase imediatamente de um jeito ou de outro à oração. 

Então, quando eu terminava com a minha súplica, ou intercessão, ou ação de graças ou confissão, eu continuava para os outros versículos, e novamente mergulhava na oração por mim mesmo ou pelos outros, de acordo com o que me guiava a Palavra, mas ainda mantendo diante de mim aquele objetivo da minha meditação, o de obter alimento para a minha alma. 

A diferença, então, entre a minha prática anterior e esta atual é isto: antes, quando eu me levantava, eu começava a orar o mais cedo possível, e geralmente gastava quase todo o meu tempo até o café da manhã em oração, ou até todo o tempo. Em todas as ocasiões eu quase invariavelmente começava com oração, a não ser quando eu sentia a minha alma desnutrida, estéril, casos em que eu lia a Palavra de Deus para alimento, ou para refrigério, ou para renovação ou reavivamento do meu homem interior, antes de me entregar à oração propriamente dita. 

Mas qual era o resultado disto? Geralmente eu ficava de joelhos quinze minutos, ou meia hora, ou até uma hora, antes de alcançar a consciência de estar recebendo conforto, encorajamento, humildade de espírito, etc., e muitas vezes, depois de ter sofrido com a divagação da minha mente pelos primeiros dez minutos, ou quinze, ou até mesmo meia hora, e então somente aí é que eu começava realmente a orar. 

Raramente me acontece isto agora. Com o meu coração alimentado pela verdade, experimentando uma comunhão real com Deus, eu falo com o meu Pai e com meu Amigo (por mais vil que eu seja e indigno disto) acerca das coisas que Ele me trouxe na Sua preciosa Palavra. Muitas vezes eu me admiro agora de que não tenha percebido isto antes. 

Pegue esta chave de ouro. Ele o chama. Entre no seu Santo Lugar. 

Autor: George Müller Extraído do Jornal Arauto da Sua Vinda - Ano 15 Número 1



colaboração: Site Preciosa semente

terça-feira, 21 de junho de 2011

A SANTIDADE PRECEDE O PODER - Esboço

“Muitos Cristãos procuram atalhos para o poder de Deus. Tentar utilizar atalhos é tornar-se, na melhor das hipóteses, frustrado; na pior, falso mestre ou falso profeta. Escute atentamente: há enorme poder de Deus em Cristo para nós, mas não sem santidade.” (Francis Frangipane)


O testemunho de João Batista - Mt 3.13-17


Ø João, cheio do Espírito desde antes do nascimento (Lc 1.15-17). Veio no espírito e no poder de Elias. (+ de 1 Milhão ao arrependimento)

Ø João era mais que um profeta, Jesus mesmo afirmou que entre os nascidos de mulher não havia ninguém maior que João (com exceção de Jesus, claro). João era um profeta vidente, ele tinha uma visão Clara do Reino espiritual. (Jo 1.32 / Mt 3.2 / 3.7). Entenda algo sobre os profetas: eles estão cientes de coisas que ainda estão ocultas aos homens.


Ø Quando Jesus veio para ser batizado, antes que os céus se abrissem e o Espírito Santo descesse (poder), João viu algo impressionante até mesmo para o seu padrão de virtude. Tal nível de santidade tirou o fôlego de João (Mt 3.14)

Ø Cada vez que vemos Jesus, cada sucessiva revelação da sua pureza torna a nossa necessidade mais evidente. À medida que a santidade de Cristo surge perante nós, não podemos evitar repetir o mesmo clamor que João: “Eu preciso ser batizado por Ti!”


Ø Porém, muitas vezes confiamos em nossas próprias forças (nossa forma de oração, nossa “justiça”, nosso status, nossas habilidades...) para alcançarmos a vitória, sucesso, realização. Nosso orgulho e autoconfiança nos mantêm afastados do auxílio de Deus; o clamor de nossas muitas idéias e desejos afogam o sussurro da ainda baixa voz do Senhor. (Ap 3.17)

Ø Mas toda verdadeira força, toda verdadeira eficácia – sim, mesmo nossa própria santidade – se inicia com a descoberta da nossa necessidade; quando nos tornamos menos confiantes em nossas habilidades.

Ø Podemos achar que temos dons espirituais, podemos presumir que somos santos (Cuidado, é fácil fingir uma vida em Cristo!), podemos exultar com sucessos humanos; mas até que tenhamos visto a Cristo e abandonado a confiança em nosso orgulho espiritual, tudo que teremos, na melhor das hipóteses, é religião.
 
Ø Deus não precisa do que podemos fazer. ELE QUER O QUE NÓS SOMOS!. Na maioria dos casos estamos prontos para fazer algo por Ele, desde que não tenhamos que mudar por dentro!

