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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Podemos Acumular Tesouros Sobre a Terra?


Delcio Meireles : www.preciosasemente.com.br
Publicação no Preciosa Semente: 20/08/2009

 "Somos mordomos de Deus e tudo o que temos pertence a Ele".




A próxima pergunta que devemos encarar é: é certo acumular bens dinheiro? A luz do Novo Testamento a resposta é um enfático SIM! A Bíblia não condena a ninguém por ser rico. Uma pessoa pode receber uma herança e se tornar rica da noite para o dia. Mas a Bíblia tem muito a dizer sobre o que fazemos com nossos bens. Eis o ensinamento:



1. Somos despenseiros de Deus (1Co 4:1 e 2). Isso significa que tudo o que temos pertence a Ele e não a nós. A nossa responsabilidade é usar o dinheiro do Senhor para a glória dEle. O ensinamento de que os 90% são nossos para gastarmos como desejarmos, e os outros 10% são de Deus é uma interpretação errônea do caráter do "mordomo" no Novo Testamento. Tudo pertence ao Senhor!



2. Devemos estar contentes apenas com o alimento e roupa: "Tendo sustento e com nos vestir, estejamos com isso satisfeitos" (1Tm 6:8). Aqui a palavra "vestir" significa uma cobertura ou teto e pode se referir a qualquer tipo de abrigo ou vestimenta. Assim Paulo diz que devemos estar contentes com as necessidades da vida: alimento, roupa e moradia. E ao nos permitir ter uma moradia, nosso Senhor nos concede mais do que Ele mesmo teve quando viveu nesta terra, pois Ele não tinha "onde reclinar a cabeça" (Mt 8:20).


O cristão que possui algum negócio naturalmente precisará de um capital fixo e um capital de giro para continuar trabalhando. Ele precisa comprar a matéria prima, pagar seus empregados e cobrir as outras obrigações financeiras que se lhe apresentam dia a dia. Nada na Bíblia proíbe um cristão negociante de ter o capital necessário para a operação do seu negócio.



3. Devemos viver com economia o máximo que pudermos e evitar qualquer desperdício. Depois que Jesus alimentou quase 5 mil pessoas, Ele ordenou que Seus discípulos recolhessem o que havia sobrado (Jo 6:12). Seu exemplo nos ensina a economizar sempre. Temos a mania de comprar coisas desnecessárias, principalmente na época do Natal, quando gastamos uma pequena fortuna em presentes os quais são logo jogados num canto. Compramos coisas caras quando objetos mais baratos serviriam tanto quanto os outros. (Não é sempre verdade que a mercadoria mais barata resulta numa compra melhor. Precisamos observar o preço, a duração do produto, o tempo economizado, etc.). Precisamos nos disciplinar no sentido de resistir às tentações de comprar e adquirir tudo o que vemos e queremos. Precisamos desenvolver o hábito de viver sobriamente por amor do nosso amado Senhor e Salvador.



4. Todos os bens que ultrapassam as nossas necessidades devem ser colocados à disposição do Senhor e ao Seu serviço (1Tm 6:8). Lembre se: Tudo pertence a Ele e nós somos apenas os Seus mordomos. Nosso dever é levar avante a Sua causa aqui na terra o máximo que pudermos. Muitos cristãos acham que é imprudência usarmos na obra do Senhor o dinheiro que sobrou, depois de comprarmos alimento, roupa e moradia. Bem, nós temos um relato bíblico de uma pessoa que fez isso. Ela era viúva e deu suas duas moedas como oferta. Jesus não a reprovou: "Verdadeiramente vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos (os ricos). Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento" (Lc 21:3,4).



5. Somos proibidos de ajuntar tesouros na terra. As palavras da Bíblia são claras e Inconfundíveis: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões escavam e roubas; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde nem traça nem ferrugem corrói e onde os ladrões não escavam nem roubam; porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6:19,20). Com relação à maioria de nós, estes versículos até parecem não existir na Bíblia. Cremos que Jesus disse estas palavras e que elas são inspiradas, mas achamos que elas não se referem a nós e por isso não as obedecemos. Assim, em relação a nós, é como se o Senhor Jesus nunca as tivesse falado.
No entanto, a verdade é esta: É PECADO ajuntar tesouros na terra. É diretamente oposto à Palavra de Deus. O que nós chamamos de prudência e previdência é, na realidade, rebelião e amor próprio. E ainda é verdade que onde nosso tesouro está, aí está também o nosso coração. Certa vez o Dr. Johnson foi levado para dar um passeio numa propriedade luxuosa. Ele passeou pela mansão e pelos jardins bem cuidados. Então se virou para seus amigos e disse: "São estas coisas que tornam difícil a um homem morrer".



6. Finalmente, temos que confiar em Deus para o nosso futuro. Deus chama o Seu povo para uma vida de fé, para uma vida de dependência nEle. Ele nos ensina a orar: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (Mt 6:11). Na dádiva do maná Ele nos ensina a confiar nEle diariamente para o suprimento de nossas necessidades (Ex 16:14-22). Ele próprio deve ser a nossa segurança; não devemos nos apoiar nas coisas inseguras deste mundo. Quanto à nossa vida amanhã, geralmente depositamos mais confiança nos irmãos que nos são chegados do que no próprio Senhor que prometeu não nos deixar nem nos abandonar (Hb 13:5).



Este é o desejo do Senhor para o Seu povo: que possamos entender que somos Seus mordomos e que tudo o que temos pertence a Ele; que devemos nos contentar com o necessário para a vida; que devemos viver economicamente o máximo possível; que devemos colocar tudo o que ultrapassa as nossas necessidades ao Seu serviço; que não devemos ajuntar tesouros na terra e que devemos confiar apenas nEle para os dias futuros. Amém.


Délcio Meireles
É permitido baixar este arquivo, copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite a autoria e fonte do mesmo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O verdadeiro significado da Cruz de Cristo - Jessie Penn-Lewis

Leitura: "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se" (Mateus 27.42).

Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se" (Mt 27.42). Esse foi o escárnio dirigido ao Cristo que morria, quando ficou pendurado em Sua cruz naquele "distante monte verde". Palavras de deboche, mas incorporando a própria essência da vida e morte do Filho de Deus, a própria essência dos tratos de Deus com o mundo - a própria essência do Calvário. "Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito". Para salvar os outros - pecadores, rebeldes, inimigos - o Pai não pode salvar a Si mesmo de enviar, do Seu seio, o Filho do Seu amor. Para salvar os outros, o Filho não pode salvar a Si mesmo, mas deve derramar Sua alma na morte e, assim, ver Sua semente e dividir o despojo com os poderosos (Is 53.12 - EC). Para salvar os outros, o Espírito Santo não pode salvar a Si mesmo da angústia, à semelhança da tristeza e angústia do Filho no Getsêmani, em Sua entrada no coração dos que uma vez afundaram-se no pecado e são freqüentemente obstinados e desobedientes aos clamores do Filho.

Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se. Essa expressão engloba, em poucas palavras, toda a história do caminho do Deus-Homem na terra; desse modo, Ele manifestou ao homem caído a expressa imagem ou caráter (conforme o grego, Hb 1.3) do Pai no céu. "Nisso se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado Seu Filho unigênito (...) para vivermos" (1 Jo 4.9). "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a Sua vida por nós" (3.16). O caráter de Deus foi revelado em Seu Filho; a natureza divina foi manifestada Naquele que era a "expressão exata do Seu ser". Resumindo: salvar os outros é próprio de Deus, recusando-se salvar a Si mesmo.



Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se. Isso não significa que Ele não tivesse o poder e os recursos para salvar a Si mesmo. Pelo contrário, Ele tinha o poder, mas não iria usá-lo! Salvar os outros quando isso não custa nada a você é algo possível até para criaturas caídas. Mas salvar os outros e recusar-se a salvar a si mesmo quando você tem condições para fazê-lo é divino. Ele não pode salvar a Si mesmo porque é contrário à natureza divina salvar o ego à custa da perda dos outros.



A Si mesmo não pode salvar-se. Palavras impressionantes, pronunciadas como deboche e pelos lábios de pecadores que crucificaram o seu Salvador. Mesmo na tentação no deserto (Mt 4.1), essa lei da Sua vida foi manifestada; ali Ele não se alimentou, porque não podia alimentar a Si mesmo, mas mais tarde, alimentou os outros (14.13-21). Ele podia utilizar todo o poder da Divindade para abençoar os outros, para alimentar os outros, para salvar os outros; mas para Si mesmo, nada! Não usou os recursos divinos para salvar a Si mesmo num momento de fome aguda, para ter uma palavra menos de desprezo ou um golpe menos do açoite, e ser apenas golpeado com a mão. Assim devem ser os filhos de Deus conformados à imagem do Filho, para manifestar Seu caráter divino, como o Filho revelou a expressa imagem do Pai. "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se" é a lei da vida de Jesus e deve ser a lei da vida de cada seguidor do Cordeiro.



Ter o poder para salvar a si mesmo e recusar-se a usá-lo, porque, se o usasse, os outros não poderiam ser salvos, é a vida de Jesus manifestada naqueles que Ele redimiu. Derramar sua vida pelos outros que o rejeitam e o julgam incorretamente, quando você não precisaria fazê-lo: isto é o Calvário! Ter o poder para salvar a você mesmo e não usá-lo, por significar perda para os outros: isto é o Calvário! Ser usado para libertar almas do poder de Satanás e, depois, colocar-se, como Cristo o fez, à aparente mercê da "vossa hora e o poder das trevas" (Lc 22.53): isso é verdadeiramente o Calvário!



Ó filho de Deus, Ele salvou os outros, mas a Si mesmo não pode salvar! Este deve ser o caminho para você em cada momento de tensão dolorida e tempestade para os seguidores do Cordeiro. Deus tem usado você para libertar os outros, e talvez você esteja desejando saber por que você mesmo não é libertado das lutas por fora e temores por dentro (2 Co 7.5) que estão assediando sua própria vida. Outros vêm a você em extrema necessidade, e, com seu próprio coração partido, você é solicitado a dar do seu próprio vazio e com a perda daquilo que parece ser sua própria necessidade. Você é solicitado a clamar pela vitória pelos outros que estão em angústia, quando você mesmo parece estar em angústia muito maior. No Calvário foi assim! Aquele que havia libertado outros do poder de Satanás foi entregue, como vimos, à fúria total do poder das trevas. Aquele que havia realizado obras poderosas de Deus pelos outros, jaz em impotência e fraqueza nas mãos dos homens. Sim, isso é o Calvário. Vida, poder, bênção e libertação para os outros, e nada para você mesmo, a não ser permanecer na vontade de Deus e aceitar das mãos do Pai tudo o que for do Seu agrado permitir que chegue a você.


Salvou os outros - todos os recursos em Deus e o poder de Deus para os outros! A Si mesmo não pode salvar-se - impotência, vacuidade, sofrimento, conflito e morte para Si mesmo. Essa foi a marca registrada da mais elevada manifestação do espírito do Cordeiro vista nos heróis da fé, conforme o registro de Hebreus 11; e entre esses heróis da fé, que alcançaram o lugar mais elevado nesse rol de honra, estavam mulheres que foram abatidas à morte, não aceitando o livramento, a fim de que pudessem alcançar uma melhor ressurreição (v. 35) . Sim, essa é a marca registrada mais elevada do espírito do Cordeiro. Subjugar reinos, obter promessas, fechar a boca dos leões, extinguir a violência do fogo, escapar ao fio da espada, tornar-se poderoso na guerra (v. 34) - tudo como resultado de fé num Deus Onipotente -: isso é poder; mas ser torturado e não aceitar ser resgatado (v. 35) - isso é o Calvário. A escolha voluntária para sofrer e morrer, ao invés de salvar a si mesmo, é algo mais elevado do que a fé para conquistar e subjugar.


