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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

São os filhos de Deus todos iguais?



"Nenhum homem pode provar que é filho de Deus se não for parecido com o restante da família cristã" - John Blanchard

Já de princípio quero dizer que não concordo com a frase acima, embora reconheça o autor como irmão em Cristo e o recomende por sua grande contribuição para a causa do Evangelho do Reino - Não concordo porque entendo que a prova de que se é filho está no DNA, no sangue e não na aparência. Embora John Blanchard fosse um sábio, não era um brasileiro, aqui podemos entender a diversidade, existem irmãos (por parte de pai e mãe) que são TOTALMENTE diferentes, não estou dizendo somente diferentes, mas que em muitos casos não há semelhança alguma. Já vi até mesmo gêmeos que NEM PARECEM IRMÃOS de tão diferentes que são, tanto na aparência quanto no comportamento e personalidade.Se a afirmação do irmão Blanchard for verdadeira... Coitado de mim, porque minha esposa é descendente de japonês, mas ela não parece nem um pouquinho que seja com japonês, na verdade ela tem olhos enormes (hehe). Fiquei sabendo que há possibilidades de meu filho nascer japonês, pode também nascer loirinho do olho claro (por causa da minha avó), confiram nossas fotos (no perfil ou no fundo do blog) e verão o "problema". Imaginem eu e minha esposa, os dois de cabelo escuro e "brasileiríssimos" andando com um gurizinho loirinho de olhos azuis e outro de olhinho "puxado"? hahaha...



Bom, de qualquer forma quero reafirmar que John Blanchard é um grande homem de Deus (do pouco que sei sobre ele). Apenas não concordo com essa afirmação que, creio eu, ele fez baseado nas famílias britânicas e de tantas outras nacionalidades que nãos têm essa peculiaridade que há no Brasil. O Brasil tem uma característica especial para nos falar da multiforme sabedoria de Deus e da pluralidade da Unidade. Como dizia Santo Agostinho "No essencial Unidade, no secundário Liberdade, em tudo Amor."



Dr. John Blanchard é um internacionalmente conhecido pregador cristão, apologista, professor e autor. Ele já escreveu 30 livros, incluindo dois dos mais utilizados da Grã-Bretanha em apresentações evangelísticas, "Right With God" e o livreto Ultimate Questions . Este último tem mais de 14 milhões de cópias impressas em cerca de 60 idiomas. Seu principal livro Será que Deus acredita em Ateus? , publicado em 2000, foi eleito o "Melhor Livro Cristão" em 2001 no Reino Unido Book Awards cristão, e imediatamente se tornou um best-seller, descrito como "uma defesa brilhante da crença em Deus '.Outros livros que ele escreveu incluem: Verdade da Vida , Whatever Happened to Hell , Conheça o Jesus real , e Bem-aventuranças para Hoje .
Dr. Blanchard está agora fortemente empenhado em Apologética Cristã Popular, um projeto em que está se envolvendo escrevendo, falando, ensinando e transmitindo em defesa da fé cristã. Na sequência do "Será que Deus Acredita em Ateus?" outros livros da série incluem, "A Ciência se livrou de Deus?" , "Deus já passou da data de validade?" , "Conheça o Jesus real" , e "Anybody Out There?" , "Where Do We Go From Here?" , "Evolução: realidade ou ficção?" , "Por que acreditar na Bíblia?", "Por que Jesus veio na Terra?" , "Por que a Cruz?" e "JESUS: Morto ou Vivo?"

 
Dessa maneira nossa "filiação" é somente determinada pela fé em Cristo Jesus, pelo NASCIMENTO DO ALTO.

A nossa filiação em Deus esta relacionada com a salvação. A filiação faz lembrar aquela expressão do apostolo João quando ele escreve dizendo: “Aqueles que o receberam foram chamados filhos de Deus”.




"Mas a todos os que lhe receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (Jo. 1:12). "Porque convinha que aquele, por cuja causa são todas as coisas, e por quem todas as coisas subsistem, tendo que levar muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelas aflições o autor da salvação deles" (Heb. 2:10).