Ø Jesus viveu 30 anos de forma pura e sem pecados antes de realizar um ato de poder! Seu objetivo não era fazer um grande trabalho, mas agradar ao Pai com uma vida Santa!


Conclusão:

Ø O objetivo não é nos tornarmos poderosos, mas santos na presença de Cristo.

Ø Você quer que seu cristianismo seja eficiente? Então busque a Jesus como seu padrão e fonte de santidade.

Ø Você quer ver o poder de Deus em sua vida? Então procure conhecer a pureza do coração de Cristo.

Ø Se vamos nos tornar o povo o qual Deus chamou Seu, então devemos crescer em santidade.

Ø Um cristão maduro se tornará tão santo quanto cheio de poder, porém a santidade precede o poder!



[Esboço elaborado por Daniel Freire]

terça-feira, 31 de maio de 2011

Negligenciar o Espírito Santo - A. W. Tozer (Parte 1)


Ao negligenciar ou negar a divindade de Cristo os modernistas cometeram um trágico desatino, pois nada lhes fica senão um Cristo imperfeito, cuja morte foi mero martírio e cuja ressurreição é um mito. A atitude do modernista ao negar a divindade de Cristo é culposa, mas nós que nos orgulhamos de nossa ortodoxia, não devemos permitir que a nossa indignação nos cegue para os nossos próprios defeitos, pois nós também temos cometido nos últimos anos um erro crasso na religião, um erro estreitamente paralelo ao dos modernistas. O nosso erro (ou não deveremos dizer francamente, o nosso pecado?) tem sido o de negligenciar a doutrina do Espírito, a ponto de virtualmente negar Seu lugar na Divindade? O nosso credo formal é correto; o rompimento está em naquilo que cremos na forma prática.


Uma doutrina só tem valor prático na medida em que ela é proeminente em nossos pensamentos e faz diferença em nossas vidas. Com esse teste, a doutrina do Espírito Santo, conforme é sustentada pelos cristãos conservadores hoje em dia, não tem quase nenhum valor prático. Na maioria das igrejas cristãs o Espírito é inteiramente deixado de lado. Se Ele está presente ou ausente, não faz real diferença para ninguém. Breve referência é feita a Ele nos cânticos e na bênção apostólica. Fora disso Ele bem pode deixar de existir. Nós O ignoramos tanto que é só por cortesia que podemos ser denominados de “Trinitarianos” (os que crêem na Trindade).


A doutrina do Espírito Santo é dinamite enterrada. Seu poder aguarda descobrimento e uso pela igreja. O poder do Espírito não será dado a ninguém que dê fraco assentimento à verdade do Espírito. Ele espera por nossa ênfase. Quando o Espírito Santo deixar de ser incidental e voltar a tornar-Se fundamental, o Seu poder se firmará uma vez mais entre as pessoas chamadas cristãs. A idéia do Espírito sustentada pelo membro de igreja comum é tão vaga que quase chega a ser inexistente. 



Devemos sempre fazer distinção entre ter conhecimento acerca de alguma coisa e conhecê-la na prática. A distinção é a mesma que há entre ter conhecimento sobre alimentos e comê-los de fato. Um homem pode morrer de fome tendo todo o conhecimento a respeito do pão, e um homem pode permanecer espiritualmente morto, embora conhecendo todos os fatos históricos do cristianismo. O conhecimento pela descrição pode levar-nos ao conhecimento pela familiaridade; pode levar-nos, mas não o faz automaticamente. Por isso não nos atrevemos a concluir que, por termos conhecimento a respeito do Espírito, por essa mesma razão O conhecemos de fato. Tal conhecimento só vem por um encontro pessoal com o próprio Espírito Santo.


É tempo de arrepender-nos, pois as nossas transgressões contra a bendita Pessoa do Espírito Santo têm sido muitas e mui graves. Nós O temos maltratado amargamente na casa dos Seus amigos. Nós O crucificamos em Seu próprio templo (nós mesmos), como crucificaram o Filho eterno no monte Calvário. E os cravos que usamos não são de ferro, mas de substância extremamente nobre e preciosa, da qual é feita a vida humana. Dos nossos corações tomamos os refinados metais da vontade, dos sentimentos e do pensamento, e com eles modelamos os cravos da suspeita, da rebelião e da negligência. Com pensamentos indignos a respeito Dele e com atitudes hostis para com Ele, nós O entristecemos e O apagamos dias sem conta. O arrependimento mais verdadeiro e mais aceitável é inverter os atos e atitudes; mil anos de remorso por um ato errado não agradariam tanto a Deus como uma mudança de conduta e uma vida reformada. “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. A melhor maneira de arrepender-nos é deixar de negligenciá-Lo, abrir todas as portas e convidá-Lo a entrar, submetendo a Ele todas as salas do templo dos nossos corações e insistindo com Ele para que entre e ocupe, como Senhor e Mestre, o nosso interior que é a Sua habitação. E recordemos que Ele é atraído pelo doce Nome de Jesus como as abelhas são atraídas pela fragrância do trevo. Onde Cristo é honrado o Espírito Se sente bem-vindo; onde Cristo é glorificado Ele Se move com liberdade e satisfação.