E, se não estamos enganados, esse é o caminho mais elevado colocado diante de todos aqueles que avançam em direção ao alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus no tempo presente. "Nova evidência de que Deus está operando poderosamente para levantar e estabelecer um povo realmente conformado à morte de Cristo veio a mim esta manhã - um assunto muito mais sério e poderoso do que a concessão de dons", escreveu um ministro de grande experiência e em condições de ver e conhecer de forma especial a tendência da obra do Espírito. Sim, Deus "está operando poderosamente em minha direção", dirão muitas almas profundamente provadas, quando pensam em seu próprio caso e nos caminhos estranhos e especiais nos quais estão sendo estranhamente conduzidas, a fim de poder conhecer o caminho da cruz e entrar no espírito do Cordeiro.



Dois caminhos parecem estar claramente abertos diante da Igreja de Deus, com uma escolha para cada membro do Corpo de Cristo, que tem resultados eternos. Há a conformidade ao Cordeiro, que já mencionamos antes, em relação à qual necessitamos de visão divina para discernir sua beleza e glória celestiais. Por outro lado, o caminho de salvar a nós mesmos do sentido pleno de tudo o que significa seguir o Cordeiro na terra, com a conseqüente perda da glória de participar do trono do Cordeiro. Porque está escrito: "Se com Ele sofremos, com Ele reinaremos" (2 Tm 2.12 - BJ); "se com Ele sofremos, com Ele também seremos glorificados" (Rm 8.17). O sofrimento de Cristo foi totalmente voluntário, pois Ele disse: "Eu dou a minha vida (...) Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou" (Jo 10.17, 18). E no caminho da conformidade à Sua morte, muitos que escolheram seguir o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap 14.4), encontram-se no caminho da cruz, o que poderia ser evitado, se quisessem! Eles poderiam aceitar o livramento e salvar a si mesmos, mas perderiam a superior ressurreição. Isso é, na verdade, o espírito do Cordeiro morto, suprido pela graça de Deus a pecadores redimidos. Tudo o que é da terra, nas vozes dos amigos e do mundo, e da própria vida deles clama: "Salva a Ti mesmo e a nós". Mas o Espírito de Cristo no interior deles os conduz no caminho do Cordeiro, pois, como Ele, não podem salvar a si mesmos. Ver um caminho de escape do sofrimento e, por sua própria livre escolha, decidir recusar-se a entrar por ele, por significar a salvação deles mesmos: isto é digno de reconhecimento diante de Deus, pois é o caminho mais próximo da semelhança com Aquele a respeito do Qual foi dito em tom de escárnio: "Salvou os outros, a Si mesmo não pode salvar-se."


(Jessie Penn-Lewis, "A Cruz: O Caminho Para o Reino" - Editora dos Clássicos - Traduzido por Délcio Meireles).

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A CRUZ DO PASSADO, E A CRUZ DO PRESENTE - A. W. Tozer



Silenciosamente e sem que se apercebesse, uma nova cruz apareceu nesses tempos modernos tomando conta dos círculos evangélicos. É muito parecida com a velha cruz, mas só na aparência, porque é diferente: A semelhança é superficial, e a diferença fundamental. Dessa nova cruz apareceu uma nova filosofia de vida cristã e a partir dessa nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica, um novo tipo de culto e de pregações. Esse novo evangelismo usa a mesma linguagem que o antigo, mas seu conteúdo já não é o mesmo e suas ênfases não são iguais ao velho evangelho.

A velha cruz não estava engajada com o mundo. Para a velha carne adâmica ela significava o fim de uma jornada. Carregava consigo a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana, ao contrário, é uma amiga e, se bem compreendida tornou-se a fonte de bem-estar, de beleza e de inocentes prazeres mundanos. Ela permite que o Adão viva sem interferências. As motivações de sua vida continuam a mesma; o homem não muda. Continua a viver para seu próprio prazer, com a diferença de que agora se deleita em cantar hinos e de ver filmes cristãos – os quais se tornaram substitutos das músicas do mundo e das bebidas. A tônica de sua vida continua o prazer – um prazer num nível mais elevado e intelectualizado.

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística totalmente diferente. O novo evangelho não exige que a pessoa renuncie à vida de pecado para poder receber uma nova vida. Ele não aborda os contrastes, mas as similaridades. Faz questão de mostrar ao seu auditório que o cristianismo não faz exigências e demandas desconfortáveis, ao contrário, oferece o que o mundo dá, apenas num nível superior. Os glamoures do mundo são substituídos pelos glamoures da nova religião que é um produto bem melhor.

A nova cruz não sacrifica o pecador, apenas o redireciona. Ela o conduz por uma vida mais limpa e alegre e preserva sua auto-reputação. Para o auto-determinado diz: Venha e tome uma determinação por Cristo. Ao egoísta proclama: Venha e se alegre no Senhor. Para o aventureiro, diz: Venha e descubra a aventura da comunhão cristã.

A mensagem cristã segue a moda em voga para ser aceitável ao público. A filosofia por trás dessa cruz pode até ser sincera, mas a sinceridade não encobre sua falsidade. É falsa porque é cega. Perde de vista completamente o sentido da cruz. A velha cruz é símbolo de morte. Está ali para dizer ao homem de forma violenta que sua vida chegou ao fim. No império romano quando alguém passava pelas estreitas ruas carregando uma cruz, já havia se despedido de todos os amigos. Não podia voltar atrás. Tinha de seguir até o fim.

A cruz não permitia acordos, nada modificava e nada preservava. Ela matava o homem completamente e para seu bem. A cruz não fazia acordos com sua vítima; ela agia de maneira cruel e dura, e quando sua tarefa terminava, o velho homem deixava de existir. A raça adâmica está condenada a morrer. Não há comutação ou substituição da pena nem escape.

Deus não aprova nenhum dos frutos do pecado, por mais inocente ou belo que pareçam aos olhos do ser humano. Deus salva o homem liquidando-o completamente pra depois ressuscitá-lo a um novo estilo de vida. A evangelização que traça paralelos amistosos entre os caminhos de Deus e do homem é falsa, anti-bíblica e cruel para as almas dos ouvintes.