Nas duas citações anteriores aparece a palavra filhos. Entretanto, no original grego, a palavra que se traduz aqui como filhos é distinta em ambos os casos. Em João, é teknós (bebês, filhos pequenos), e em Hebreus, huiós (filhos maiores ou maduros). De maneira que se nos apegarmos ao sentido mais exato de ambas as frases teríamos que dizer: "...deu-lhes o poder de serem feitos crianças de Deus", e "...tendo que levar muitos filhos maduros à glória...".

João se refere ao momento em que fomos gerados por Deus, quando nascemos de Deus, como bebê em Cristo. E em Hebreus, é o final da carreira, um filho maduro, que está em condições de ser levado à glória. Assim, pois, a vontade de Deus não é levar bebês, mas sim filhos maduros, à glória.

Quando um menino judeu cumpria os treze anos de idade, realizava-se o Bar-Mitzvá, uma cerimônia na qual o pai de família declarava diante de todos os seus familiares e amigos, com muito orgulho e satisfação, que seu filho, desde aquele dia, era considerado oficialmente um filho maduro, com plenos direitos de herança e de governo na casa. Essa cerimônia, em grego se chama huiothesía, e se pode traduzir como filiação.

A vontade de Deus é levar muitos filhos maduros à glória, filhos que já passaram por esta experiência de filiação. Nós conhecemos a psicologia de uma criança. Ela centra todas as coisas em si mesma. Na casa, os menores atraem a atenção dos pais e de seus irmãos maiores. A criança pequena é imatura. No grupo familiar, ele ocupa o primeiro lugar. Tudo gira em torno dele.

Um filho é maduro quando já pode assumir responsabilidades e, além disso, é capaz não só de cuidar de si mesmo, mas também de vigiar os outros. Na família de Deus, os filhos maduros são aqueles que podem suportar as fraquezas dos pequenos, podem preocupar-se com eles, e até sofrer por eles.

O dia da filiação dos filhos de Deus é um dia de gozo para o Pai. Os treze anos a que nos referimos têm só um valor simbólico. Pode ser que alguém amadureça espiritualmente antes, ou muito depois desse tempo; mas, sem dúvida, este é um ato de muito gozo para o Pai. O Pai olhará com satisfação para esse filho ao qual já pode atribuir alguns trabalhos, ou lhe pôr a cargo de seus irmãos mais pequenos. Esse filho está em condições de fazer uso de sua herança.

A vontade de Deus é que seus muitos filhos pequenos avancem rapidamente para a maturidade. Ele quer ter muitos filhos maduros, e quando isto ocorrer, ele os levará para a sua glória.

Daniel Freire
http://riquezasdecristo-danielfreire.blogspot.com
[um trecho (a segunda metade) desse artigo foi tirado do site www.aguasvivas.ws] 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Se os hinos falassem... História do Hino "Tal qual estou"


Charlote Elliot, uma das hinistas mais destacadas do séc. XIX nasceu em 1789. Foi membro de uma família de certa cultura e tradição ministerial (dois irmãos, um tio e um avô foram pastores). Mostrou seu talento poético desde cedo, escrevendo poesias humorísticas. Uma doença séria em 1821 deixou Charlotte inválida para o resto da sua vida. No ínicio, foi rebelde para com Deus. Queixou-se certa vez: “Se Deus me amasse, não teria me tratado desta maneira”. A visita do ilustre pastor e líder da hinologia francesa, H. A. César Malan, mudou sua vida. O Pastor perguntou a Charlotte se ela realmente tinha aceitado a Cristo. Ela se ressentiu com esta pergunta. Malan, prudentemente, não insistiu, mas disse; ”Não insisto em falar nisso, mas orarei para que você entregue o seu coração a Cristo e que se torne uma grande obreira em sua causa”.Duas semanas depois, Charlotte procurou aquele grande evangelista. Falou das suas frustrações e dos seus sentimentos.