O Espírito Como Poder


Como opera esse poder? Através do Espírito de Deus, diretamente no espírito do homem. Ele pode usar uma mensagem, um cântico, uma boa ação, um texto ou o mistério e majestade da natureza; mas a obra final sempre será feita pela pressão do Espírito vivificante sobre o coração humano. À luz disso se verá quão vazio e sem sentido é o culto na igreja comum hoje. Todos os meios estão em evidência; a detestável fraqueza é a ausência do poder do Espírito. A música, a poesia, a arte, a oratória, os paramentos (roupas) simbólicos e tons solenes se juntam para encantar a mente do adorador; mas com muita freqüência a inspiração sobrenatural não está ali. O poder do alto não é nem conhecido nem desejado, quer pelo pastor, quer pelo povo. Isso é nada menos que trágico e tanto mais porque recai no campo da religião, onde está envolvido o destino eterno dos homens.


Com vestígios da ausência do Espírito, pode-se verificar aquela vaga sensação da falta de realidade que quase em toda parte reveste a religião da nossa época. No culto da igreja comum a coisa mais real é a triste ausência de realidade em tudo o que se faz. Aquele que presta culto permanece sentado num estado de indiferença suspensa e fantasiosa e uma espécie de entorpecimento sonolento toma conta dele. Ele ouve as palavras, mas não as registra, não consegue relacioná-las com coisa alguma do nível da sua vida. Tem consciência de ter entrado numa espécie de semi-mundo; sua mente se deixa subjugar por uma disposição mais ou menos agradável, mas que se desvanece sem deixar vestígio com a bênção final. Aquilo não afeta em nada a sua vida diária. Ele não experimenta conscientemente nenhum poder, nenhuma Presença, nenhuma realidade espiritual. Não há nada em sua experiência que corresponda às coisas que ele ouviu do púlpito ou que entoou nos hinos.


Um dos sentidos da palavra poder é a capacidade para fazer. Precisamente aí está a maravilha da obra do Espírito na igreja e no coração dos cristãos e da Sua infalível capacidade de tornar as coisas espirituais reais para a alma. A graça, o perdão, a purificação tomam forma com clareza quase física. A oração deixa de ser sem sentido e passa a ser uma suave conversação com Alguém de fato presente. O amor a Deus e aos filhos de Deus toma posse da alma. Sentimo-nos perto do céu e agora é a terra e o mundo que começa a parecer irreal. O mundo vindouro ganha nítido contorno diante das nossas mentes e começa a atrair nosso interesse e a nossa devoção. Então toda a nossa vida se transforma para conformar-se à nova realidade; e a mudança é permanente.


Melhor organização, equipamentos mais refinados, métodos mais avançados – tudo é inútil. É como trazer o melhor pulmão de aço depois que o paciente morreu. Todas estas coisas podem ser boas, mas não podem dar vida nem poder: “o Espírito é Quem vivifica”. Não precisamos de mais unidade de organização; a grande necessidade é o poder. As lápides sobre os túmulos nos cemitérios apresentam uma frente unida, mas permanecem mudas e impotentes em relação aos mortos e aos que passam junto delas.


Imagino que minha sugestão não receberá muita atenção séria, pois o corpo de cristãos que compõem a ala conservadora da igreja é tão carnal, os nossos cultos públicos em alguns lugares são de tal modo irreverentes e os nossos gostos religiosos estão envelhecidos de tal forma, que dificilmente a necessidade de poder seria maior em qualquer outra época da história. Creio que nosso lucro seria muito maior se declarássemos UM PERÍODO DE SILÊNCIO E AUTO-EXAME, para que cada um de nós pudesse sondar o próprio coração e procurasse preencher todas as condições necessárias para um real batismo do poder do alto. Somente o Espírito pode mostrar-nos o que está errado conosco e prescrever a cura a fim de nos livrar da paralisante falta de realidade do cristianismo que O omite. Só Ele pode mostrar-nos o Pai e o Filho e só a Sua operação interior pode nos revelar a solene majestade e o empolgante mistério do Deus Triúno.



[Continua... no próximo post falaremos sobre o Espírito Santo como fogo]




A. W. TOZER


Extraído do livro: A Conquista Divina
Selecionado por: Delcio Meireles (blog seguidores do cordeiro)



GRIFO: DANIEL FREIRE