A fé de Cristo não anda paralela com o mundo; ela o intercepta. Ao nos achegarmos a Cristo não elevamos nossa velha vida a um plano maior; nós a deixamos na cruz. O grão precisa ser enterrado e morrer, antes de ressurgir uma nova planta. Nós os que pregamos o evangelho devemos deixar de lado a idéia de que somos agentes do bom relacionamento de Cristo com o mundo. Não podemos alimentar a ideia de que fomos comissionados para tornar Cristo agradável aos grandes homens de negócios, à imprensa, à mídia, ao mundo dos esportes e da cultura. Não somos diplomatas; somos profetas, e nossa mensagem não é uma aliança, um acordo, e sim um ultimato.

Deus oferece vida, mas não a improvisação da velha vida. A vida que ele oferece é vida que nasce da morte. É uma vida que se posiciona ao lado da cruz. Todos os que a querem têm de passar sob a vara. Precisam negar-se a si mesmo aceitando a justiça de Deus sobre sua vida. O que dizer de uma pessoa condenada que encontra vida em Cristo Jesus? Como essa teologia pode ser aplicada à sua vida? Simples: O homem tem que se arrepender e crer. Ele precisa deixar para trás seus pecados e depois sentir-se perdoado. Não pode encobrir coisa alguma, defender-se e escusar-se.

O homem não pode tentar fazer acordos com Deus, tem que baixar a cabeça ante o descontentamento divino. Deve reconhecer que está disposto a morrer. Depois, espera e confia no Senhor ressuscitado, porque do Senhor vem a vida, o renascimento, a purificação e o poder.

A cruz que deu fim à vida terrena de Jesus põe fim ao pecador; e o poder que ressuscitou a Cristo dos mortos, agora ergue o pecador para sua nova vida com Cristo. Àqueles que fazem objeção a esse fato ou acham que é um ponto de vista estreito e particular da verdade, é preciso dizer que Deus estabeleceu sua marca de aprovação dessa mensagem dos dias de Paulo até hoje. Ditas ou não com essas mesmas palavras, este tem sido o conteúdo de todas as pregações que trouxeram vida e poder ao mundo ao longo dos séculos. Os místicos, os reformadores e os avivalistas deram ênfase à cruz, e sinais, milagres e maravilhas de poder do Espírito Santo são testemunhas da aprovação de Deus.

Será que nós, os herdeiros desse legado de poder podemos contender com a verdade? Será que podemos com nossos lápis (escritos) apagar a marca registrada ou alterar o modelo que nos foi mostrado no monte? Que Deus nos proíba! Preguemos sobre a velha cruz e conheceremos o velho poder.

Extraído de "Man, the Dwelling Place of God" (O Homem: Habitação de Deus), 1966.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Negligenciar o Espírito Santo - A. W. Tozer (Parte 1)


Ao negligenciar ou negar a divindade de Cristo os modernistas cometeram um trágico desatino, pois nada lhes fica senão um Cristo imperfeito, cuja morte foi mero martírio e cuja ressurreição é um mito. A atitude do modernista ao negar a divindade de Cristo é culposa, mas nós que nos orgulhamos de nossa ortodoxia, não devemos permitir que a nossa indignação nos cegue para os nossos próprios defeitos, pois nós também temos cometido nos últimos anos um erro crasso na religião, um erro estreitamente paralelo ao dos modernistas. O nosso erro (ou não deveremos dizer francamente, o nosso pecado?) tem sido o de negligenciar a doutrina do Espírito, a ponto de virtualmente negar Seu lugar na Divindade? O nosso credo formal é correto; o rompimento está em naquilo que cremos na forma prática.


Uma doutrina só tem valor prático na medida em que ela é proeminente em nossos pensamentos e faz diferença em nossas vidas. Com esse teste, a doutrina do Espírito Santo, conforme é sustentada pelos cristãos conservadores hoje em dia, não tem quase nenhum valor prático. Na maioria das igrejas cristãs o Espírito é inteiramente deixado de lado. Se Ele está presente ou ausente, não faz real diferença para ninguém. Breve referência é feita a Ele nos cânticos e na bênção apostólica. Fora disso Ele bem pode deixar de existir. Nós O ignoramos tanto que é só por cortesia que podemos ser denominados de “Trinitarianos” (os que crêem na Trindade).


A doutrina do Espírito Santo é dinamite enterrada. Seu poder aguarda descobrimento e uso pela igreja. O poder do Espírito não será dado a ninguém que dê fraco assentimento à verdade do Espírito. Ele espera por nossa ênfase. Quando o Espírito Santo deixar de ser incidental e voltar a tornar-Se fundamental, o Seu poder se firmará uma vez mais entre as pessoas chamadas cristãs. A idéia do Espírito sustentada pelo membro de igreja comum é tão vaga que quase chega a ser inexistente. 



Devemos sempre fazer distinção entre ter conhecimento acerca de alguma coisa e conhecê-la na prática. A distinção é a mesma que há entre ter conhecimento sobre alimentos e comê-los de fato. Um homem pode morrer de fome tendo todo o conhecimento a respeito do pão, e um homem pode permanecer espiritualmente morto, embora conhecendo todos os fatos históricos do cristianismo. O conhecimento pela descrição pode levar-nos ao conhecimento pela familiaridade; pode levar-nos, mas não o faz automaticamente. Por isso não nos atrevemos a concluir que, por termos conhecimento a respeito do Espírito, por essa mesma razão O conhecemos de fato. Tal conhecimento só vem por um encontro pessoal com o próprio Espírito Santo.