- “Que devo fazer para ser crente? ”, perguntou ao amigo.
- ”Deve ser entregar a Cristo, tal qual está”, veio a resposta.
- “Será que Deus me recebe, tal qual estou? ”, perguntou Charlotte, pensando na sua rebeldia, seus temores, e no seu rancor.
- “Sim, tal qual está”, respondeu o Dr. Milan.
Charlotte fez isso e, dali em diante, dedicou sua vida a servir ao Senhor. Manteve uma correspondência com o Dr. Malan por 40 anos, o que muito lhe ajudou a superar sua vida de sofrimentos físicos, e manter um grande ministério espiritual e humanitário. Ao todo, escreveu 150 hinos, que refletiam seu amor pela poesia e pela música. Escreveu muitos hinos especialmente procurando ajudar todas as pessoas que sofriam. Foram publicados em alguns hinários da época. De acordo com Julian, os versos de Charlotte Elliott "São caracterizados pela ternura de sentimentos, simplicidade melancolia, devoção profunda e ritmo perfeito. Para as pessoas sofrendo enfermidades e tristezas, ela canta como poucos."
Em 1834, o irmão de Charlotte procurava organizar uma escola para filhas de pastores sem recursos. Todos ao seu redor se empenhavam a ajudá-lo. Charlotte também queria ajudar, mas, muito doente, era-lhe impossível. Sentia demais a sua invalidez. Mas Deus pôs no seu coração este hino. Escrevendo seis estrofes, lá ajuntou, na sua alma, as grandes certezas, não das suas emoções, mas da sua salvação – do seu Senhor, do seu poder, das suas promessas – e deliberadamente registrou, para seu conforto, a fórmula da sua fé, reiterando a si mesma o evangelho do perdão, da paz e dos céus. A venda do seu hino angariou mais recursos do que os esforços de todos os outros.
"Tal Qual Estou" apareceu pela primeira vez num panfleto em 1835. Charlotte o publicou no seu hinário The Invalid’s Hymn Book (O Hinário Para o Inválido), em 1836. Mais tarde, no mesmo ano, Charlotte adicionou uma sétima estrofe ao hino e publicou-o numa outra coletânea para os que sofrem. Depois da sua morte, em 1871, descobriram mais de 1.000 cartas agradecimento por este hino. Traduzido para muitas línguas e difundido ao redor do globo, o hino tornou-se o mais usado na hora do apelo em cultos evangélicos.
Em setembro de 1934 o muito conhecido pregador batista Mordecai Ham dirigiu uma campanha evangelistica de 11 semanas em Charlotte, Estado de Carolina do Norte, EUA. Para um certo jovem na multidão, religião era um estorvo. Assistiu à reunião sem querer. Enquanto escutava, entretanto, as palavras do pregador tocaram algo nele. Compreendeu que era verdade. Aquela noite, enquanto o coro cantava Tal Qual Estou, o jovem Billy entregou a sua vida a Cristo. Andou até a frente como profissão pública da sua nova fé. Muita gente associa "Tal Qual Estou" com o jovem que entregou a sua vida a Cristo em 1934, o evangelista Billy Graham. Graham, talvez o mais conhecido evangelista da história, tem viajado ao redor do mundo nos seus esforços de trazer Cristo às nações. O cântico que o chamou para fazer a sua profissão pública tornou-se o hino apelo usado em cada Cruzada Billy Granham.
A melodia extensivamente usada nos Estados Unidos com o texto de Charlotte Elliot é WOODWORTH, composta por William Batchelder Bradbury. Originalmente foi combinada com outro texto e publicada na Mandelssohn Collection editada por Hastings e Bradbury, em 1849. Felizmente Sankey, nas coletâneas Gospel e Cânticos Sagrados, publicadas entre 1875 e 1891, uniu a melodia de Bradbury ao texto de Elliot. Usou esta versão nas suas campanhas com Moody. O resultado foi muito feliz e esta versão foi difundida ao redor do mundo. Ao som desta versão, nas campanhas de Billy Granham, onde este hino é o hino oficial de apelo, milhares já foram à frente fazer sua confissão de fé.