É tempo de arrepender-nos, pois as nossas transgressões contra a bendita Pessoa do Espírito Santo têm sido muitas e mui graves. Nós O temos maltratado amargamente na casa dos Seus amigos. Nós O crucificamos em Seu próprio templo (nós mesmos), como crucificaram o Filho eterno no monte Calvário. E os cravos que usamos não são de ferro, mas de substância extremamente nobre e preciosa, da qual é feita a vida humana. Dos nossos corações tomamos os refinados metais da vontade, dos sentimentos e do pensamento, e com eles modelamos os cravos da suspeita, da rebelião e da negligência. Com pensamentos indignos a respeito Dele e com atitudes hostis para com Ele, nós O entristecemos e O apagamos dias sem conta. O arrependimento mais verdadeiro e mais aceitável é inverter os atos e atitudes; mil anos de remorso por um ato errado não agradariam tanto a Deus como uma mudança de conduta e uma vida reformada. “Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que Se compadecerá dele e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. A melhor maneira de arrepender-nos é deixar de negligenciá-Lo, abrir todas as portas e convidá-Lo a entrar, submetendo a Ele todas as salas do templo dos nossos corações e insistindo com Ele para que entre e ocupe, como Senhor e Mestre, o nosso interior que é a Sua habitação. E recordemos que Ele é atraído pelo doce Nome de Jesus como as abelhas são atraídas pela fragrância do trevo. Onde Cristo é honrado o Espírito Se sente bem-vindo; onde Cristo é glorificado Ele Se move com liberdade e satisfação.


O Espírito Como Poder


Como opera esse poder? Através do Espírito de Deus, diretamente no espírito do homem. Ele pode usar uma mensagem, um cântico, uma boa ação, um texto ou o mistério e majestade da natureza; mas a obra final sempre será feita pela pressão do Espírito vivificante sobre o coração humano. À luz disso se verá quão vazio e sem sentido é o culto na igreja comum hoje. Todos os meios estão em evidência; a detestável fraqueza é a ausência do poder do Espírito. A música, a poesia, a arte, a oratória, os paramentos (roupas) simbólicos e tons solenes se juntam para encantar a mente do adorador; mas com muita freqüência a inspiração sobrenatural não está ali. O poder do alto não é nem conhecido nem desejado, quer pelo pastor, quer pelo povo. Isso é nada menos que trágico e tanto mais porque recai no campo da religião, onde está envolvido o destino eterno dos homens.


Com vestígios da ausência do Espírito, pode-se verificar aquela vaga sensação da falta de realidade que quase em toda parte reveste a religião da nossa época. No culto da igreja comum a coisa mais real é a triste ausência de realidade em tudo o que se faz. Aquele que presta culto permanece sentado num estado de indiferença suspensa e fantasiosa e uma espécie de entorpecimento sonolento toma conta dele. Ele ouve as palavras, mas não as registra, não consegue relacioná-las com coisa alguma do nível da sua vida. Tem consciência de ter entrado numa espécie de semi-mundo; sua mente se deixa subjugar por uma disposição mais ou menos agradável, mas que se desvanece sem deixar vestígio com a bênção final. Aquilo não afeta em nada a sua vida diária. Ele não experimenta conscientemente nenhum poder, nenhuma Presença, nenhuma realidade espiritual. Não há nada em sua experiência que corresponda às coisas que ele ouviu do púlpito ou que entoou nos hinos.


Um dos sentidos da palavra poder é a capacidade para fazer. Precisamente aí está a maravilha da obra do Espírito na igreja e no coração dos cristãos e da Sua infalível capacidade de tornar as coisas espirituais reais para a alma. A graça, o perdão, a purificação tomam forma com clareza quase física. A oração deixa de ser sem sentido e passa a ser uma suave conversação com Alguém de fato presente. O amor a Deus e aos filhos de Deus toma posse da alma. Sentimo-nos perto do céu e agora é a terra e o mundo que começa a parecer irreal. O mundo vindouro ganha nítido contorno diante das nossas mentes e começa a atrair nosso interesse e a nossa devoção. Então toda a nossa vida se transforma para conformar-se à nova realidade; e a mudança é permanente.


Melhor organização, equipamentos mais refinados, métodos mais avançados – tudo é inútil. É como trazer o melhor pulmão de aço depois que o paciente morreu. Todas estas coisas podem ser boas, mas não podem dar vida nem poder: “o Espírito é Quem vivifica”. Não precisamos de mais unidade de organização; a grande necessidade é o poder. As lápides sobre os túmulos nos cemitérios apresentam uma frente unida, mas permanecem mudas e impotentes em relação aos mortos e aos que passam junto delas.


Imagino que minha sugestão não receberá muita atenção séria, pois o corpo de cristãos que compõem a ala conservadora da igreja é tão carnal, os nossos cultos públicos em alguns lugares são de tal modo irreverentes e os nossos gostos religiosos estão envelhecidos de tal forma, que dificilmente a necessidade de poder seria maior em qualquer outra época da história. Creio que nosso lucro seria muito maior se declarássemos UM PERÍODO DE SILÊNCIO E AUTO-EXAME, para que cada um de nós pudesse sondar o próprio coração e procurasse preencher todas as condições necessárias para um real batismo do poder do alto. Somente o Espírito pode mostrar-nos o que está errado conosco e prescrever a cura a fim de nos livrar da paralisante falta de realidade do cristianismo que O omite. Só Ele pode mostrar-nos o Pai e o Filho e só a Sua operação interior pode nos revelar a solene majestade e o empolgante mistério do Deus Triúno.



[Continua... no próximo post falaremos sobre o Espírito Santo como fogo]




A. W. TOZER


Extraído do livro: A Conquista Divina
Selecionado por: Delcio Meireles (blog seguidores do cordeiro)



GRIFO: DANIEL FREIRE

terça-feira, 24 de maio de 2011

Amazing Grace - Tradução de Délcio Meireles


Em comparação da versão em português, vemos o quanto se perde muitas vezes em uma versão, e não estou falando de quantidade, mas do peso mesmo das palavras, da profundidade de experiência do autor em contraposição à do tradutor (da versão), da riqueza teológica e da sensibilidade e ao mesmo tempo aousadia poética.

Temos ainda essa tradução de Délcio Meireles:

compare e comente:



Amazing Grace, how sweet the sound,

That saved a wretch like me.

I once was lost but now am found,

Was blind, but now I see.