Fonte: Ichter, Bill H. Se Os Hinos Falassem. Vol I, Rio de janeiro, Casa Publicadora Batista (JUERP), s/d, p. 328

Para conhecer a melodia veja (e ouça!) os vídeosInterpretado pelo Coral da Igreja Batista de Goierê (Belíssima interpretação)


Interpretação de Robson Monteiro



Segue abaixo a versão da Cantor Cristão (266)

Tal qual estou eis-me Senhor,
Pois o Teu sangue remidor
Verteste pelo pecador;
Ó Salvador me achego a Ti!

Tal qual estou sem esperar,
Que possa a vida melhorar
Em Ti só quero confiar;
Ó Salvador me achego a Ti!

Tal qual estou e sem poder,
As faltas podes preencher
E tudo quanto me é mister;
Ó Salvador me achego a Ti!

Tal qual estou me aceitarás,
E Tu minha alma limparás
Com Teu amor me cobrirás;
Ó Salvador me achego a Ti!
 




A versão da Árvore da Vida

1 Tal qual estou, sem me esquivar,
Sem nada em que me apoiar,
Mas por Teu sangue e Teu chamar,
Cordeiro eterno, venho a Ti!

2 Tal qual estou, sem esperar
Pra do pecado livre estar,
E em Teu sangue me lavar,
Cordeiro eterno, venho a Ti!

3 Tal qual estou, mas inda assim,
Com medos, dúvidas sem fim,
Angústias, lutas dentro em mim,
Cordeiro eterno, venho a Ti!

4 Tal qual estou, sem ter visão,
Mui pobre, vil, em aflição,
Por vida, luz e salvação,
Cordeiro eterno, venho a Ti!

5 Tal qual estou me acolherás,
Perdão e alívio me darás,
Pois prometeste e cumprirás;
Cordeiro eterno, venho a Ti!

6 Tal qual estou, Teu grande amor
Meus muros todos derrubou;
E para ser só Teu, Senhor,
Cordeiro eterno, venho a Ti!

Hino 459 - Editora Árvore da Vida



Nos laços do Calvário

segunda-feira, 25 de julho de 2011

QUEM CONHECE AMA



“Lembrai-vos dos encarcerados como se preso com eles;
dos que sofrem maus tratos, como se, com efeito,
vós mesmos em pessoa fosseis os maltratados” (Hb 13.3).


Pink Floyd foi um grupo que fez muito sucesso nos anos
80. Seu líder, Roger Waters sempre foi conhecido pelo seu
temperamento forte e por suas “loucuras”. O filme “The Wall”,
produzido por ele é cheio de imagens psicodélicas, angustiantes,
e claramente rodado sob pesadas drogas alucinógenas. Até
agora, era essa a imagem que eu tinha dele. Porém, nesses
dias vim a conhecer um pouco de sua história. Nasceu na
Inglaterra em meio à 2ª Guerra Mundial, filho de um soldado
que não o viu nascer, enquanto servia na Itália junto ao exército
inglês. Para escapar dos bombardeios alemães sobre Londres,
sua mãe enviou o filho para um lugar seguro no interior onde
permaneceu com outras crianças até o final da guerra.


Alguns anos depois, quando fogos e festas anunciavam
o fim dos combates, os pais foram buscar seus filhos naquele
lugar. Aquele garoto viu seus amigos um a um serem levados,
menos ele. Seu pai não veio, e pela primeira vez teve a clara
consciência de que perdera o pai sem nunca tê-lo conhecido.
Sentiu-se abandonado e sozinho, e esse passou a ser um
tema obsessivo em suas canções. Waters tem passado a vida
procurando o pai ausente num mundo frio e inóspito.


Essa leitura que fiz me aproximou dele, mesmo sem
conhecê-lo. Quando nos aproximamos das pessoas, de seus
dramas e de suas histórias, nossa visão muda. Identificamos-
nos com elas. Descobrimos nelas companheiros de viagem.
Descobrimos também que se trata de garotos e garotas
assustados como nós, buscando um sentido no mundo,
convivendo com a nostalgia de um Pai ausente.


Há alguns dias recebi um telefonema do hospital onde
prestamos capelania. Queriam minha presença urgente
para falar com um paciente que estava muito revoltado e
descontrolado. Corri para lá, e quando entrei no quarto percebi
alguém de maquiagem forte e unhas pintadas. Era um travesti.
Apresentei-me, estendi-lhe a mão, perguntei seu nome, e disse
que estava ali para ouvi-lo e ajudá-lo. Após uma hora inteira de
conversa ele havia se acalmado e eu já conhecia um pouco da
vida do Edson (nome fictício), de sua família, seus temores e
sonhos, seu desvio da fé, as portas que lhe foram fechadas... já
não via mais alguém travestido do sexo oposto, porém um ser
humano digno, embora fragilizado, alguém como qualquer outro
buscando encontrar o centro do seu ser.


Quando nos aproximamos do outro em amor, desaparece
o que nos causava espanto, raiva, ódio, perplexidade, para dar
lugar à pessoa. Não é justamente isso que Jesus fez em todo o
seu ministério? Ao jovem rico que só pensava em sua fortuna,
Jesus “fitando-o, o amou” (Mc 10.21). Diante do Mestre já não
era mais uma “samaritana”, nem uma “mulher” junto ao poço,
mas uma pessoa que ele conhecia sua história e, a despeito de
seus erros, a amou.


Vivemos num mundo cercado de muros que nós mesmos
construímos. Jesus Cristo veio para quebrar as paredes
de separação para nos aproximar uns dos outros. Cristãos
deveriam também parar de erigir muros para construir pontes.
O Evangelho nos desafia: se amais os seus pares, seus
familiares, os que lhe são agradáveis, que recompensas tendes?
Aliás, não precisa ser cristão para amar os seus iguais.


Permanecer junto a quem nos é igual e fechar-se num
grupo, num partido – seja religioso, político ou étnico, é o
caminho mais fácil para desenvolver na alma um sentimento
de oposição, de medo, e é o estopim para um mecanismo de


defesa chamado “projeção”, que nada mais é que jogar sobre
o outro todas as mazelas indesejadas ou rejeitadas – mas não
admitidas – que estão presentes em nós.


Palestinos e judeus que vivem separados por um muro,
odeiam-se mutuamente. Árabes e judeus vivendo em Jerusalém
ou qualquer outra cidade do mundo, quando se conhecem,
vivem amistosamente sem animosidades.


A intolerância diante do pecador é uma das posturas mais
inadequadas que um cristão pode ter. Igreja que não ama
ao pecador abandonou sua principal missão. Não se trata de
condescender com o erro ou pecado, mas de colocar-se ao lado
e dizer: “sei como você se sente, porque conheço também meus
pecados e é justamente por causa deles que estou aqui; por
isso estarei ao seu lado se precisar de mim”.


–“Mas pastor, Jesus disse à pecadora para ela ir e não
pecar mais”. É verdade, só que isso é interpretado de duas
formas: para “nós” é um tratamento a longo prazo, onde Deus
vai nos tratando e curando ao longo da vida. Para o “outro” é
exigido que ele obedeça imediatamente, mesmo quando ele não
tem forças para isso.


Aproximar-se
das
pessoas,
ouvir
suas
histórias,
desenvolver empatia por elas, e colocar-se em humildade nas
mesma condições, permite que olhemos o mundo com os seus
olhos. Esta é a postura que Deus espera de nós! “Lembrai-vos
dos encarcerados como se preso com eles; dos que sofrem
maus tratos, como se, com efeito, vós mesmos em pessoa
fosseis os maltratados” (Hb 13.3).


Talvez nosso maior desafio seja o de conhecer o outro.
Enquanto são desconhecidos, eles nos assustam e são alvo de
nosso julgamento. Somos capazes de amar somente quando o
distante se faz próximo.


Olhei ao longe e vi um animal caído na estrada. Cheguei
mais perto e vi que era um ser humano. Abaixei-me e reconheci
o meu irmão.