Maravilhosa Graça, como é doce o som,
Que salvou um miserável como eu.
Eu estava perdido, mas agora fui encontrado.

Era cego, mas agora eu vejo.



T'was Grace that taught my heart to fear.

And Grace, my fears relieved.

How precious did that Grace appear

The hour I first believed.


A Graça que ensinou meu coração a temer.
E a Graça, aliviou meus temores.
Quão preciosa se mostrou esta graça
Na ocasião em que eu cri.




Through many dangers, toils and snares

I have already come;

'Tis Grace that brought me safe thus far

and Grace will lead me home.

Através de muitos perigos, labutas e armadilhas
Eu já cheguei;
Foi a Graça que me trouxe seguro até aqui
E a Graça me levará para casa.



The Lord has promised good to me.

His word my hope secures.

He will my shield and portion be,

As long as life endures.

O Senhor me prometeu o bem
Sua palavra sustenta a minha esperança.
Ele será meu escudo e porção,
Enquanto a vida perdurar.


O irmão Délcio não encontrou nos melhores hinários em Inglês o seguinte verso:

Yea, when this flesh and heart shall fail,

And mortal life shall cease,

I shall possess within the veil,

A life of joy and peace.
Sim, quando esta carne e coração vierem a falhar,E a vida mortal, cessar
Vou possuir dentro do véu,
A vida de alegria e paz.


[Parece que foi um acréscimo de alguém, não consta como sendo de autoria de John Newton. O verso seguinte segue normalmente como no original.]


When we've been THERE ten thousand years

Bright shining as the sun.

We've no less days to sing God's praise

Than when we've first begun.

Quando tivermos passado dez mil anos lá
Brilhando fortemente como o sol
Não teremos menos dias prá cantar os louvores deDeus
Do que quando começamos no princípio.



compare com a versão em português.
Tradução do hino "Amazing Grace"

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pais e Filhos: TREINA A CRIANÇA DE ACORDO COM O SEU TEMPERAMENTO - Charles Swindol



APRENDA A SE DOBRAR CONFORME
AS INCLINAÇÕES DOS SEUS FILHOS

Provérbios 22.6


"Ensina o menino no caminho em que deve andar e até quando for velho não se desviará dele."

"Se pacientemente observarmos e dermos ouvidos aos nossos filhos, poderemos desviar prováveis desastres." Seis milhões de americanos vão dar um passo de mudar a vida este ano (escrito em Fevereiro de 1984). Este passo não mudará apenas a vida deles, mas terá um efeito profundo na próxima geração: eles vão ter filhos. A forma como vão criar estes pequeninos produzirá um impacto muito maior na sociedade, do que quando votam, criam artes, lêem livros, resolvem problemas tecnológicos ou como pretendem visitar outros planetas um dia.

Você pode logo estar entre estes seis milhões. Talvez já esteja, e, como pai, ou provável pai, você está ansioso para fazer a coisa certa, embora não tenha muita certeza do que ela seja. Sugiro que o lugar para começar é com um ingrediente simples: por mais estranho que pareça você pode gerar, vestir, alimentar, disciplinar e educar esta criança, sem mesmo conhecer sua vida. A questão não é falta de orientação. Muitas horas são gastas um na presença do outro. Você está apenas perdendo a sensibilidade. Conhecer seu filho é o principal. Encare isso: é impossível amar alguém que você não conhece até mesmo o seu próprio filho. Se isso é verdadeiro na questão do amor, também é verdadeiro na questão do treinamento. Os pais não podem esperar treinar bem um filho, se eles não conhecem aquele que está sendo treinado.

O ENSINO DE PROVÉRBIOS 22.6
Este versículo é muito conhecido da maioria dos cristãos: "Ensina o menino no caminho em que deve andar, e até quando for velho não se desviará dele.” Antes de provarmos este provérbio tão conhecido, leia-o novamente para ver se entendeu mesmo o que está escrito. Alguns acham que o ensinamento dele é: "Cuide atentamente para que seu filho esteja na igreja regularmente. Procure fixar firmemente na mente dele alguns versículos da Bíblia, hinos e orações. Se possível, leve-o a uma escola bíblica. Algum dia ele vai se entregar aos prazeres da mocidade, mas quando ficar velho o bastante para vencer seus impulsos, ele voltará para Deus." Não sei como você vê isso, mas tal declaração não encoraja muito os pais. Quem seria motivado a treinar seu filho, sabendo que está criando um pródigo que um dia se voltará contra seus pais e não para o Senhor, a não ser quando estiver velho e caduco? Isso além de não ser uma promessa, também não é verdade. Você e eu podemos mencionar pessoas que foram forçadas por pais exigentes a se conformarem a regras religiosas. Tão logo saíram de seus lares, se rebelaram. Posso me lembrar de dois amigos de infância que não apenas se rebelaram, mas morreram em sua rebelião. Eles nunca retornaram ao Senhor.

O QUE SIGNIFICA ENSINAR?
O que o escritor hebreu quis significar com o verbo "ensinar"? A raiz da palavra no original é um termo usado para "o palato, o céu da boca". Nos dias de Salomão uma parteira mergulhava seu dedo no suco de tâmaras espremidas, levava-o à boca do bebê e massageava a gengiva e o céu da boca para criar a sensação de mamar. Aí ela colocava a criança nos braços da mãe para se iniciar a alimentação nos seios dela. O termo crianças geralmente nos faz pensar num pequenino entre quatro e cinco anos. Em 1 Samuel o termo se refere a um infante (4.21), em Gênesis a mesma palavra é usada para Ismael antes dele ser adolescente (21.16), e com respeito a José quando ele já tinha 17 anos (37.2). O termo cobre todos os anos em que um filho está debaixo do teto dos seus pais, desde a infância até se tornar jovem.