Daniel Rocha, pastor
dadaro@uol.com.br

terça-feira, 21 de junho de 2011

A SANTIDADE PRECEDE O PODER - Esboço

“Muitos Cristãos procuram atalhos para o poder de Deus. Tentar utilizar atalhos é tornar-se, na melhor das hipóteses, frustrado; na pior, falso mestre ou falso profeta. Escute atentamente: há enorme poder de Deus em Cristo para nós, mas não sem santidade.” (Francis Frangipane)


O testemunho de João Batista - Mt 3.13-17


Ø João, cheio do Espírito desde antes do nascimento (Lc 1.15-17). Veio no espírito e no poder de Elias. (+ de 1 Milhão ao arrependimento)

Ø João era mais que um profeta, Jesus mesmo afirmou que entre os nascidos de mulher não havia ninguém maior que João (com exceção de Jesus, claro). João era um profeta vidente, ele tinha uma visão Clara do Reino espiritual. (Jo 1.32 / Mt 3.2 / 3.7). Entenda algo sobre os profetas: eles estão cientes de coisas que ainda estão ocultas aos homens.


Ø Quando Jesus veio para ser batizado, antes que os céus se abrissem e o Espírito Santo descesse (poder), João viu algo impressionante até mesmo para o seu padrão de virtude. Tal nível de santidade tirou o fôlego de João (Mt 3.14)

Ø Cada vez que vemos Jesus, cada sucessiva revelação da sua pureza torna a nossa necessidade mais evidente. À medida que a santidade de Cristo surge perante nós, não podemos evitar repetir o mesmo clamor que João: “Eu preciso ser batizado por Ti!”


Ø Porém, muitas vezes confiamos em nossas próprias forças (nossa forma de oração, nossa “justiça”, nosso status, nossas habilidades...) para alcançarmos a vitória, sucesso, realização. Nosso orgulho e autoconfiança nos mantêm afastados do auxílio de Deus; o clamor de nossas muitas idéias e desejos afogam o sussurro da ainda baixa voz do Senhor. (Ap 3.17)

Ø Mas toda verdadeira força, toda verdadeira eficácia – sim, mesmo nossa própria santidade – se inicia com a descoberta da nossa necessidade; quando nos tornamos menos confiantes em nossas habilidades.

Ø Podemos achar que temos dons espirituais, podemos presumir que somos santos (Cuidado, é fácil fingir uma vida em Cristo!), podemos exultar com sucessos humanos; mas até que tenhamos visto a Cristo e abandonado a confiança em nosso orgulho espiritual, tudo que teremos, na melhor das hipóteses, é religião.
 
Ø Deus não precisa do que podemos fazer. ELE QUER O QUE NÓS SOMOS!. Na maioria dos casos estamos prontos para fazer algo por Ele, desde que não tenhamos que mudar por dentro!

Ø Jesus viveu 30 anos de forma pura e sem pecados antes de realizar um ato de poder! Seu objetivo não era fazer um grande trabalho, mas agradar ao Pai com uma vida Santa!


Conclusão:

Ø O objetivo não é nos tornarmos poderosos, mas santos na presença de Cristo.

Ø Você quer que seu cristianismo seja eficiente? Então busque a Jesus como seu padrão e fonte de santidade.

Ø Você quer ver o poder de Deus em sua vida? Então procure conhecer a pureza do coração de Cristo.

Ø Se vamos nos tornar o povo o qual Deus chamou Seu, então devemos crescer em santidade.

Ø Um cristão maduro se tornará tão santo quanto cheio de poder, porém a santidade precede o poder!



[Esboço elaborado por Daniel Freire]

terça-feira, 31 de maio de 2011

Negligenciar o Espírito Santo - A. W. Tozer (Parte 1)


Ao negligenciar ou negar a divindade de Cristo os modernistas cometeram um trágico desatino, pois nada lhes fica senão um Cristo imperfeito, cuja morte foi mero martírio e cuja ressurreição é um mito. A atitude do modernista ao negar a divindade de Cristo é culposa, mas nós que nos orgulhamos de nossa ortodoxia, não devemos permitir que a nossa indignação nos cegue para os nossos próprios defeitos, pois nós também temos cometido nos últimos anos um erro crasso na religião, um erro estreitamente paralelo ao dos modernistas. O nosso erro (ou não deveremos dizer francamente, o nosso pecado?) tem sido o de negligenciar a doutrina do Espírito, a ponto de virtualmente negar Seu lugar na Divindade? O nosso credo formal é correto; o rompimento está em naquilo que cremos na forma prática.


Uma doutrina só tem valor prático na medida em que ela é proeminente em nossos pensamentos e faz diferença em nossas vidas. Com esse teste, a doutrina do Espírito Santo, conforme é sustentada pelos cristãos conservadores hoje em dia, não tem quase nenhum valor prático. Na maioria das igrejas cristãs o Espírito é inteiramente deixado de lado. Se Ele está presente ou ausente, não faz real diferença para ninguém. Breve referência é feita a Ele nos cânticos e na bênção apostólica. Fora disso Ele bem pode deixar de existir. Nós O ignoramos tanto que é só por cortesia que podemos ser denominados de “Trinitarianos” (os que crêem na Trindade).


A doutrina do Espírito Santo é dinamite enterrada. Seu poder aguarda descobrimento e uso pela igreja. O poder do Espírito não será dado a ninguém que dê fraco assentimento à verdade do Espírito. Ele espera por nossa ênfase. Quando o Espírito Santo deixar de ser incidental e voltar a tornar-Se fundamental, o Seu poder se firmará uma vez mais entre as pessoas chamadas cristãs. A idéia do Espírito sustentada pelo membro de igreja comum é tão vaga que quase chega a ser inexistente. 



Devemos sempre fazer distinção entre ter conhecimento acerca de alguma coisa e conhecê-la na prática. A distinção é a mesma que há entre ter conhecimento sobre alimentos e comê-los de fato. Um homem pode morrer de fome tendo todo o conhecimento a respeito do pão, e um homem pode permanecer espiritualmente morto, embora conhecendo todos os fatos históricos do cristianismo. O conhecimento pela descrição pode levar-nos ao conhecimento pela familiaridade; pode levar-nos, mas não o faz automaticamente. Por isso não nos atrevemos a concluir que, por termos conhecimento a respeito do Espírito, por essa mesma razão O conhecemos de fato. Tal conhecimento só vem por um encontro pessoal com o próprio Espírito Santo.


É tempo de arrepender-nos, pois as nossas transgressões contra a bendita Pessoa do Espírito Santo têm sido muitas e mui graves. Nós O temos maltratado amargamente na casa dos Seus amigos. Nós O crucificamos em Seu próprio templo (nós mesmos), como crucificaram o Filho eterno no monte Calvário. E os cravos que usamos não são de ferro, mas de substância extremamente nobre e preciosa, da qual é feita a vida humana. Dos nossos corações tomamos os refinados metais da vontade, dos sentimentos e do pensamento, e com eles modelamos os cravos da suspeita, da rebelião e da negligência. Com pensamentos indignos a respeito Dele e com atitudes hostis para com Ele, nós O entristecemos e O apagamos dias sem conta. O arrependimento mais verdadeiro e mais aceitável é inverter os atos e atitudes; mil anos de remorso por um ato errado não agradariam tanto a Deus como uma mudança de conduta e uma vida reformada. “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. A melhor maneira de arrepender-nos é deixar de negligenciá-Lo, abrir todas as portas e convidá-Lo a entrar, submetendo a Ele todas as salas do templo dos nossos corações e insistindo com Ele para que entre e ocupe, como Senhor e Mestre, o nosso interior que é a Sua habitação. E recordemos que Ele é atraído pelo doce Nome de Jesus como as abelhas são atraídas pela fragrância do trevo. Onde Cristo é honrado o Espírito Se sente bem-vindo; onde Cristo é glorificado Ele Se move com liberdade e satisfação.