Um pai regular pode raciocinar sobre este versículo assim: "Eu conheço o caminho certo para meu filho e vou treiná-lo desse modo. Vou aplicar o mesmo tipo de treinamento a cada um dos meus filhos; eles deverão seguir o mesmo caminho". À primeira vista Provérbios 22.6 dá idéia de negar a individualidade, mas é exatamente o oposto. "No caminho que deve andar" significa "acompanhar, em cooperação com, de acordo com" o caminho que ele deve seguir. A versão New American Standard oferece uma tradução literal assim: "Segundo o seu caminho." Isso pode ser totalmente diferente do caminho do pai. Deus não está dizendo: "Educa a criança como você a vê". Ele diz exatamente o contrário: "Se você quer que o seu treinamento seja piedoso e sábio, observe seu filho, seja sensível e esteja alerta a fim de descobrir o caminho dele, e encaixe o seu treinamento de acordo com esse caminho”. Provérbios 30.18 usa a mesma palavra para "caminho" como neste versículo. No Hebraico este termo "caminho" tem a idéia de "característica, maneira, modo". Os Salmos 7.12 e 11.2 usam esta mesma palavra para descrever um arqueiro com seu arco e flechas. Uma paráfrase de Provérbios 22.6 na Bíblia Ampliada diz: "Treina a criança no caminho que deve seguir (e acompanhando seu dom ou inclinação individual), e quando for velho não se desviará dele".

TENDÊNCIAS DADAS POR DEUS
Em toda criança existe uma inclinação, uma soma de características já estabelecidas por Deus. E os pais que querem treinar seus filhos corretamente devem descobrir qual é essa inclinação. Você pode ter mais de um filho. Eles são iguais? Provavelmente não. Um é criativo, o outro agressivo, prático. Um pode ser inteligente; o outro não é acadêmico. Um pode ter interesse em coisas técnicas e outro pode ser sonhador. Para um a vida é simples e feliz; para outro ela é complicada e séria. Os pais sem sabedoria podem dizer: "Vamos colocar este lar nos eixos. Todos vão se encaixar no meu molde". O pai frequentemente lidera o caminho com um dogmatismo do tipo "ou conserta ou deserta". Quando os filhos ouvem isso, eles fazem planos para sair de casa o mais cedo possível. Não é justo que os pais predeterminem o caminho para os seus filhos. Os pais sensíveis observam cada filho e aprendem como Deus os projetou, e adaptam seu treinamento de acordo com esse conhecimento.


OS FILHOS SÃO DIFERENTES
Jacó era uma espécie de "maricas". Esaú, seu irmão gêmeo, era um caçador másculo. Veja Absalão e Salomão, filhos de Davi. Absalão era um rebelde; Salomão um diplomata, um homem de paz, brilhante e sábio. Freqüentemente tentamos usar a mesma aproximação para com nossos filhos.

Outro erro grave é comparar um irmão com outro. "Ana, por que você não é como a Julia?" "Porque eu não sou Julia" responde Ana. "Por que não?" diz o pai. "Julia tem interesse em Deus e na Palavra Dele. Ela é sensível e ama o Senhor. Por que você é tão rebelde?" Ela responde: "Porque eu sou Ana". O pai apanha uma vara maior, determinado a fazer com que ela seja como a Julia. Ele acha que ela está respondendo, mas na verdade Ana está se esforçando para mostrar um ponto importante. Ela anseia que seus pais reconheçam que ela é diferente de Julia. Não tire conclusões precipitadas de que eu estou sugerindo que Julia ou Ana podem agir independentemente dos seus pais. Estou simplesmente dizendo que não é sábio comparar e encaixá-las no mesmo padrão.

AS FRAQUEZAS DOS FILHOS
Há anos atrás eu e minha esposa consideramos como estávamos falhando em reconhecer a individualidade em nossos filhos. Fazíamos uma revisão dos boletins escolares várias vezes no ano, diante de todos. Só os que só tiram boas notas apreciam tal coisa. Depois decidimos adotar um novo procedimento: cada boletim é lido novamente só com o filho que o trouxer para casa. Cada filho é encorajado ou desafiado individualmente, de acordo com o seu nível de capacidade e inclinação dada por Deus. Nossos filhos agora anseiam por estas avaliações pessoais, ao invés de temerem um encontro desagradável na frente de todos.

BOAS INCLINAÇÕES DOS FILHOS
Os pais precisam considerar as duas maiores inclinações nos filhos: Deus teceu certas características no tecido interior de cada criança, concedendo-lhe suas características físicas, emocionais, personalidade básica, interesses e capacidades. Vamos chamá-las de “boas inclinações”. Elas são produtivas e benéficas à criança e ao mundo no qual ela entra. O Salmo 139 descreve a boa inclinação que Deus nos deu individualmente, antes do nosso nascimento. A “Mãe Natureza” não nos formou, nem surgimos de repente. Na essência dos termos, o Salmista diz: “Tu, ó Deus, Tu e nenhum outro, foste responsável pela minha formação” (Sl 139.13). Davi também diz: “Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim” (v 16). Deus tem um “livro” para cada criança, e para cada novo filho que você tem, outro livro é aberto. Tão diferente como a noite e o dia, cada um foi planejado e estabelecido por Deus.

Os pais sábios reconhecem que nosso soberano Criador prescreveu certos atributos individuais a cada criança. Pelo estudo e observação, os pais chegam a conhecer os filhos que Deus lhes deu gastando tempo observando, conversando e ouvindo aquela criança preciosa, não apenas quando é pequena, mas durante todos os anos que viver no lar. Um dos melhores investimentos que você pode fazer, é depositar na mente dos seus filhos um conhecimento deles mesmos, isto é, conhecer as suas próprias inclinações. Ajude seus filhos a descobrirem suas capacidades e interesses dados por Deus. Anime-os a aceitarem a si mesmos e a verem o valor dessas características que os tornam diferentes de todos os demais.

FORÇA NÃO PRODUZ OBEDIÊNCIA
Frequentemente os pais usam de força para produzir a obediência, mas só a força leva a criança a se rebelar ou fugir. Lentamente ela desenvolve um desprezo por aqueles que a estão criando, passam a resisti-los e ficam magoadas com eles. Você pode dizer: “Forçando meu filho, eu o estou treinando como a Bíblia diz”. O primeiro passo na criação de um filho não é forçar e sim conhecê-lo. Quantidade alguma de treinamento forçado terá sucesso, caso você falhe em conhecer seu filho.