O Espírito Como Poder


Como opera esse poder? Através do Espírito de Deus, diretamente no espírito do homem. Ele pode usar uma mensagem, um cântico, uma boa ação, um texto ou o mistério e majestade da natureza; mas a obra final sempre será feita pela pressão do Espírito vivificante sobre o coração humano. À luz disso se verá quão vazio e sem sentido é o culto na igreja comum hoje. Todos os meios estão em evidência; a detestável fraqueza é a ausência do poder do Espírito. A música, a poesia, a arte, a oratória, os paramentos (roupas) simbólicos e tons solenes se juntam para encantar a mente do adorador; mas com muita freqüência a inspiração sobrenatural não está ali. O poder do alto não é nem conhecido nem desejado, quer pelo pastor, quer pelo povo. Isso é nada menos que trágico e tanto mais porque recai no campo da religião, onde está envolvido o destino eterno dos homens.


Com vestígios da ausência do Espírito, pode-se verificar aquela vaga sensação da falta de realidade que quase em toda parte reveste a religião da nossa época. No culto da igreja comum a coisa mais real é a triste ausência de realidade em tudo o que se faz. Aquele que presta culto permanece sentado num estado de indiferença suspensa e fantasiosa e uma espécie de entorpecimento sonolento toma conta dele. Ele ouve as palavras, mas não as registra, não consegue relacioná-las com coisa alguma do nível da sua vida. Tem consciência de ter entrado numa espécie de semi-mundo; sua mente se deixa subjugar por uma disposição mais ou menos agradável, mas que se desvanece sem deixar vestígio com a bênção final. Aquilo não afeta em nada a sua vida diária. Ele não experimenta conscientemente nenhum poder, nenhuma Presença, nenhuma realidade espiritual. Não há nada em sua experiência que corresponda às coisas que ele ouviu do púlpito ou que entoou nos hinos.


Um dos sentidos da palavra poder é a capacidade para fazer. Precisamente aí está a maravilha da obra do Espírito na igreja e no coração dos cristãos e da Sua infalível capacidade de tornar as coisas espirituais reais para a alma. A graça, o perdão, a purificação tomam forma com clareza quase física. A oração deixa de ser sem sentido e passa a ser uma suave conversação com Alguém de fato presente. O amor a Deus e aos filhos de Deus toma posse da alma. Sentimo-nos perto do céu e agora é a terra e o mundo que começa a parecer irreal. O mundo vindouro ganha nítido contorno diante das nossas mentes e começa a atrair nosso interesse e a nossa devoção. Então toda a nossa vida se transforma para conformar-se à nova realidade; e a mudança é permanente.


Melhor organização, equipamentos mais refinados, métodos mais avançados – tudo é inútil. É como trazer o melhor pulmão de aço depois que o paciente morreu. Todas estas coisas podem ser boas, mas não podem dar vida nem poder: “o Espírito é Quem vivifica”. Não precisamos de mais unidade de organização; a grande necessidade é o poder. As lápides sobre os túmulos nos cemitérios apresentam uma frente unida, mas permanecem mudas e impotentes em relação aos mortos e aos que passam junto delas.


Imagino que minha sugestão não receberá muita atenção séria, pois o corpo de cristãos que compõem a ala conservadora da igreja é tão carnal, os nossos cultos públicos em alguns lugares são de tal modo irreverentes e os nossos gostos religiosos estão envelhecidos de tal forma, que dificilmente a necessidade de poder seria maior em qualquer outra época da história. Creio que nosso lucro seria muito maior se declarássemos UM PERÍODO DE SILÊNCIO E AUTO-EXAME, para que cada um de nós pudesse sondar o próprio coração e procurasse preencher todas as condições necessárias para um real batismo do poder do alto. Somente o Espírito pode mostrar-nos o que está errado conosco e prescrever a cura a fim de nos livrar da paralisante falta de realidade do cristianismo que O omite. Só Ele pode mostrar-nos o Pai e o Filho e só a Sua operação interior pode nos revelar a solene majestade e o empolgante mistério do Deus Triúno.



[Continua... no próximo post falaremos sobre o Espírito Santo como fogo]




A. W. TOZER


Extraído do livro: A Conquista Divina
Selecionado por: Delcio Meireles (blog seguidores do cordeiro)



GRIFO: DANIEL FREIRE