OS PAIS PROJETADOS NOS FILHOS
Pense numa cena familiar de um pai atlético que tem um filho artista. O pai (que quase entrou para o futebol americano profissional, mas que se machucou na faculdade), compra para seu filho de três anos uma bola de futebol americano que custou 25 dólares. Dia após dia o pai aguarda ver seu filho gostando do futebol americano, mas tudo o que o menino quer é tocar piano. Quando Júnior faz dez anos, seu pai está quase ficando louco. Ele teve um filho que pode tocar os clássicos mais difíceis no piano, mas não consegue realizar uma das mais simples jogadas de futebol americano. Para piorar as coisas, o menino não quer nem mesmo aprender. Seu pai grita como louco e o menino tenta explicar. O pai se recusa a ouvir e procura forçar uma mudança usando uma humilhação pública como alavanca, ou então ameaça cortar as aulas de piano. O filho quer agradar o pai, mas de nada adianta suas tentativas: ele não consegue.

O pai, um devoto freqüentador de igreja, também espera que seu filho tenha interesse no Senhor. Um fenômeno curioso e comum ocorre: uma troca estranha acontece no relacionamento. Por causa da frustração do pai e do ressentimento do filho, surge uma diminuição de interesse, lenta, mas contínua, pelas coisas espirituais. Troque alguns detalhes e possivelmente você verá uma cena dolorosamente semelhante em seu próprio lar. É muito melhor você cultivar as qualidades de seus filhos que foram dadas por Deus, ajudando-os a alcançarem o máximo do potencial deles.

AS MÁS INCLINAÇÕES DOS FILHOS
Cada criança tem também inclinações ou tendências para o mal. Essa tendência negativa é herdada, originalmente de Adão e especificamente do pai e da mãe. É a natureza pecaminosa da humanidade passada de pai para filho, de uma geração a outra. (Um fator adicional nessa inclinação maligna é uma cadeia de características pecaminosas que podem ser vistas para trás em cada um dos ancestrais da criança). Se os pais falham em reconhecer a tendência má em seus filhos através do pecado herdado, eles nunca poderão entender realmente as batalhas dos filhos. Eles só vão gritar mais e bater mais forte!

Cada criança nasce espiritualmente morta. Isso pode parecer muito duro, mas é a verdade. O Salmista disse: “Eis que em iniqüidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe” (51.5). A Bíblia Ampliada traduz melhor: “Eis que fui formado num estado de iniqüidade. Minha mãe que me concebeu era pecaminosa e eu também sou pecaminoso”. O Salmo 58 expressa o mesmo pensamento: “Os ímpios são alienados desde o ventre; andam errados desde que nasceram proferindo mentiras” (v 3). Muitos séculos mais tarde o apóstolo Paulo escreveu: “Pois, assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Desde o início da vida, toda criança tem uma tendência para o mal.

O Comitê de Criminalidade de Minesota, uma organização presumivelmente neutra a respeito de qualquer questão espiritual, declarou o seguinte para explicar os altos níveis das estatísticas sobre o crime: “Cada bebê começa a vida como um pequeno selvagem. Ele é totalmente egoísta e egocêntrico. Ele quer o que quer e quando quer: sua mamadeira, a atenção da mãe, os brinquedos dos seus amigos, o relógio do titio. Negue isso e ele manifesta raiva e agressividade que seriam criminosas, não fosse ele tão desvalido. Ele está, na verdade, contaminado. Não tem princípios morais nem conhecimento. Isso significa que todas as crianças, não certas crianças, nascem delinqüentes. Se lhes for permitido continuarem no mundo egocêntrico da sua infância, tendo permissão livre para suas ações impulsivas, para satisfazer suas necessidades, cada criança crescerá como criminosa, ladra, assassina ou estupradora”.


Pai, se você pensa que pode treinar seu filho corretamente, mesmo ignorando os danos (do pecado – nota do tradutor) na alma dele, lamentavelmente você está enganado. Você pode amá-lo de todo o seu coração, mas deve encarar o fato de que ele está estragado e caído por causa do pecado. Ele precisa de restauração. A única forma de lidar com este problema é através de um poder muito maior do que o poder da depravação: o Senhor Jesus Cristo! Os filhos devem ser levados a conhecê-Lo de forma pessoal. “Um filho entregue aos seus próprios caminhos, envergonha sua mãe” (Pv 29.15). Um filho deixado na condição original em que nasceu envergonhará aqueles que o amam. Coloque seu filho na sociedade, sem ter feito nada para alterar ou neutralizar sua inclinação para o mal, e ele trará ruína e sofrimento a um mundo já marcado pela impiedade sem punição. A neutralização pelo poder de Cristo é parte vital no propósito de quebrar a inclinação. A boa inclinação deve receber a cooperação humana; a má deve ser neutralizada pelo lado divino.

Quando foi a última vez que você se assentou sozinho com seu filho? Você já marcou um “compromisso” com seu filho ou filha? Se você quer ter um bom divertimento esta noite, observe seus filhos brincando. Algumas coisas vão te quebrar, pois você ficará assombrado ao ver como eles parecem com você quando você tinha a idade deles. Uma noite assentei com um dos meus filhos e conversei longamente com ele, discutindo coisas que estavam na sua mente. Não repreendi nem preguei. Não li a Bíblia para corrigir. Apenas ouvi, observei e prestei atenção. Meu filho riu e chorou e eu amei cada minuto. Provérbios 22.6 conclui: “E quando for velho não se desviará dele”. O termo “velho” significa “cabelo no queixo” ou “barbado”. Isso não é uma promessa para pessoas de 90 anos de idade. É para aqueles que, tendo sido treinados corretamente, estão deixando o ninho e entrando na maturidade.
CHARLES SWINDOLL

Tradução de: Delcio Meireles

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